Quem tinha uma mancha e ela foi cortada, é puro. Se a cortou intencionalmente: Rabi Eliezer diz: quando nascer nele outra praga e ele se purificar dela. Mas os sábios dizem: até que floresça em todo o seu corpo. Se estava na ponta do prepúcio, deve ser circuncidado.
A última mishná do Perek Zayin fecha o capítulo com o caso mais radical de remoção de um sinal de impureza: não apenas o pelo branco ou a carne viva, mas a própria mancha, cortada inteiramente fora do corpo. Se ela foi removida sem intenção — por exemplo, junto com um ferimento acidental —, o portador é puro de imediato, pois a Torá impõe impureza apenas “todos os dias em que a praga estiver nele” (Vayikrá 13:46), e não há mais praga nenhuma sobre a qual julgar. Mas, se ele a cortou intencionalmente — buscando deliberadamente escapar do veredicto sacerdotal —, os sábios impõem uma penalidade: ele não se purifica de imediato, ainda que a mancha tenha desaparecido por completo. A disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre o momento exato dessa purificação retardada retoma os termos da mishná anterior: Rabi Eliezer exige que surja nele uma praga inteiramente nova, da qual ele então se purifique regularmente; os sábios contentam-se com que a tzaraat se espalhe por todo o seu corpo, tornando-o “todo branco” e puro por essa via — mas, como não resta mais nenhuma mancha original cuja medida possa diminuir, a alternativa de reduzir-se a menos que um grão, mencionada na mishná anterior, não se aplica aqui. A mishná fecha com um caso à parte: se a mancha estava sobre a ponta do prepúcio de um menino ainda não circuncidado, ele deve ser circuncidado normalmente, ainda que isso implique cortar fora a própria praga — pois o mandamento positivo da circuncisão prevalece sobre a proibição negativa de remover sinais de tzaraat, segundo o princípio geral de que, quando não é possível cumprir ambos, o mandamento positivo afasta o negativo.
Já que falou de quem arranca os sinais de impureza da praga, fala agora de quem corta a própria praga por inteiro. Já esclareceu a Tosefta que, quando ele cortou a mancha por inteiro, junto com um pouco da carne viva que a circunda, na superfície do corpo, não há para ele purificação alguma para sempre, segundo todos; e que, quando cortou parte da mancha e restou dela algo, ele será purificado quando ela florescer por inteiro, segundo todos. Mas discordam, na mishná, sobre o caso em que a cortou com exatidão, nem mais nem menos do que a mancha em si — e a lei é conforme os sábios.
Disse ainda que, se havia uma praga na pele do prepúcio, deve ser circuncidado, ainda que corte a praga; e não se está falando do oitavo dia, em que a circuncisão é obrigatória, pois isso é evidente — se o Shabat, cuja violação é punida com apedrejamento, é afastado pela circuncisão em seu tempo, como não seria afastada a tzaraat, que é apenas proibição negativa, como já mencionamos? Fala-se aqui, sim, da circuncisão fora de seu tempo, que não afasta o Shabat, mas afasta a tzaraat — pois a circuncisão é mandamento positivo, e o corte da tzaraat é mandamento negativo; e é um de nossos princípios que, em todo lugar em que encontrares um mandamento positivo e um negativo, se puderes cumprir ambos, é melhor; e, se não, venha o positivo e afaste o negativo.
Sobre “e ela foi cortada, é pura”: pois está escrito (Vayikrá 13): “todos os dias em que a praga estiver nele, será impuro” — e não os dias em que havia nele uma mancha e ela foi cortada.
Sobre “se a cortou intencionalmente”: prova-se pela Tosefta que, onde ele cortou toda a mancha e cortou junto com ela um pouco da carne que a circunda, todos concordam que não há para ele purificação alguma para sempre, pois os sábios o penalizaram por ter tido a intenção de arrancá-la pela raiz. E onde a cortou e restou dela algo, todos concordam que ele tem purificação pelo florescimento, já que, tendo restado algo dela, não o penalizaram tanto. A discordância é quando a cortou com exatidão, tal como a mancha era — nem mais, nem menos.
Sobre “Rabi Eliezer diz: quando nascer nele outra praga e ele se purificar dela; mas os sábios dizem: até que floresça em todo o seu corpo”: e a lei é conforme os sábios. Aqui não lemos, nas palavras dos sábios, “ou até que sua mancha diminua para menos que um grão”, pois isso se aplica apenas ao caso de quem arranca sinais de impureza mencionado no início da mishná anterior, onde a mancha permanece — ali cabe ensinar “até que diminua para menos que um grão”; mas aqui a mancha inteira já foi cortada.
Sobre “e se estava na ponta do prepúcio, deve ser circuncidado”: não se trata da circuncisão em seu devido tempo, pois isso é evidente por si mesmo — se o Shabat, cuja violação é apedrejamento, é afastado, quanto mais a tzaraat, que é apenas proibição negativa; mas trata-se mesmo da circuncisão fora de seu devido tempo, que não afasta o Shabat, mas afasta a tzaraat — pois vem o mandamento positivo da circuncisão e afasta o mandamento negativo da tzaraat, conforme estabelecemos em toda a Torá: em todo lugar em que encontrares um mandamento positivo e um negativo, se puderes cumprir ambos, é melhor; e, se não, venha o positivo e afaste o negativo.
Com esta quinta mishná, encerra-se o Perek Zayin de Massechet Negaim — um capítulo dedicado a manchas que, embora tenham a aparência exigida, ficam fora do sistema de impureza por causa do tempo, do lugar ou das circunstâncias de seu surgimento e de seu julgamento. Abriu com o catálogo das manchas puras por origem — antes da Torá, no convertido, no recém-nascido, na dobra oculta, na cabeça, na barba e nas feridas ainda abertas — e a disputa entre Rabi Eliezer ben Yaakov e os sábios sobre o caso em que início e fim de uma sequência de mudanças coincidem em impureza (7:1). Em seguida, tratou da mudança de cor dessas mesmas manchas puras, lenientemente ou rigorosamente, e da disputa entre Rabi Elazar ben Azariá, Rabi Elazar Hisma e Rabi Akiva sobre quando essa mudança exige um novo exame (7:2). Voltou-se então para a mecânica processual do próprio veredicto sacerdotal, fixando o momento exato em que sinais de impureza que nascem ou desaparecem no instante da fala alteram a decisão de isolar, isentar ou certificar (7:3). Depois, distinguiu a proibição de arrancar sinais de impureza da questão de pureza que resulta desse ato, relatando o episódio em que Rabi Akiva levou essa dúvida a Rabán Gamliel e a Rabi Yehoshua a caminho de Gadvad, e a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre quando se purifica quem os arrancou depois da certificação (7:4). Por fim, nesta última mishná, tratou de quem corta fora a própria mancha — sem intenção ou intencionalmente —, e fechou o capítulo com o caso da mancha na ponta do prepúcio, em que o mandamento positivo da circuncisão afasta a proibição negativa de remover a tzaraat (7:5).
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Chet de Massechet Negaim, que continuará a examinar as regras da tzaraat e o processo de exame sacerdotal.