O votado de proveito de seu companheiro, e não tem o que comer, dá a outro como presente, e aquele está permitido nele. Houve um caso em Beit Choron, de um homem cujo pai estava com voto de proveito dele, e este estava casando seu filho; e disse a seu companheiro: o pátio e o banquete estão dados a ti como presente, mas não são diante de ti senão para que venha meu pai e coma conosco no banquete. Disse-lhe: se são meus, eis que estão consagrados aos Céus. Disse-lhe: eu não te dei o meu para que os consagrasses aos Céus. Disse-lhe: não me deste o teu senão para que tu e teu pai comais e bebais e vos reconcilieis um com o outro, e que o pecado fique pendurado em sua cabeça. E quando o caso veio diante dos sábios, disseram: toda doação que não é assim, que se a consagrasse não seria consagrada, não é doação. — A mishná reabre o mecanismo do presente puro e simples a um terceiro, já estudado no Perek Dalet, para expor seu limite através de um caso real: um filho, cujo pai estava sob voto de proveito dele, doa formalmente o pátio e o banquete de casamento a um amigo — mas revela, na própria frase, que a doação só existe para que o pai possa vir comer ali. O amigo, percebendo a fragilidade dessa doação, testa-a: declara que, se o pátio e o banquete realmente lhe pertencem, ele os consagra aos Céus, como quem verifica se tem poder real de disposição sobre o que recebeu. O filho protesta, mas o próprio amigo lhe responde com precisão: a doação nunca foi feita para que ele dispusesse livremente dela, mas apenas como veículo para viabilizar a refeição conjunta de pai e filho — e o pecado de contornar o voto dessa forma ficaria, então, pendurado sobre a cabeça do amigo, não do filho. Diante dos sábios, a conclusão final estabelece o princípio geral que rege todo esse mecanismo desde o Perek Dalet: uma doação só é válida como doação — e portanto eficaz para contornar o voto — quando é completa e irrestrita a ponto de o recebedor poder até consagrá-la aos Céus; qualquer doação que não resista a esse teste não é doação verdadeira, mas disfarce.
O teste decisivo da mishná — se uma doação é completa o bastante para que o recebedor pudesse, em tese, consagrá-la aos Céus — ecoa o episódio de Yaakov insistindo para que Essav aceitasse verdadeiramente seu presente, sem reservas nem segundas intenções.
Yaakov insiste com Essav para que aceite seu presente por completo e sem hesitação — "toma, peço" — precisamente porque uma doação só cumpre sua função quando é total e sem reservas, quando o recebedor efetivamente a incorpora a seu próprio domínio. É esse mesmo padrão de doação completa que a mishná exige do amigo em Beit Choron: assim como o presente de Yaakov só teve efeito quando Essav "tomou" — aceitou plenamente, sem condição alguma —, a doação do pátio e do banquete só teria valor legal se o amigo pudesse dispor dela livremente, inclusive consagrando-a aos Céus se quisesse. A frase reveladora do filho — "não são diante de ti senão para que venha meu pai e coma" — é o oposto exato dessa doação plena: uma retenção implícita de finalidade que, segundo os sábios, invalida a doação por completo, pois esta nunca chegou a sair verdadeiramente das mãos de quem a deu.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o princípio jurídico de que o desfecho de um ato revela sua intenção original, e por que o exemplo de Beit Choron não repete, mas esclarece, a regra já ensinada anteriormente.
Rambam explica que a mishná não traz o caso de Beit Choron para simplesmente reforçar a regra já ensinada — de que um presente puro a um terceiro permite ao votado se beneficiar indiretamente —, mas para esclarecer uma condição essencial dessa regra: a doação precisa ser dada sem qualquer condição declarada. Explica que o princípio geral por trás da conclusão dos sábios é que "se o desfecho comprova o começo, está proibido" — ou seja, se depois se revela, pelas próprias palavras ou pelo comportamento do doador, que a doação trazia embutida uma condição não declarada explicitamente, ela é retroativamente invalidada como doação, e o mecanismo de contorno do voto não funciona.
Rashi, na Guemará (Nedarim 48a-49a), reconstrói a estrutura completa da mishná e explica a expressão "sua refeição o comprova"; Bartenura fecha o Perek Hei com a distinção entre os dois modos de declarar a doação.
Rashi observa que essa mesma mishná do presente a um terceiro já havia sido citada no Perek Dalet, mas ali apenas de passagem, como base para o debate sobre o hefker que Rabi Yossi contestava; aqui ela é retomada por si mesma, para introduzir o caso de Beit Choron e a regra final sobre doações condicionadas. Rashi explica ainda a expressão "מַעֲשֶׂה לִסְתּוֹר" — a Guemará nota que, à primeira leitura, a mishná parece contraditória, pois começa afirmando que o presente é válido e termina narrando um caso em que o presente foi invalidado; a resolução da Guemará é que a mishná está incompleta e deve ser lida como dizendo, implicitamente, que a doação só é válida "se seu desfecho não comprovar seu começo" — e o caso de Beit Choron ilustra exatamente a situação oposta, em que o desfecho comprovou.
Rambam explica a expressão "sua refeição o comprova": o próprio tamanho e a fartura do banquete preparado — muito além do necessário apenas para o convidado nominal — já revelava, antes mesmo de qualquer palavra, que a verdadeira finalidade da doação era permitir que o pai votado comesse ali. Rambam fecha assim o Perek Hei apontando o princípio que atravessa não apenas esta mishná, mas todo o sistema de mecanismos indiretos estudado desde o Perek Dalet: qualquer contorno do voto que, examinado de perto, revele uma intenção oculta de burlar sua letra, não é reconhecido pela halachá como válido, por mais formalmente correto que pareça à primeira vista.
Bartenura confirma a leitura da Guemará de que a mishná está incompleta e deve ser lida com a cláusula implícita "e se o desfecho comprovar o começo, está proibido" antes do relato do caso de Beit Choron. Bartenura distingue as duas formulações possíveis: se o doador diz apenas "eis que estão diante de ti, e se quiseres, que venha meu pai e coma", a doação permanece válida, pois deixa a decisão genuinamente nas mãos do recebedor; mas se diz, como no caso de Beit Choron, que a doação "não está diante de ti senão para que venha meu pai", a condição embutida invalida a doação desde o início — encerrando o Perek Hei com o mesmo espírito do Perek Dalet, de equilibrar o rigor da palavra do voto com a vedação de estratagemas que, na prática, o esvaziariam por completo.