"Até as chuvas", "até que sejam as chuvas" — até que caia a segunda reviá. Rabán Shimon ben Gamliel diz: até que chegue seu tempo. "Até que cessem as chuvas" — até que saia todo o Nissan, palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: até que passe o Pessach. Konam, o vinho que eu não provo este ano — se o ano foi embolismado, fica proibido nele e em seu mês adicional. "Até o início de Adar" — até o início do primeiro Adar. "Até o fim de Adar" — até o fim do primeiro Adar. Rabi Yehudá diz: Konam, o vinho que eu não provo até que seja o Pessach — não fica proibido senão até a noite do Pessach, pois ele não teve em mente senão até a hora em que as pessoas costumam beber vinho. — A "reviá" é a chuva de outono que amolece a terra para a lavoura; a "segunda reviá" chega cerca de três semanas depois da primeira e marca o ponto em que a maioria já considera as chuvas plenamente estabelecidas. Rabi Meir e Rabi Yehudá discordam sobre até quando se estende "até que cessem as chuvas": Rabi Meir estende até o fim do mês de Nissan inteiro, quando as chuvas de inverno definitivamente terminam; Rabi Yehudá encurta para o Pessach, que cai no meio de Nissan. O bloco do ano embolismado ensina que, quando o ano bissexto hebraico acrescenta um segundo mês de Adar, um voto anual vedando vinho "este ano" se estende automaticamente por esse mês extra, mas um voto que menciona "Adar" especificamente, sem outra qualificação, refere-se sempre ao primeiro Adar dos dois. E Rabi Yehudá fecha explicando que "até que seja Pessach" — apesar de, pela regra geral do capítulo, deveria se estender até o fim da festa inteira — na prática só dura até a própria noite do Pessach, porque ninguém formula esse voto pensando em outra coisa senão o momento social em que se costuma beber os quatro copos do Seder.
A própria estrutura das chuvas de outono e primavera — "yoreh" e "malkosh" — que fundamenta a discussão sobre a "reviá" desta mishná é uma promessa direta da Torá, condicionada à observância dos mandamentos.
A Torá promete duas chuvas nomeadas — "yoreh", a primeira chuva de outono, e "malkosh", a última chuva de primavera — e é sobre essa mesma estrutura bíblica de chuvas sazonais que os sábios constroem o conceito talmúdico de "reviá", subdividindo a temporada de chuvas em marcos sucessivos cuja "segunda reviá" determina quando a mishná considera as chuvas plenamente estabelecidas. A ligação entre chuva e colheita de "grão, vinho e azeite" no mesmo versículo também explica por que o voto sobre vinho desta mishná está tão naturalmente amarrado ao calendário pluvial: o vinho da nova safra depende diretamente do regime de chuvas que a Torá promete como recompensa pela observância.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o costume de beber vinho e comer alho nas noites de Shabat, ligado ao final da mishná; Bartenura fixa a halachá segundo Rabi Yehudá sobre as chuvas.
Rambam explica que Rabi Yehudá interpreta o voto pelo costume social real, não pela letra estrita da linguagem: assim como a relação conjugal dos sábios se dá tradicionalmente nas noites de Shabat — quando de qualquer forma já existe a mitzvá do "oneg Shabat", o prazer do Shabat, reforçando a ocasião —, também o vinho de Pessach tem seu horário social natural na própria noite do Seder, e é a essa hora precisa, não à festa inteira, que o nazireu se refere ao formular seu voto.
Bartenura confirma que ambas as formulações sobre chuva — "até as chuvas" e "até que sejam as chuvas" — convergem no mesmo marco: a chegada da segunda reviá, que cai por volta do início de Kislev nos anos mais tardios. E fixa a halachá segundo Rabi Yehudá também na segunda disputa: quem veda o vinho "até que cessem as chuvas" fica proibido apenas até o Pessach passar, não até o fim inteiro de Nissan como sustentava Rabi Meir.
Rashi acompanha os três blocos da mishná — a segunda reviá, o ano embolismado e a hora social do vinho de Pessach —, com Rambam e Bartenura completando a leitura de cada termo técnico.
Rashi explica que a própria palavra "gueshamim", no plural, já sinaliza que se referem a mais de uma queda de chuva — daí a exigência da "segunda" reviá para que a proibição cesse. Mais adiante, Rashi confirma a leitura de Rabi Yehudá: ninguém, ao vedar vinho "até que seja Pessach", pretende abster-se além do próprio momento social em que todos costumam beber os quatro copos na noite do Seder — todo o restante da festa fica, portanto, fora da intenção original do voto.
Rambam esclarece que, quando o voto anual coincide com um ano embolismado — que a tradição hebraica insere periodicamente para realinhar o calendário lunar com as estações solares —, a proibição de "este ano" se estende automaticamente ao décimo terceiro mês adicional, pois esse mês inteiro é contado como parte integrante do mesmo ano, sem exigir qualquer palavra adicional do nazireu.
Bartenura reafirma a decisão em favor de Rabi Yehudá, tanto na disputa sobre até quando se estendem "as chuvas que cessam" quanto, mais adiante, na leitura pragmática do voto de vinho de Pessach — reduzido à noite única do Seder, e não à festa inteira dos sete dias, precisamente porque a linguagem comum do voto reflete o costume social, não a duração técnica da festividade.