Se ela estava colocada ao lado do umbral, de tal modo que, se subisse, tocaria no lintel numa abertura de um palmo: se há impureza debaixo dela, em seu interior ou sobre ela, a impureza penetra e sobe, penetra e desce. Se ela estava elevada da terra um palmo: se há impureza debaixo dela ou na casa, debaixo dela e a casa ficam impuras; seu interior e seu topo permanecem puros. Se a impureza está em seu interior ou sobre ela, tudo fica impuro. Se, subindo, ela não tocaria no lintel numa abertura de um palmo, ou está colada ao lintel: se há impureza debaixo dela, nada fica impuro senão debaixo dela.
Esta sétima e última mishná do Perek Yud desloca a mesma panela da mishná anterior para um novo lugar: não mais no meio da casa, debaixo da claraboia, mas ao lado do umbral da porta — puxada para dentro o suficiente para que, se fosse erguida, uma faixa de um palmo dela tocaria o lintel por cima da porta. Nessa posição, colada ao chão, a panela se comporta exatamente como no caso anterior: a impureza debaixo dela, em seu interior ou sobre ela simplesmente penetra e sobe, penetra e desce, sem que a panela funcione como barreira própria, pois ela não está elevada. Elevando-a um palmo do chão, porém, ela volta a se tornar uma tenda independente, e as regras se repetem: impureza debaixo dela ou na casa torna ambas impuras, pois a panela elevada, estando próxima o bastante do lintel da porta, conduz sua própria impureza até a casa através do vão de um palmo que a liga ao umbral; mas seu interior e seu topo permanecem puros, protegidos pelas paredes da própria panela. E se a impureza está dentro dela ou sobre ela, tudo fica impuro, pela mesma razão de antes. A mishná fecha, porém, com uma condição nova: se a panela, mesmo erguida, não chegaria a tocar o lintel numa faixa de um palmo — ou seja, está longe demais da porta para que sua elevação a conecte ao umbral —, ou se está apenas colada ao lintel sem ocupar ali um palmo inteiro, então, havendo impureza debaixo dela, nada além do próprio espaço debaixo dela fica impuro: a impureza não alcança a casa, pois falta a ligação de um palmo entre a panela elevada e a estrutura da porta que a tornaria uma extensão do teto da casa.
Tudo está claro e não necessita de explicação.
Sobre “ela estava colocada”: refere-se à panela.
Sobre “ao lado do umbral”: que estava colocada sobre o umbral por fora, e puxada para dentro o suficiente para que, se subisse, um palmo dela ficasse debaixo do lintel. E isto ocorre quando a panela é bem mais larga embaixo e estreita em cima, junto à sua boca, pois, quando fica um palmo debaixo do lintel, toda a sua boca ainda está do lado de fora.
Sobre “impureza debaixo dela”: fala-se de quando ela está comprimida.
Sobre “penetra e sobe”: e a casa permanece pura; e isto ocorre quando a impureza está do lintel para fora, pois, se estivesse no palmo puxado para dentro, a casa ficaria impura.
Sobre “debaixo dela e a casa ficam impuras”: já que há dela um palmo para dentro, que traz a impureza até a casa.
Sobre “seu interior e seu topo permanecem puros”: pois são salvos com a parede da casa.
Sobre “tudo fica impuro”: pois a panela ficou impura e não bloqueia, e olhamos a impureza como se estivesse debaixo dela, e a casa fica impura.
Sobre “ou colada”: quando a panela não está de modo algum debaixo do lintel, mas apenas em cima, colada ao lado do lintel, e a largura de sua colagem não chega a um palmo.
Sobre “nada fica impuro senão debaixo dela”: pois, não havendo um palmo debaixo do lintel, ela não traz impureza até a casa, e a casa, seu interior e seu topo permanecem todos puros.
Com esta sétima mishná, encerra-se o Perek Yud de Massechet Ohalot, um capítulo curto e denso, todo dedicado à claraboia — a abertura no teto voltada para o céu — e ao princípio fundamental que a governa: a impureza não entra numa tenda nem sai dela senão por uma abertura de um palmo sobre um palmo.
O capítulo abriu (10:1) com a claraboia simples, tendo essa abertura de um palmo, estabelecendo que a casa e o vão diante da claraboia são domínios separados, a menos que a própria impureza esteja dividida entre os dois, ou que alguém os una colocando o pé por cima. A mishná 10:2 tratou da mesma claraboia sem a abertura de um palmo, introduzindo a controvérsia entre Rabi Meir, os sábios e Rabi Shimon sobre a ordem entre o pé colocado por cima e a chegada da impureza. A mishná 10:3 voltou a essa claraboia estreita para o caso em que a própria impureza, sem pé algum, já está dividida entre a casa e o vão, com a disputa entre Rabi Meir, Rabi Yehudá e Rabi Yosei sobre se e quando o vão também fica impuro. As mishnayot 10:4–5 expandiram o cenário para uma casa com sótão, ligados por duas claraboias alinhadas, repetindo toda a análise da distinção entre objetos que recebem e não recebem impureza, primeiro com a abertura de um palmo em ambas as claraboias, depois sem ela. E, por fim, as mishnayot 10:6–7 deixaram de lado a claraboia como abertura vazia para introduzir a panela como vaso colocado sob ela ou ao lado do umbral da porta, mostrando como sua altura em relação ao chão — e, no segundo caso, também sua proximidade ao lintel — determina se ela permanece um objeto neutro, atravessado livremente pela impureza que penetra e sobe, penetra e desce, ou se passa a funcionar como uma tenda própria, capaz de conduzir a impureza até a casa inteira ou de bloqueá-la em benefício de seu próprio interior.
O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Yud-Alef, que continuará a explorar, ao longo dos sete perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.