Quem vota da vestimenta, está permitido no saco, na lona grossa, e no cobertor grosseiro. Disse: konam, a lã que sobe sobre mim — está permitido cobrir-se com tosquias de lã. O linho que sobe sobre mim — está permitido cobrir-se com fibras de linho. Rabi Yehuda diz: tudo depende de quem vota. Carregou e suou, e seu odor ficou forte, e disse: konam, lã e linho que sobem sobre mim — está permitido cobrir-se, e fica proibido carregar às costas. — A vestimenta (kesut), na linguagem popular, refere-se a tecidos comuns de uso pessoal; sacos, lonas grossas e cobertores ásperos, feitos para carga e não para vestir, ficam fora dessa categoria. Do mesmo modo, quem vota da "lã" ou do "linho" tem em mente o tecido já processado; a matéria-prima crua — tosquia de lã ainda não fiada, fibra de linho ainda não tecida — permanece fora do voto, pois ainda não recebeu a forma final de vestimenta. Rabi Yehuda acrescenta um princípio geral: o alcance de cada voto deve ser lido à luz do contexto específico em que foi proferido. Ele ilustra com um caso concreto: um homem que carregou um fardo pesado, suou, e seu manto ficou com odor forte de suor — e então votou contra "lã e linho subirem sobre mim". Como a intenção evidente era livrar-se do fardo malcheiroso sobre as costas, e não da roupa que veste normalmente, o voto permanece restrito a carregar às costas, deixando-o livre para simplesmente se cobrir com a mesma roupa.
A lei do penhor na Torá chama a única capa do pobre de "kesutah" — precisamente o termo que a mishná agora define pela linguagem popular, distinguindo-o do saco e da lona grosseira.
A Torá usa "kesut" precisamente para o manto pessoal que cobre o corpo do pobre à noite — a vestimenta no sentido mais imediato e íntimo, aquela cuja falta o deixaria dormir desprotegido. É exatamente esse sentido cotidiano e pessoal que a mishná define como o alcance do voto: "kesut" abrange o tecido de uso comum sobre o corpo, mas não o saco de carga, a lona de tenda ou o cobertor grosseiro, que servem a outros propósitos e não são, na linguagem do povo, a "veste para sua pele" de que fala a Torá.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá, Rambam e Bartenura decidem a favor de Rabi Yehuda no Perush HaMishná e no comentário próprio, fixando o princípio interpretativo central da mishná.
Rambam explica o método de Rabi Yehuda: ao contrário da leitura literal e fixa da linguagem, Rabi Yehuda busca prova no contexto concreto que originou o voto e no motivo que levou a pessoa a votar. Rambam decide a halachá a favor de Rabi Yehuda — cada voto se interpreta à luz de sua circunstância específica.
Bartenura explica o caso concreto: como fica evidente, pelo contexto do suor e do odor forte, que o homem votou por causa do peso incômodo do fardo sobre suas costas — e não contra a própria roupa que veste —, o voto permanece restrito a essa circunstância, e ele continua livre para se cobrir normalmente. Bartenura confirma a decisão a favor de Rabi Yehuda.
Rambam e Bartenura definem os termos técnicos da mishná — saco, lona, cobertor, tosquia e fibra — e fixam o princípio de leitura contextual de Rabi Yehuda que rege o caso final.
Rambam define os três materiais que ficam fora da categoria de vestimenta: o saco é tecido de fio de pelo de animal; a lona é um pano grosso e áspero, não costurado; e o cobertor grosseiro é uma cobertura extremamente espessa, com a qual as pessoas costumam proteger a cabeça da chuva. Rambam nota ainda que Rabi Yehuda não segue o sentido literal da palavra, mas busca prova no contexto e no motivo que originou o voto — e a halachá segue Rabi Yehuda.
Bartenura explica que saco, lona e cobertor grosseiro são tecidos ásperos e espessos demais para o uso pessoal comum, o que os exclui automaticamente da categoria de vestimenta. Sobre a tosquia de lã ainda não fiada, Bartenura esclarece que a intenção do votante era proibir-se apenas da lã já transformada em vestimenta de fato — e não da matéria-prima crua, que ainda não atingiu essa forma final.