Quem vota da verdura, está permitido nas abóboras. E Rabi Akiva proíbe. Disseram a Rabi Akiva: mas não diz um homem ao seu enviado, compra-me verdura, e ele diz, não encontrei senão abóboras? Disse-lhes: assim é a coisa; ou porventura ele lhe diz, não encontrei senão leguminosas? Mas as abóboras estão incluídas em verdura, e a leguminosa não está incluída em verdura. E fica proibido no feijão egípcio verde, e está permitido no seco. — Quem faz um voto proibindo-se de "verdura" em geral permanece livre para comer abóboras, pois a linguagem popular as inclui na categoria de verdura; Rabi Akiva discorda e as considera fora dessa categoria. Os sábios trazem uma prova da vida cotidiana: quando um homem manda seu enviado comprar "verdura" e este retorna dizendo que só encontrou abóboras, ninguém o repreende como se tivesse desobedecido — o que mostra que abóboras contam como verdura. Rabi Akiva responde que essa mesma cena poderia ocorrer também com leguminosas, sem que isso prove sua inclusão; mas os sábios insistem que existe uma diferença real de linguagem: as abóboras, ao contrário da leguminosa, pertencem à categoria de verdura. A mishná fecha com um caso à parte, o feijão egípcio: verde, sua aparência de vagem verde o classifica como verdura e o proíbe; seco, sua aparência de grão o tira dessa categoria e o libera.
O povo no deserto lembra saudoso das verduras do Egito — entre elas os pepinos e melões, parentes próximos da abóbora — na mesma enumeração que a mishná agora reparte entre categorias linguísticas.
A Torá enumera "kishuim" e "avatichim" — pepinos e melões — lado a lado com alho-porró, cebolas e alhos, todos tratados pelo texto bíblico como uma única categoria de produtos hortícolas do Egito. Essa mesma amplitude da palavra "verdura" na linguagem cotidiana é o que a mishná discute: os sábios entendem que o termo popular "yarak" abrange também frutos rasteiros de casca grossa como a abóbora, do mesmo modo que a Torá reúne pepinos, melões e bulbos numa mesma lembrança de "verdura do Egito"; Rabi Akiva, por sua vez, sustenta uma linha mais estreita, que exclui a abóbora dessa categoria linguística comum.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá para este caso específico, Rambam decide a disputa no próprio Perush HaMishná, e Bartenura confirma a mesma conclusão com sua própria fundamentação.
Rambam resume o argumento de Rabi Akiva — que qualquer item pelo qual o enviado sente necessidade de consultar o remetente antes de trazê-lo já não pertence, por definição, à categoria original pedida — e os sábios discordam desse princípio geral. Rambam decide expressamente a favor dos sábios: a abóbora está incluída na categoria de verdura, e o voto que proíbe verdura proíbe também as abóboras.
Bartenura explica o ponto central da prova dos sábios: o próprio fato de o enviado sentir necessidade de voltar e consultar o remetente sobre as abóboras — em vez de simplesmente comprá-las como qualquer outra verdura — mostra que elas pertencem, sim, à categoria de verdura, pois é exatamente esse tipo de item que gera a dúvida cotidiana relatada no caso. Bartenura confirma a decisão final a favor dos sábios contra Rabi Akiva.
Rashi, na Guemará (Nedarim 54a), fixa em poucas palavras o fundamento da posição de Rabi Akiva e o motivo da conclusão contrária dos sábios.
Rashi resume que Rabi Akiva proíbe porque entende que as abóboras estão, sim, incluídas na categoria de verdura — e é justamente por isso que ele proíbe o votado de comê-las, ao contrário do que se poderia supor à primeira vista. Sobre a réplica dos sábios, Rashi nota que a expressão "senão abóboras" pressupõe, na leitura deles, que as abóboras não pertencem naturalmente à mesma espécie da verdura originalmente pedida — daí o enviado sentir necessidade de mencionar a ressalva —, o que na verdade reforça a leitura de que elas contam como uma resposta aceitável ao pedido de "verdura".
Rambam formula o princípio geral por trás da posição de Rabi Akiva: todo item sobre o qual o enviado sente necessidade de consultar o remetente antes de comprá-lo pertence, por essa mesma razão, à categoria original solicitada — e não fora dela, como se poderia pensar. Os sábios discordam desse princípio, e Rambam decide a halachá a favor deles.
Bartenura levanta a objeção implícita no caso: se as abóboras fossem realmente um tipo de verdura, por que o enviado não as compraria diretamente, sem voltar para consultar? A resposta dos sábios, explica Bartenura, é que o próprio hábito de consultar nesse caso específico — e não em qualquer outro tipo de verdura comum — prova que as abóboras estão na fronteira da categoria, mas ainda dentro dela; já a leguminosa, que fica totalmente fora da categoria de verdura, não geraria sequer essa consulta, pois seria evidente que não atende ao pedido original.