Eis estas mudas como korban, se não forem cortadas; este manto como korban, se não for queimado — têm resgate. Eis estas mudas como korban até que sejam cortadas; este manto como korban até que seja queimado — não têm resgate. — A mishná apresenta duas fórmulas de voto de consagração aparentemente semelhantes, mas estruturalmente opostas quanto à direção da condição temporal. Na primeira fórmula, a pessoa — temendo, por exemplo, uma tempestade que ameace suas mudas, ou um incêndio que ameace seu manto — vota que o bem se torna korban apenas se a condição-limite não se cumprir: "se não forem cortadas" significa que a consagração vale enquanto e somente enquanto as mudas permanecerem intactas; assim que forem cortadas, ou o prazo estabelecido passar sem que a condição se cumpra deixando o objeto ainda consagrado, a pessoa pode resgatá-lo mediante pagamento de seu valor ao tesouro do templo, como em qualquer bem consagrado comum. Na segunda fórmula, a condição se inverte: "até que sejam cortadas" significa que a consagração persiste exatamente até o momento do corte, e é a própria condição-limite que marca o fim — não o início — da santidade. Nesse caso, enquanto as mudas não forem cortadas, elas permanecem em santidade de corpo (kedushat haguf), a forma mais rigorosa de consagração, que não admite resgate algum: mesmo que a pessoa tente pagar seu valor, o bem permanece consagrado até que a própria condição prevista — o corte ou a queima — se cumpra.
A distinção entre bens que podem e não podem ser resgatados remonta à lei geral da consagração e do resgate no Levítico, que estabelece o mecanismo pelo qual um bem votado pode retornar ao uso comum mediante pagamento de seu valor.
O versículo estabelece que aquilo que se torna "korban" adquire santidade que, em princípio, é irrevogável e não admite substituição. É essa mesma santidade rigorosa — a "santidade do corpo" (kedushat haguf) — que a mishná atribui às mudas ou ao manto votados "até que sejam cortados": enquanto a condição não se cumpre, o bem permanece tão consagrado quanto um animal apto ao altar, sem possibilidade de resgate. Já na primeira fórmula da mishná, o bem nunca chega a essa santidade máxima — trata-se de uma consagração de valor monetário (kedushat damim), que a própria Torá permite resgatar mediante pagamento equivalente, como ocorre com os bens consagrados à manutenção do templo (bedek habait).
Rambam, no Perush HaMishná, explica o mecanismo prático por trás da distinção entre as duas fórmulas de voto — qual delas gera consagração de valor e qual gera santidade de corpo.
Rambam esclarece que a mishná pressupõe um prazo implícito: "se não forem cortadas" refere-se a um dia determinado — a pessoa vota que, se ao final daquele dia as mudas ainda não tiverem sido cortadas, elas se tornam korban; passado o dia sem que o corte ocorra, a santidade recai sobre elas, mas como uma consagração de valor comum, podendo ser resgatada imediatamente junto ao tesoureiro do templo, exatamente como qualquer bem consagrado à manutenção do templo. Já na fórmula "até que sejam cortadas", explica Rambam, não há como resgatar antes do corte: se a pessoa tentasse pagar o resgate antes de as mudas serem cortadas, elas voltariam a ficar consagradas assim que saíssem para uso comum, pois a própria condição do voto — "até que sejam cortadas" — implica que permanecerão korban continuamente até que essa condição se cumpra; somente depois do corte é que o resgate anterior finalmente se efetiva e elas saem definitivamente para uso comum.
Bartenura descreve o cenário típico do voto — o temor da tempestade ou do incêndio — e detalha os dois regimes de resgate; Rashi, sobre a Guemará, confirma a leitura da mishná e a distinção entre as duas fórmulas.
Bartenura descreve o pano de fundo realista do voto: a pessoa vê uma tempestade se aproximando e teme que suas mudas sejam arrancadas, ou vê um incêndio na cidade e teme por seu manto, e vota apressadamente para proteger o bem por meio da consagração — como se dissesse "que ao menos sirva de korban, e não se perca em vão". Sobre a primeira fórmula, confirma que o resgate segue as regras comuns de qualquer bem consagrado. Sobre a segunda fórmula, explica o mecanismo peculiar: se a pessoa tentar resgatar antes do corte, o dinheiro do resgate fica retido em santidade, mas as próprias mudas retornam automaticamente à condição de consagradas — pois a fórmula "até que sejam cortadas" significa que elas permanecerão sagradas continuamente até esse evento, e nenhum resgate anterior pode quebrar essa continuidade.
Rashi confirma, com base na Guemará, que a mishná pressupõe um dia determinado como prazo da condição na primeira fórmula: passado esse dia sem que o corte ou a queima ocorressem, o bem se torna consagrado, mas com direito pleno de resgate — o dinheiro entra para o tesouro do templo e o bem sai para uso comum. Sobre a segunda fórmula, Rashi enfatiza a extensão temporal da santidade: "para sempre, todo o tempo em que não forem cortadas" — a consagração persiste indefinidamente, sem qualquer possibilidade de resgate, até que a própria condição do voto — o corte das mudas ou a queima do manto — finalmente se cumpra.