Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Yud-Dalet · Mishná 7 de 7

Saliências estreitas e as duas cortinas, encerramento do Perek Yud-Dalet

טֻמְאָה בוֹקַעַת וְעוֹלָה, בּוֹקַעַת וְיוֹרָדֶת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Yud-Dalet com o último caso da série: quando nenhuma das duas saliências tem a largura de um palmo, nenhuma delas interrompe, e a impureza — esteja debaixo, entre ou acima delas — rompe e sobe, rompe e desce livremente; a mesma regra se aplica a duas cortinas sobrepostas com um palmo de altura entre si

Se elas não têm um palmo aberto, quer haja entre elas um palmo aberto quer não haja, e há impureza debaixo delas, entre elas ou acima delas, a impureza rompe e sobe, rompe e desce. E o mesmo se aplica a duas cortinas que estão a um palmo aberto de altura do chão.

A última mishná do Perek Yud-Dalet completa a série iniciada em 14:5, tratando agora do caso mais simples: quando nenhuma das duas saliências tem, ela mesma, a largura de um palmo. O Bartenura explica que, faltando essa largura mínima, nenhuma das duas saliências tem condição de interromper a impureza — e isso vale tanto se há um palmo de espaço entre elas quanto se não há. Por isso, independentemente de onde a impureza se encontre — debaixo das saliências, entre elas ou acima delas —, ela se propaga livremente em ambas as direções: a expressão da mishná, “rompe e sobe, rompe e desce”, descreve exatamente essa ausência total de obstáculo, atravessando o espaço de baixo para cima e de cima para baixo sem que nada a detenha. A mishná fecha o capítulo estendendo a mesma regra a duas cortinas (yeriot) sobrepostas, cada uma a um palmo de altura da outra: o Rambam resume que a lei das duas cortinas é idêntica à lei das duas saliências, encerrando assim, com um caso aplicado a um material têxil e não apenas a estruturas de pedra ou madeira, o longo estudo das saliências que ocupou todo o Perek Yud-Dalet.

אֵין בָּהֶן פּוֹתֵחַ טֶפַח, בֵּין שֶׁיֵּשׁ בֵּינֵיהֶן פּוֹתֵחַ טֶפַח בֵּין שֶׁאֵין בֵּינֵיהֶן פּוֹתֵחַ טֶפַח, טֻמְאָה תַחְתֵּיהֶן, בֵּינֵיהֶן אוֹ עַל גַּבֵּיהֶן, טֻמְאָה בוֹקַעַת וְעוֹלָה, בּוֹקַעַת וְיוֹרָדֶת. וְכֵן שְׁתֵּי יְרִיעוֹת שֶׁהֵן גְּבוֹהוֹת מִן הָאָרֶץ פּוֹתֵחַ טָפַח:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 14:7
זֶה מְבֹאָר מִמַּה שֶּׁקָּדַם וְדִין הַשְּׁתֵי יְרִיעוֹת זוֹ עַל גַּב זוֹ…

Isto se esclarece a partir do que já foi dito, e a lei das duas cortinas, uma sobre a outra, é como a lei de duas saliências.

Bartenura · Ohalot 14:7
אֵין בָּהֶן פּוֹתֵחַ טֶפַח. שֶׁהַזִּיזִין אֵין בְּרָחְבָּן טֶפַח…

Sobre “elas não têm um palmo aberto”: as saliências não têm a largura de um palmo; por isso, quer a impureza esteja embaixo, quer esteja em cima, elas não interrompem em nada.

Sobre “e o mesmo se aplica a duas cortinas que estão a um palmo aberto de altura do chão”: e são mais altas uma que a outra por um palmo; sua lei é como a de duas saliências.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.
טֻמְאָה בוֹקַעַת וְעוֹלָה, בּוֹקַעַת וְיוֹרָדֶת

Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Yud-Dalet de Massechet Ohalot, um capítulo dedicado, do início ao fim, às saliências, vigas e cortinas que se projetam acima de portas e janelas, e à medida exata que as torna capazes de deter ou de transmitir a impureza de ohel.

O capítulo abriu (14:1) distinguindo a saliência (zíz), cuja face aponta para baixo e por isso traz a impureza em qualquer medida, da gizrá e da gavlit, cuja face aponta para cima e que exigem um palmo aberto — com o limite de doze palmos (três fiadas de pedras) acima da porta, além do qual até a saliência passa a exigir a mesma medida. A mishná 14:2 aplicou princípios semelhantes à saliência sobre uma porta tapada e sobre diferentes tipos de janela, com a controvérsia entre o primeiro tanna e Rabi Yosei quanto à proporção exigida. A mishná 14:3 registrou a controvérsia entre Rabi Yehoshua e Rabi Yochanan ben Nuri sobre uma vara colada à parede, decidida a favor deste último, que a equipara à saliência comum. A mishná 14:4 tratou da saliência que circunda toda a casa, mas se estreita diante da própria porta, com a controvérsia entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre a impureza que está debaixo dela — decidida a favor de Rabi Yehoshua, e estendida ao caso do pátio cercado por um pórtico. As três mishnayot finais (14:5–14:7) formaram um bloco geométrico coerente, dedicado a duas saliências sobrepostas: a mishná 14:5, a mais extensa do capítulo, examinou os casos em que cada saliência tem um palmo de largura e há um palmo de espaço entre elas, incluindo as variações em que a superior ultrapassa a inferior em um palmo ou menos, com a controvérsia final entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua; a mishná 14:6 tratou do caso em que falta o palmo de espaço entre as duas saliências, fazendo a impureza do meio propagar-se livremente até o firmamento; e esta última mishná (14:7) completou a série com o caso em que nem sequer a largura de um palmo existe em nenhuma das saliências, de modo que a impureza, esteja onde estiver, rompe e sobe, rompe e desce sem qualquer obstáculo — regra estendida, por fim, a duas cortinas sobrepostas com um palmo de altura entre si.

O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Tet-Vav, que continuará a explorar, ao longo dos quatro perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.