Um osso do tamanho de um grão de cevada que se dividiu em dois — Rabi Akiva declara impuro, e Rabi Yochanan ben Nuri declara puro. Disse Rabi Yochanan ben Nuri: não disseram “ossos do tamanho de um grão de cevada”, mas sim “osso do tamanho de um grão de cevada”. Um quarto [de cav] de ossos que foram triturados finamente, e não há em cada um deles um osso do tamanho de um grão de cevada — Rabi Shimon declara puro, e os sábios declaram impuro. Um membro do vivo que se dividiu em dois é puro. Rabi Yose declara impuro; mas ele concorda que, se foi tirado por metades, é puro.
A última mishná do capítulo leva ao limite a questão da fragmentação, já latente desde a disputa dos dois mortos em 2:6. Primeiro caso: um único osso do tamanho de um grão de cevada — a medida mínima que contamina por contato e carregamento — que se parte em dois fragmentos, cada um menor que a medida original. Rabi Akiva mantém sua posição de que a medida se preserva ainda que fragmentada; Rabi Yochanan ben Nuri lê o texto legal com precisão gramatical: a expressão empregada pelos sábios foi sempre “osso” no singular, nunca “ossos” no plural — e um objeto fragmentado em dois já não é “um osso”. Segundo caso: um quarto de cav de ossos moídos tão fino que nenhum fragmento individual chega ao tamanho de um grão de cevada — aqui a disputa se inverte, e é Rabi Shimon quem declara puro (pois nenhum fragmento tem, isoladamente, a forma de osso reconhecível), enquanto os sábios impuram, porque o conjunto ainda atinge a medida do quarto de cav. Terceiro caso, que fecha tanto a mishná quanto o capítulo: um membro do vivo — que, como se viu em 1:7–1:8 e 2:1, contamina quando tem carne e ossos completos — que foi dividido ao meio, longitudinalmente, em duas metades simétricas. A opinião anônima e Rabi Yose divergem sobre se essa divisão preserva ou anula o estatuto de “membro”; mas ambos concordam num ponto final, que fecha todo o edifício conceitual do capítulo: se o membro nunca existiu como peça única — se foi retirado do corpo vivo já em duas metades separadas, sem nunca ter sido “um membro” — ele é puro por definição, pois jamais atingiu a medida que a Torá exige.
Sobre “foi tirado por metades”: é quando se corta de uma pessoa uma parte deste membro, e ela se separa; depois se corta o restante desse mesmo membro, também ele se separando — de modo que o membro inteiro fica separado em duas ocasiões distintas. Nesse caso, ele não contamina segundo a opinião de todos. E não há halachá nem como Rabi Yochanan ben Nuri, nem como Rabi Shimon, nem como Rabi Yose.
Sobre “que foram triturados finamente”: que foram moídos; da expressão “e moerás dele finamente” (Shemot 30).
Sobre “Rabi Shimon declara puro”: de toda impureza; e não contaminam nem por contato, nem por carregamento, nem por cobertura.
Sobre “e os sábios declaram impuro”: nas três vias, pois ali há o quarto [de cav].
Sobre “um membro do vivo que se dividiu em dois é puro”: mesmo que se volte a uni-lo, pois a união de uma pessoa não é considerada uma união [válida para efeito da lei].
Sobre “foi tirado por metades”: que foi tirado do vivo em duas metades, e nunca se tirou dele um membro inteiro de uma só vez, pois nunca houve nele a medida [completa]. E não há halachá como Rabi Yose.
Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Bet de Massechet Ohalot, o segundo tratado de Seder Tehorot. Enquanto o Perek Alef traçou a cadeia de contaminação a partir do cadáver e culminou na contagem dos duzentos e quarenta e oito membros do corpo humano, o Perek Bet organizou sistematicamente as próprias medidas — os shiurim — que determinam quando cada componente do corpo contamina, e por quais das três vias: contato, carregamento e cobertura.
O capítulo abriu com duas mishnayot (2:1–2:2) que listam tudo o que contamina pela via mais grave, a cobertura: o cadáver e seus componentes mínimos — o azeitona de carne, o nezel, o rekev —, a espinha e o crânio, o membro completo, os ossos na medida do quarto de cav ou da maioria estrutural e numérica, o sangue em suas várias formas, o verme do cadáver, a cinza dos queimados e a terra de sepulturas — cada item envolto em disputas entre Rabi Akiva, Rabi Eliezer, Rabi Shimon e os sábios. A terceira mishná (2:3) espelhou essa lista com o que contamina apenas pelas duas vias mais leves — contato e carregamento —, e fixou, na disputa de Bet Shamai e Bet Hilel, a medida exata da deficiência que rebaixa a espinha e o crânio dessa categoria superior. A quarta mishná (2:4) estendeu o sistema da carne e dos ossos para a própria arquitetura da sepultura — o golel e o dofek. E as três últimas mishnayot (2:5–2:7) trataram da fragmentação: o que se torna puro quando lhe falta a medida completa, o que se compõe de partes de dois mortos ou duas pessoas diferentes, e o osso ou o membro que se divide em dois fragmentos.
O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Guimel, que continuará a explorar as leis de tumat ohel ao longo dos dezesseis perakim restantes do tratado — um percurso que se estenderá progressivamente nos próximos capítulos.