“Uma vez tornado sujeito à impureza, sua dúvida é impura.” Como assim? Dois que vieram diante de um sacerdote, este com uma mancha do tamanho de um grão e aquele do tamanho de uma sela; ao fim da semana, este está do tamanho de uma sela e mais um pouco, e aquele do tamanho de uma sela e mais um pouco: ambos são impuros. E ainda que voltem a ser do tamanho de uma sela e de uma sela, ambos permanecem impuros, até que voltem a ser do tamanho de um grão. Isto é o que disseram: “uma vez tornado sujeito à impureza, sua dúvida é impura.”
Esta última mishná do perek retoma o caso da mishná anterior, mas com uma diferença decisiva: agora, ao fim da semana, ambas as manchas ultrapassam a medida da sela — ficam “do tamanho de uma sela e mais um pouco”. Isso significa que, com certeza, ambos os homens tiveram alastramento em suas manchas, pois cada uma delas cresceu além do que já era antes (uma delas de grão a mais que sela, a outra de sela a mais que sela). Como o alastramento em ambos é certo — ainda que não se saiba exatamente qual proporção cabe a qual — a impureza já está estabelecida para os dois, e a partir daí vale o segundo princípio de 5:4: uma vez que a impureza se tornou certa, a dúvida subsequente se resolve pelo rigor. A mishná prossegue: mesmo que, depois disso, ambas as manchas voltem a encolher para o tamanho exato de uma sela — o que, isoladamente, poderia sugerir retração e leniência — os dois permanecem impuros, pois a impureza já estava certificada, e uma simples redução não basta para reverter uma certeza já estabelecida. Só quando ambas as manchas retornam exatamente à medida original do grão é que a impureza cessa por completo, pois nesse ponto fica claro que todo o crescimento posterior desapareceu. Assim se fecha o Perek Hei, reafirmando pela última vez a máxima com que a mishná anterior abriu a explicação: uma vez que a impureza se tornou sujeita, a dúvida é impura.
Sabe-se que, quando desaparece o alastramento pelo qual alguém foi certificado impuro definitivamente, ele é puro. E quando ambos foram certificados impuros definitivamente por um alastramento no qual ambos se igualaram, e depois disso cada um deles voltou a ser do tamanho de uma sela, poderíamos dizer que aquele cuja mancha era originalmente do tamanho de uma sela seria puro, pois o alastramento desapareceu; mas, como caiu a dúvida, ambos são impuros — pois já foram certificados impuros definitivamente, e por causa de dúvida não saem de sua condição estabelecida. E é o que dizem: “o sacerdote o declarará puro” — que ele declara puro o certo, mas não declara puro o duvidoso. E quando cada um deles voltou a ser do tamanho de um grão, então já se confirmou com certeza que o alastramento desapareceu de ambos, aquele pelo qual foram certificados impuros definitivamente; e por isso ambos são puros.
Sobre “ambos são impuros”: pois em ambos houve alastramento.
Sobre “e ainda que voltem a ser do tamanho de uma sela”: pois agora um deles seria puro, mas, como ambos se tornaram sujeitos à impureza, ambos permanecem impuros — pois está escrito: “e o sacerdote o declarará puro” — que ele declara puro o certo, mas não declara puro o duvidoso.
Sobre “até que voltem a ser do tamanho de um grão”: pois agora, com certeza, ambos são puros, já que o alastramento pelo qual foram certificados impuros definitivamente desapareceu de ambos.
Com esta quinta mishná, encerra-se o Perek Hei de Massechet Negaim — um perek breve, mas denso, dedicado inteiramente à lei da dúvida em pragas. Abriu enunciando o princípio geral: toda dúvida em negaim é pura, exceto duas situações. A primeira exceção — a mancha enclausurada que, ao fim da semana, é encontrada maior, sem se saber se é a mesma que alastrou ou se outra a substituiu — foi apresentada logo na primeira mishná (5:1). A segunda mishná (5:2) tratou de um princípio distinto, mas relacionado: a continuidade da impureza já certificada através da substituição de um sinal secundário por outro, em qualquer etapa do processo. A terceira mishná (5:3) introduziu o “pelo depositado” e a disputa entre Akavia ben Mahalalel e os sábios sobre seu estatuto, com Rabi Akiva concordando parcialmente com os sábios. E as duas últimas mishnayot (5:4–5:5) voltaram ao tema inicial para formular, enfim, o princípio geral completo e sua segunda exceção: antes de a impureza se tornar sujeita, toda dúvida é pura; depois de tornar-se sujeita, toda dúvida é impura — e essa impureza só cessa quando as manchas retornam com certeza à sua medida original.
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Vav de Massechet Negaim, que continuará a tratar das medidas exatas de cada sinal de impureza, aprofundando ainda mais os critérios de julgamento sacerdotal.