"Konam, que eu não caso com fulana, feia" — e eis que ela é bonita; "escura" — e eis que ela é clara; "baixa" — e eis que ela é alta — fica permitido a ela. Não porque ela era feia e se tornou bonita, escura e se tornou clara, baixa e se tornou alta, mas porque o voto foi um erro. E aconteceu com um que fez voto vedando o proveito da filha de sua irmã, e a levaram para a casa de Rabi Ishmael, e a embelezaram. Disse-lhe Rabi Ishmael: "Meu filho, foi a esta que fizeste o voto?" Disse-lhe: "Não." E Rabi Ishmael o liberou. Naquela hora chorou Rabi Ishmael e disse: "As filhas de Israel são belas, mas a pobreza as desfigura." E quando morreu Rabi Ishmael, as filhas de Israel entoavam um lamento e diziam: "Filhas de Israel, por Rabi Ishmael chorai." E assim é dito a respeito de Shaul (II Shmuel 1): "Filhas de Israel, por Shaul chorai." — A mishná traça a linha mais nítida do capítulo entre "nolad" (algo genuinamente novo, que não libera o voto) e "erro" (uma descrição já falsa desde o início, que anula o voto por completo, sem necessidade de sábio): se a mulher já era bonita, clara e alta no momento do voto, e o votante apenas a descreveu erroneamente, seu voto nunca teve objeto real. A mishná ilustra isso com um caso comovente: um homem vetou proveito da própria sobrinha, presumivelmente por julgá-la sem atrativos; levada à casa de Rabi Ishmael e ali arrumada e vestida com dignidade, ela se revelou irreconhecível — e ao ouvir que o sobrinho jamais teria jurado contra essa mulher que agora via, Rabi Ishmael o libera e chora, atribuindo a aparência original da moça não a uma falta natural, mas à pobreza que desfigura.
O capítulo fecha citando, dentro do próprio texto da mishná, o lamento de II Shmuel por Shaul, comparado ao lamento que as filhas de Israel compuseram pela morte de Rabi Ishmael — o sábio que enxergou, sob a aparência desfigurada pela pobreza, a beleza latente das filhas de Israel.
A mishná cita explicitamente este versículo do lamento de David por Shaul e Yehonatan, comparando-o ao lamento composto pelas filhas de Israel na morte de Rabi Ishmael — reconhecendo nele um benfeitor que, como o rei Shaul em seu tempo, cuidava da dignidade e do ornamento das mulheres de Israel. O paralelo é preciso: assim como Shaul vestia as filhas de Israel de escarlate e ouro, dando-lhes com isso beleza e honra visíveis, Rabi Ishmael, ao mandar vestir e adornar a sobrinha do votante, revelou a beleza que a pobreza havia ocultado — e a mishná encerra o Perek Tet com esse mesmo insight: que grande parte do que se atribui a defeitos naturais é, na verdade, produto de circunstância e privação.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece o ponto processual final do capítulo: mesmo quando o voto é um erro puro, dispensando hatará formal, Rabi Ishmael segue o procedimento próprio da abertura por nolad.
Rambam explica que, segundo o tanna kama (o primeiro sábio anônimo da mishná), a liberação só ocorre sem hatará quando o voto foi erro puro desde a origem — a mulher já era bonita quando ele jurou. Rabi Ishmael, porém, discorda e amplia a regra: mesmo que ela fosse de fato feia no momento do voto e tenha se tornado bonita depois — o que tecnicamente seria "nolad" — ainda assim não é necessária hatará formal, aplicando aqui sua própria posição, já vista na primeira mishná do capítulo, de que o nolad é motivo válido de liberação.
Rashi explica os detalhes do embelezamento na casa de Rabi Ishmael; Rambam esclarece a disputa final sobre erro versus nolad; Bartenura fecha o Perek Tet com a leitura integrada da baraita.
Rashi detalha o processo concreto do embelezamento: vestiram-na e adornaram-na na casa de Rabi Ishmael, de modo que sua aparência mudou visivelmente. Rashi acrescenta, a partir da sugiá completa, um detalhe médico específico transmitido na Guemará: entre os defeitos corrigidos estava um dente caído, substituído por Rabi Ishmael por um dente postiço às suas próprias custas — mostrando que o "embelezamento" incluía tanto cuidados estéticos quanto correções concretas de saúde e higiene, tudo custeado pelo próprio sábio por compaixão com a pobreza da moça.
Rambam faz uma observação filológica precisa sobre a expressão final: quando a mishná diz "Rabi Ishmael o liberou", isso não significa que ele realizou o procedimento formal de hatará, mas apenas que ele instruiu o sobrinho de que o juramento nunca havia se aplicado a essa mulher — uma declaração, não uma anulação. Rambam nota que esse mesmo caso pode ser lido tanto sob a categoria de "erro puro" do tanna kama quanto sob a categoria de "nolad" de Rabi Ishmael, dependendo de quando exatamente ocorreu a transformação.
Bartenura reconstrói a leitura completa da baraita subjacente, mostrando que a mishná está incompleta em sua forma transmitida e deve ser lida como incluindo a posição de Rabi Ishmael: mesmo quando a mulher era genuinamente feia no momento do voto e se tornou bonita depois por meio de adornos — um caso claro de mudança posterior —, ainda assim não é necessária hatará formal, e o caso da sobrinha citado na sequência exemplifica exatamente essa posição mais ampla de Rabi Ishmael, encerrando o Perek Tet com o mesmo cuidado com a linguagem exata do voto que abriu o capítulo com a questão da honra dos pais.