O que tece um fio de tamanho mínimo de lã de bechor numa roupa, a roupa será queimada (bechor, animal primogênito com defeito físico que o desqualifica para sacrifício — sua lã é proibida em proveito, tal como a orlá, pela mesma lógica de contaminação de um tecido inteiro). E de pelo de nazireu e de asno primogênito, num saco, o saco será queimado (pelo de nazireu — os cabelos que o nazireu deve raspar e queimar ao final de seu voto — e pelo de um asno primogênito não resgatado são igualmente proibidos em proveito; a mishná usa "saco" em vez de "roupa" por ser o produto têxtil típico tecido a partir de pelo, em vez de lã). E, em objetos consagrados, santificam em qualquer quantidade (regra geral distinta: quando o material contaminante é hekdesh — propriedade consagrada ao Templo —, ele proíbe o todo mesmo na menor quantidade imaginável, sem exigir sequer o melo hasit que os casos anteriores requerem).
A mishná se afasta pela primeira vez do tema estrito de orlá, mas aplica ao bechor, ao nazireu e ao peter chamor as mesmas fontes bíblicas de proibição de proveito já vistas.
Por que a mishná, dedicada a orlá, se estende a temas tão distintos como bechor, nazireu e pether chamor? A resposta está no critério comum que une todos esses casos: a proibição de proveito (issur hana'á), independentemente de sua origem — seja agrícola (orlá, kilei hakerem), seja relacionada a animais consagrados ou votivos. O Perek Guimel usa esse denominador comum para expandir o escopo prático do princípio de anulação por proporção estabelecido no Perek Bet, mostrando que ele se aplica a toda proibição de proveito misturada em tecido — não apenas à de orlá. A mishná também introduz aqui, pela primeira vez no capítulo, a categoria oposta: hekdesh, que não se submete a proporção alguma, preparando o terreno para a discussão mais ampla das mishnayot 7-8 sobre o que "santifica em qualquer quantidade".
Como esta mishná se afasta do tema estrito de orlá, registra-se honestamente que não localizamos, nas obras diretamente associadas a este tratado, uma halachá dedicada e paralela do Rambam cobrindo especificamente bechor, nazireu e pether chamor tecidos em tecido — esses temas pertencem principalmente a Hilchot Bechorot, Hilchot Nezirut e Hilchot Bikurim.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, que estende o tema a bechor, nazireu, pether chamor e hekdesh.
A lã do bechor, o Eterno ordenou que não se tosquiasse o bechor, como está dito: "não tosquiarás o primogênito de teu rebanho". E o pelo do nazireu ordenou que se queimasse, como está dito: "e tomará o cabelo de sua cabeça consagrada e o dará sobre o fogo". E o pether chamor, quando decapitado, será enterrado (o Rambam explica que, após a nuca quebrada, o corpo do animal deve ser enterrado, não aproveitado), e todos estes pertencem à categoria das proibições de proveito, como já se explicaram suas provas em outro lugar (remetendo a tratados dedicados a cada tema — Bechorot, Nazir). E "saco" chama-se a roupa tecida de pelo, e não se disse a respeito deste "sobe [em proporção]", porque a Escritura não lhes deu medida de nenhum modo (o ponto central do Rambam: diferente da lã de orlá ou de kilei hakerem, que têm uma proporção explícita de anulação — 1:200 —, esses três materiais não têm base bíblica para uma medida de anulação específica, permanecendo proibidos sem uma regra clara de diluição por proporção — questão que a mishná deixa em aberto e que o próprio Rambam reconhece como sem "medida" definida).
"De lã de bechor": e é proibido tosquiar um bechor, como está dito "não tosquiarás o primogênito de teu rebanho". E trata-se aqui de um bechor com defeito físico (baal mum, desqualificado para o altar), e por isso a mishná exige o "melo hasit" — pois um bechor sem defeito (tam) já é consagrado, e ensinamos que em objetos consagrados santificam em qualquer quantidade (o Bartenura explica a razão pela qual a mishná precisa desta medida mínima apenas para o bechor com defeito: só ele, por não ser hekdesh pleno, segue a regra comum de melo hasit; o bechor sem defeito já cai sob a regra final da própria mishná). "De pelo de nazireu": e seu pelo é proibido em proveito, como está dito "santo será, deixará crescer livremente a cabeleira de sua cabeça" — o crescimento livre de sua cabeleira será santo. "E de asno primogênito": depois da decapitação, todos concordam que é proibido em proveito, pois aprendemos [por analogia] "decapitação" e "decapitação" da égua decapitada (eglá arufá, Devarim 21, cujo ritual de decapitação por homicídio não resolvido serve de modelo textual para o pether chamor). "Em saco": a respeito da lã, a mishná ensinou "roupa", e a respeito do pelo, ensinou "saco", porque assim é seu uso costumeiro (distinção prática de vocabulário, não de substância — lã tende a ser tecida em roupas, pelo em sacos).