Duas fiações de pelo: se sua raiz é escura e sua ponta é branca, é puro. Se sua raiz é branca e sua ponta é escura, é impuro. Quanto deve haver de brancura? Rabi Meir diz: qualquer quantidade. Rabi Shimon diz: o suficiente para ser tomado com a ponta de uma tesoura. Se havia uma única fiação embaixo, dividida em cima, parecendo duas, é puro. Uma mancha que tem nela pelo branco e pelo preto é impura; não se receia que o lugar do pelo preto tenha diminuído a mancha, pois ele não tem substância.
A partir desta mishná, o Perek Dálet deixa as comparações gerais para tratar, caso a caso, dos detalhes técnicos que decidem cada exame sacerdotal. Primeiro, a direção da mudança de cor importa: só o pelo cuja raiz — a parte junto à pele, que a Torá considera a que “se tornou branca” — é branca conta como pelo branco válido; se apenas a ponta é branca, permanecendo escura a raiz, a pessoa é pura. Em seguida, discute-se a quantidade mínima de brancura exigida em cada fiação: Rabi Meir contenta-se com qualquer vestígio de branco, enquanto Rabi Shimon exige que a brancura seja extensa o bastante para ser tomada com a ponta de uma tesoura, isto é, comprida o bastante para ser cortada e retirada. A mishná trata ainda de uma fiação única que se bifurca na ponta, parecendo duas, mas que continua sendo uma só e não certifica impureza, e fecha com o caso de pelo preto misturado ao branco dentro de uma mancha do tamanho mínimo exato — o pelo preto não é considerado como ocupando espaço que diminuiria a mancha abaixo da medida exigida, pois não tem substância física relevante para essa medição.
Disse o Altíssimo: “e o pelo, na praga, tornou-se branco” — que a brancura do pelo seja algo ligado à própria praga, ao ponto de poder ser tomada com a ponta de uma tesoura, isto é, que se possa arrancá-la com pinças; e veio a tradição recebida de que o mínimo de “pelo” (no plural) são duas fiações. E já te foi dito que toda praga menor que o tamanho de um grão é pura; e quando a mancha era exatamente do tamanho de um grão, e nela havia pelo preto e pelo branco, ela é impura, porque a medida do orifício de onde sai o pelo é ínfima, sem medida sensível, a ponto de diminuir a medida da mancha. E a halachá segue Rabi Meir, que diz que a brancura pode ser em qualquer quantidade; já a medida das duas fiações em conjunto — isto é, tanto sua brancura quanto seu comprimento, ou, se todas as fiações forem brancas — exige-se que seu comprimento seja o suficiente para ser tomado com a ponta de uma tesoura, como se explicará no sexto capítulo de Nidá.
Sobre “se sua raiz é escura e sua ponta é branca, é puro”: pois diz o versículo: “e o pelo, na praga, tornou-se branco” — a raiz, junto à praga, é que precisa ter se tornado branca.
Sobre “o suficiente para ser tomado com a ponta de uma tesoura”: o bastante para ser retirado com a ponta da tesoura. E a halachá é que a medida do pelo branco, em comprimento, não é menor do que o necessário para ser tomado com a ponta da tesoura; mas a brancura nele pode ser em qualquer quantidade.
Sobre “parecendo duas, é puro”: pois há fiações de pelo divididas na ponta em duas, mas que em sua raiz são apenas uma.
Assim lemos: “uma mancha que tem nela pelo branco e pelo preto é impura” — uma mancha exatamente do tamanho de um grão, tendo nela duas fiações brancas, e o restante cheio de fiações pretas, é impura; e não dizemos que o lugar das fiações pretas diminui a mancha abaixo do tamanho de um grão.