Aquele que tinha feixes de feno-grego de kilei hakerem (tiltan, feno-grego, aqui cultivado ilicitamente dentro da vinha, junto às videiras, constituindo a proibição de kilei hakerem — mistura de espécies na vinha — vedada em proveito, como a orlá), serão queimados (os feixes de kilei hakerem, isoladamente identificados, devem ser destruídos por completo). Se se misturaram com outros (os feixes proibidos se confundiram, sem identificação, entre um conjunto maior de feixes permitidos), todos serão queimados — palavras de Rabi Meir (Rabi Meir trata os feixes, tal como a roupa das mishnayot 1-2, como itens "que costumam ser contados" e por isso individualmente significativos, não sujeitos à anulação por proporção). E os Sábios dizem: sobem em um e duzentos (discordam, aplicando a proporção padrão de proibições vedadas em proveito, mesmo a feixes contados individualmente).
A mishná desloca-se de orlá para kilei hakerem, cuja fonte bíblica e proporção de anulação já foram estabelecidas em paralelo à de orlá desde o Perek Bet.
Por que a mishná introduz kilei hakerem justamente aqui, depois de cinco mishnayot dedicadas exclusivamente a orlá? A resposta está na simetria estrutural do capítulo: assim como o Perek Bet tratou orlá e kilei hakerem lado a lado, por compartilharem a mesma proporção de anulação (1:200) e a mesma proibição de proveito, o Perek Guimel, depois de esgotar os exemplos práticos de orlá em tecido e alimento (mishnayot 1-5), retoma agora kilei hakerem para aplicar-lhe o mesmo tipo de casuística concreta — e, crucialmente, para preparar a discussão da mishná 7, que generalizará o critério de "o que costuma ser contado" para uma lista fechada de itens, aplicável a ambas as proibições.
O Rambam, seguindo a posição dos Sábios contra Rabi Meir, codifica a regra geral de anulação de kilei hakerem em Hilchot Maachalot Assurot, capítulo 16, com o exemplo análogo do agudá (feixe) de kilei hakerem.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, que retoma a disputa de Rabi Meir e os Sábios agora sobre kilei hakerem.
A explicação de tudo isto é evidente, e a halachá segue os Sábios (o Rambam remete o leitor à mesma disputa e ao mesmo raciocínio já estabelecidos nas mishnayot 1-2, apenas confirmando, mais uma vez, que a posição normativa é a dos Sábios — anulação por proporção — e não a de Rabi Meir).
"Feixes de feno-grego": um feixe não tem menos de vinte e cinco talos (o Bartenura fornece a medida técnica mínima que define um "feixe" para efeitos desta mishná). "Se se misturaram com outros": lemos assim [o texto], e não lemos "e outros com outros" (o Bartenura discute uma variante textual da mishná, esclarecendo a leitura correta). "Todos serão queimados": e o motivo pelo qual não dizemos "vendam-se todos, exceto o valor equivalente à proibição contida neles" — como disse Rabi Shimon ben Gamliel no último capítulo de Avodá Zará a respeito de vinho de idolatria — é porque aqui tememos que o idólatra volte e o venda a um israelita, o que não ocorre com o vinho de idolatria, onde não há esse receio (o Bartenura explica por que, neste caso específico, Rabi Meir é ainda mais estrito do que em outros contextos análogos: a preocupação adicional de revenda fraudulenta justifica a proibição total, e não apenas parcial).