Seder Nashim · Massechet Nedarim · Perek Zayin · Mishná 5 de 9

Cama e leito baixo; cidade e seu perímetro

הַנּוֹדֵר מִן הַמִּטָּה, מֻתָּר בְּדַרְגָּשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná repete, para a cama, o mesmo padrão de disputa entre Rabi Meir e os sábios já visto para a casa, e acrescenta dois novos casos de espaço habitacional: a cidade, com seu limite territorial e seu perímetro urbano, e a casa, cujo alcance mais estrito é agora precisado a partir da soleira da porta.

Quem vota da cama, está permitido no leito baixo — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: o leito baixo está incluído na cama. Quem vota do leito baixo, está permitido na cama. Quem vota da cidade, está permitido entrar no seu limite territorial, e fica proibido entrar no seu perímetro urbano. Mas quem vota da casa, fica proibido a partir da soleira e para dentro.Assim como no caso da casa e do sótão, Rabi Meir isola o "dargash" — um leito baixo colocado junto à cama grande, usado como degrau ou apoio — como categoria distinta da "cama" propriamente dita; os sábios discordam e o incluem na categoria de cama. Na direção inversa, todos concordam que quem vota do dargash permanece livre para usar a cama grande. A mishná passa então à cidade: seu limite territorial (techum) — a faixa de dois mil côvados ao redor dos muros — permanece acessível ao votado, mas seu perímetro urbano (ibbur) — as construções que se estendem para além dos muros, tão próximas que parecem parte do corpo da cidade, como o ventre de uma grávida — já fica proibido, por ser considerado parte da própria cidade. A casa, por fim, é definida de modo ainda mais estrito: o voto a alcança a partir do batente da porta para dentro, mas não impede o votado de ficar parado no umbral ou do lado de fora.

הַנּוֹדֵר מִן הַמִּטָּה, מֻתָּר בְּדַרְגָּשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, דַּרְגָּשׁ בִּכְלָל מִטָּה. הַנּוֹדֵר מִן הַדַּרְגָּשׁ, מֻתָּר בְּמִטָּה. הַנּוֹדֵר מִן הָעִיר, מֻתָּר לִכָּנֵס לִתְחוּמָהּ שֶׁל עִיר, וְאָסוּר לִכָּנֵס לְעִבּוּרָהּ. אֲבָל הַנּוֹדֵר מִן הַבַּיִת, אָסוּר מִן הָאֲגַף וְלִפְנִים:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

A câmara que a mulher shunamita prepara para Elisha reúne exatamente os móveis que definem um espaço de habitação completo — cama, mesa, cadeira e candeeiro — a mesma cama cujo alcance exato a mishná discute frente ao leito baixo.

Melachim Bet (II Reis) 4:10
נָשִׂים נָא לוֹ שָׁם מִטָּה וְשֻׁלְחָן וְכִסֵּא וּמְנוֹרָה
Coloquemos ali para ele uma cama, e uma mesa, e uma cadeira, e um candeeiro.

A mulher shunamita prepara para o profeta Elisha uma câmara equipada com "mitá" — a mesma palavra que a mishná usa para a cama do voto — ao lado de mesa, cadeira e candeeiro, os móveis básicos de uma habitação completa. Esse relato bíblico fixa "mitá" como o móvel central de descanso, distinto de qualquer acessório menor que o acompanhe; é exatamente esse núcleo que os sábios estendem para incluir o "dargash" — o leito baixo junto à cama —, entendendo que ele participa da mesma função de repouso, ao passo que Rabi Meir prefere isolar apenas o móvel principal mencionado explicitamente, tal como a Torá nomeia "mitá" como item à parte de "shulchan" e "kissê".

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura fecha o conjunto de casos sobre espaços habitacionais com a decisão explícita contra Rabi Meir em toda a mishná, sem citação direta correspondente na Mishné Torá.

Bartenura · Nedarim 7:5
הָאֲגַף. [מְקוֹם] נְעִילַת הַדֶּלֶת... וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר בְּכֻלָּהּ מַתְנִיתִין

Bartenura define "aguf" como o batente por onde a porta se fecha, e fecha o comentário confirmando que a halachá não segue Rabi Meir em nenhum ponto desta mishná: o leito baixo está incluído na cama, tal como o sótão estava incluído na casa na mishná anterior. Sobre a cidade, prevalece a distinção entre o limite territorial, permitido, e o perímetro urbano, proibido, como norma consensual sem disputa registrada.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, na Guemará (Nedarim 56a-56b), esclarece a natureza do dargash e a razão pela qual sua condição de móvel de exibição não muda seu enquadramento; Rambam e Bartenura completam com a definição espacial do techum, do ibbur e da soleira.

Rashi · רש"י
Nedarim 56a-56b
מַתְנִי׳ מֻתָּר בְּדַרְגָּשׁ — שֶׁאֵין דַּרְגָּשׁ בִּכְלַל מִטָּה: הַמְיֻחֶדֶת — לִיתֵּן עָלֶיהָ כֵּלִים, וְהוֹאִיל וְאֵין יְשֵׁנִים עָלֶיהָ אֵין צָרִיךְ לְכַפּוֹתָהּ

Rashi explica que, para Rabi Meir, o dargash é destinado principalmente a exibir objetos e ornamentos, e não ao uso de dormir — daí não estar incluído na categoria funcional de "cama" para efeitos do voto. Rashi acrescenta, num contexto próximo, que por não ser leito de dormir o dargash também não precisa ser virado como sinal de luto, o que reforça sua natureza distinta de mobília decorativa mais do que de leito de descanso.

Rambam · פירוש המשנה
Perush HaMishná, Nedarim 7:4-5
דַּרְגָּשׁ מִטָּה קְטַנָּה נוֹתְנִין אוֹתָהּ לִפְנֵי הַמִּטָּה הַגְּדוֹלָה שֶׁנִּקְרֵאת מִטָּה, כְּמוֹ הַסֻּלָּם שֶׁעוֹלִין בּוֹ אֶל הַמִּטָּה הַגְּדוֹלָה

Rambam descreve o dargash como um leito pequeno colocado diante da cama grande, funcionando como uma espécie de degrau pelo qual se sobe até ela — daí a disputa sobre se essa função auxiliar o inclui ou não na categoria principal de "cama". Rambam remete ainda ao seu comentário sobre Massechet Eruvin para a estrutura completa dos espaços de habitação que fundamenta a distinção entre techum e ibbur da cidade.

Bartenura · רע"ב
Nedarim 7:5
דַּרְגָּשׁ. מִטָּה קְטַנָּה שֶׁנּוֹתְנִין אוֹתָהּ לִפְנֵי מִטָּה גְּדוֹלָה... לִתְחוּמָהּ שֶׁל עִיר. אַלְפַּיִם אַמָּה לְכָל רוּחַ סְבִיבוֹתֶיהָ: עִבּוּרָהּ שֶׁל עִיר. הַבָּתִּים הַיּוֹצְאִים מִמֶּנָּה בְּתוֹךְ שִׁבְעִים אַמָּה וְשִׁירַיִם, כְּאִשָּׁה מְעֻבֶּרֶת שֶׁכְּרֵסָהּ בּוֹלֵט לַחוּץ

Bartenura descreve o dargash como leito pequeno diante da cama grande, do qual se sobe a esta. Sobre a cidade, define o "techum" como a faixa de dois mil côvados ao redor dos muros para cada direção, e o "ibbur" como as construções que se estendem a partir da cidade dentro de setenta côvados e um terço — comparando a imagem a uma mulher grávida, cujo ventre se projeta para fora do corpo, mas ainda pertence a ele.