Se elas não têm um palmo aberto, quer haja entre elas um palmo aberto quer não haja, e há impureza debaixo delas, entre elas ou acima delas, a impureza rompe e sobe, rompe e desce. E o mesmo se aplica a duas cortinas que estão a um palmo aberto de altura do chão.
A última mishná do Perek Yud-Dalet completa a série iniciada em 14:5, tratando agora do caso mais simples: quando nenhuma das duas saliências tem, ela mesma, a largura de um palmo. O Bartenura explica que, faltando essa largura mínima, nenhuma das duas saliências tem condição de interromper a impureza — e isso vale tanto se há um palmo de espaço entre elas quanto se não há. Por isso, independentemente de onde a impureza se encontre — debaixo das saliências, entre elas ou acima delas —, ela se propaga livremente em ambas as direções: a expressão da mishná, “rompe e sobe, rompe e desce”, descreve exatamente essa ausência total de obstáculo, atravessando o espaço de baixo para cima e de cima para baixo sem que nada a detenha. A mishná fecha o capítulo estendendo a mesma regra a duas cortinas (yeriot) sobrepostas, cada uma a um palmo de altura da outra: o Rambam resume que a lei das duas cortinas é idêntica à lei das duas saliências, encerrando assim, com um caso aplicado a um material têxil e não apenas a estruturas de pedra ou madeira, o longo estudo das saliências que ocupou todo o Perek Yud-Dalet.
Isto se esclarece a partir do que já foi dito, e a lei das duas cortinas, uma sobre a outra, é como a lei de duas saliências.
Sobre “elas não têm um palmo aberto”: as saliências não têm a largura de um palmo; por isso, quer a impureza esteja embaixo, quer esteja em cima, elas não interrompem em nada.
Sobre “e o mesmo se aplica a duas cortinas que estão a um palmo aberto de altura do chão”: e são mais altas uma que a outra por um palmo; sua lei é como a de duas saliências.
Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Yud-Dalet de Massechet Ohalot, um capítulo dedicado, do início ao fim, às saliências, vigas e cortinas que se projetam acima de portas e janelas, e à medida exata que as torna capazes de deter ou de transmitir a impureza de ohel.
O capítulo abriu (14:1) distinguindo a saliência (zíz), cuja face aponta para baixo e por isso traz a impureza em qualquer medida, da gizrá e da gavlit, cuja face aponta para cima e que exigem um palmo aberto — com o limite de doze palmos (três fiadas de pedras) acima da porta, além do qual até a saliência passa a exigir a mesma medida. A mishná 14:2 aplicou princípios semelhantes à saliência sobre uma porta tapada e sobre diferentes tipos de janela, com a controvérsia entre o primeiro tanna e Rabi Yosei quanto à proporção exigida. A mishná 14:3 registrou a controvérsia entre Rabi Yehoshua e Rabi Yochanan ben Nuri sobre uma vara colada à parede, decidida a favor deste último, que a equipara à saliência comum. A mishná 14:4 tratou da saliência que circunda toda a casa, mas se estreita diante da própria porta, com a controvérsia entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre a impureza que está debaixo dela — decidida a favor de Rabi Yehoshua, e estendida ao caso do pátio cercado por um pórtico. As três mishnayot finais (14:5–14:7) formaram um bloco geométrico coerente, dedicado a duas saliências sobrepostas: a mishná 14:5, a mais extensa do capítulo, examinou os casos em que cada saliência tem um palmo de largura e há um palmo de espaço entre elas, incluindo as variações em que a superior ultrapassa a inferior em um palmo ou menos, com a controvérsia final entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua; a mishná 14:6 tratou do caso em que falta o palmo de espaço entre as duas saliências, fazendo a impureza do meio propagar-se livremente até o firmamento; e esta última mishná (14:7) completou a série com o caso em que nem sequer a largura de um palmo existe em nenhuma das saliências, de modo que a impureza, esteja onde estiver, rompe e sobe, rompe e desce sem qualquer obstáculo — regra estendida, por fim, a duas cortinas sobrepostas com um palmo de altura entre si.
O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Tet-Vav, que continuará a explorar, ao longo dos quatro perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.