Se não a reconhecem, enviam outro com ela para testemunhá-la. — Quando o tribunal de Jerusalém não conhece pessoalmente a testemunha que viu a lua nova — isto é, não sabe se ela é confiável e apta para testemunhar — o tribunal local de sua própria cidade envia junto com ela outra testemunha, que a identifique perante o tribunal grande e ateste sua idoneidade.
No princípio, aceitavam o testemunho da lua nova de qualquer pessoa. — Originalmente, bastava que alguém se apresentasse afirmando ter visto a lua nova para que seu testemunho fosse aceito, sem exigir que os juízes o conhecessem de antemão, pois presumia-se que todo israelita fosse apto para testemunhar, salvo prova em contrário.
Desde que os minim corromperam, instituíram que não aceitassem senão dos conhecidos. — Quando um grupo sectário passou a subornar falsas testemunhas para confundir os sábios quanto à fixação do calendário, os sábios instituíram a nova exigência: só se aceitaria o testemunho de pessoas já conhecidas e reconhecidas como confiáveis, fechando a brecha explorada pelos corruptores.
É o princípio geral da confiabilidade da testemunha que sustenta toda a exigência desta mishná. A Torá não se contenta com qualquer pessoa que se apresente afirmando ter visto algo — exige que o testemunho "se estabeleça", isto é, que repouse sobre uma base de credibilidade verificável. No caso comum de dois testemunhos coincidentes, essa base é a coincidência dos relatos; no caso da lua nova, em que muitas vezes uma única testemunha chega primeiro e precisa ser processada com urgência, a base é o reconhecimento pessoal pelo tribunal. Quando esse reconhecimento falta, a mishná não descarta o testemunho, mas exige um reforço equivalente: uma segunda testemunha que ateste a idoneidade da primeira, preservando assim o mesmo padrão de confiabilidade que a Torá exige em toda matéria judicial.
O Rambam explica o mecanismo do envio de uma segunda testemunha e identifica os minim com os saduceus, que subornavam falsas testemunhas.
"Se não a reconhecem, enviam outro com ela etc." — o entendimento é que, se o tribunal não reconhece este par que testemunhou sobre o mês, os homens do lugar enviam com ele outro par para testemunhar que esse par é apto. E em seguida menciona a razão pela qual não se aceita testemunho senão dos conhecidos e reconhecidos. E disse "no princípio etc." — porque os saduceus contratavam testemunhas falsas para testemunhar sobre a visão da lua.
"Se não a reconhecem" — se o tribunal não reconhece a testemunha, se é confiável e apta. "Enviam" — o tribunal de sua cidade. "Outro com ela" — outro par de testemunhas, para testemunhar sobre ela perante o tribunal grande que santifica o mês. "Desde que os minim corromperam" — que contrataram testemunhas falsas para induzir os sábios ao erro.
Rashi, abrindo o comentário ao Perek Bet, situa a mishná e explica sucintamente cada termo, remetendo à Guemará para o desenvolvimento sobre os beitusim.
"Perek Bet — Se não a reconhecem" — a mishná: "se não a reconhecem" — se o tribunal não reconhece a testemunha, se é confiável e apta. "Enviam" — o tribunal de sua cidade. "Outro com ela" — para testemunhar sobre ela perante o tribunal grande, no Templo, sobre o mês. "Desde que os beitusim corromperam" — a Guemará explica em detalhe: foi quando um trinta de Adar caiu em Shabat e a lua não foi vista em seu tempo, e os beitusim, que desejavam que a festa de Pêssach caísse de certo modo conveniente à sua própria interpretação do calendário, subornaram dois homens para testemunhar falsamente que haviam visto a lua naquele dia.