Quatro tipos de votos permitiram os sábios: os votos de incentivo, os votos de exagero, os votos por engano, e os votos por coação. Os votos de incentivo, como assim? Estava vendendo um objeto e disse: konam, se eu reduzir para ti do sela; e o outro diz: konam, se eu acrescentar para ti sobre o shekel — ambos, na verdade, querem fechar em três dinares. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: também aquele que quer fazer seu companheiro votar que coma em sua casa pode dizer: todo voto que eu vier a votar no futuro fica desde já anulado — contanto que se lembre desta condição no momento em que pronunciar o voto. — A mishná abre a lista dos quatro tipos de votos que os sábios permitiram, isto é, declararam sem efeito vinculante algum, apesar de terem sido formulados com a linguagem própria de um voto. O primeiro caso ilustra os "votos de incentivo": no regateio comercial, vendedor e comprador frequentemente pronunciam um konam não porque realmente pretendam manter aquele preço, mas apenas como tática de pressão psicológica um sobre o outro — o vendedor jura não baixar do sela (quatro dinares) só para forçar o comprador a subir sua oferta, e o comprador jura não passar do shekel (dois dinares) só para forçar o vendedor a baixar a sua; ambos, no fundo, já sabem e querem que o negócio se feche no meio-termo de três dinares. Como a boca declara um limite que o coração não sustenta de verdade, falta a condição essencial de que "a boca e o coração estejam de acordo", e por isso tais votos não obrigam. Rabi Eliezer ben Yaakov acrescenta um caso adicional e uma técnica preventiva: quem quer convencer um amigo relutante a aceitar sua hospitalidade pode antecipar-se e declarar, de antemão, que qualquer voto que vier a fazer sob pressão social — como o de recusar comer — já nasce anulado, desde que se lembre dessa condição exatamente no instante em que pronunciar o voto posterior.
O versículo que estabelece a obrigatoriedade geral do voto — "conforme tudo o que saiu de sua boca fará" — é justamente o que, por implicação, exclui os votos em que a boca não corresponde ao que o coração realmente pretende.
O versículo vincula o voto exatamente àquilo que "saiu de sua boca" — pressupondo que a boca expressa uma intenção real de proibição. É esse mesmo princípio que, lido em sentido inverso, exclui os quatro tipos de votos desta mishná: quando a palavra pronunciada não corresponde a uma intenção genuína de se vincular — como no regateio, no exagero, no engano ou na coação —, não houve, propriamente, algo que "saiu da boca" no sentido pleno que a Torá exige para constituir um voto. A tradição oral reconhece aqui a exigência de que "a boca e o coração estejam de acordo" (פיו ולבו שוין) como condição implícita de todo voto válido.
Rambam, em Mishné Torá, codifica os votos de incentivo como categoria própria e explica o fundamento comum aos quatro tipos permitidos.
Rambam codifica exatamente o cenário da mishná como halachá vigente: quando alguém tenta convencer um amigo relutante a comer em sua casa e vota, insincera e apenas por insistência social, que não comerá, ambos ficam isentos, tenha ou não ocorrido a refeição. E da mesma forma o vendedor que vota não vender por menos de um sela e o comprador que vota não comprar por mais de um shekel, chegando afinal a três dinares — ambos ficam isentos de qualquer voto. A razão comum, explica Rambam, é que nenhum dos dois "concluiu em seu coração" o voto que pronunciou: cada um votou apenas como tática para pressionar o outro, sem intenção final de se vincular por aquela palavra — faltando, portanto, o elemento essencial de intenção genuína que todo voto válido exige.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o sentido geral dos quatro termos técnicos e a posição de Rabi Eliezer ben Yaakov; Bartenura detalha o mecanismo do regateio e a condição da lembrança; Rashi, sobre a Guemará, esclarece por que o negócio se conclui em três dinares e completa a fórmula de Rabi Eliezer ben Yaakov.
Rambam explica que "zeirizin" significa que a pessoa, ao pronunciar o voto, pretende apenas reforçar um acordo ou uma disposição, sem intenção real de se vincular. Sobre a condição de Rabi Eliezer ben Yaakov, esclarece que "estar lembrado no momento do voto" significa que, quando a pessoa jurar ou votar sob pressão social, ela precisa lembrar-se, exatamente naquele instante, de que já havia estabelecido de antemão essa condição de anulação — e é essa lembrança simultânea que efetivamente esvazia o novo voto. Se a pessoa só se lembrar da condição depois de o voto já estar formalmente concluído — mesmo que ainda dentro do breve intervalo equivalente ao tempo de uma saudação —, o voto permanece válido. Rambam conclui que a halachá segue Rabi Eliezer ben Yaakov, cuja técnica preventiva se aplica igualmente aos votos e aos juramentos.
Bartenura explica que, apesar da regra geral segundo a qual "as coisas do coração não são coisas" — isto é, a intenção interna não invalida por si só uma declaração externa clara —, aqui, onde a insinceridade do voto é evidente pelo contexto (pois é notório que vendedores e compradores regateiam dessa forma), segue-se a intenção real do coração, e não a letra do que foi pronunciado. Sobre a condição de Rabi Eliezer ben Yaakov, Bartenura confirma que ela vale igualmente para votos e juramentos, e que a halachá segue essa posição.
Rashi explica que aquele que jura não baixar do sela não tinha, de fato, boca e coração em acordo quanto a esse limite — votou dessa forma apenas para incentivar o comprador a chegar aos três dinares, que era o que ele realmente queria desde o início; por isso ambos ficam isentos. Sobre o caso de Rabi Eliezer ben Yaakov, Rashi completa a fórmula implícita da mishná: é o próprio anfitrião insistente quem diz ao convidado relutante "konam, que não desfrutes de mim se não comeres comigo" — um voto imposto sobre o outro apenas para pressioná-lo a aceitar a refeição, que também se enquadra como voto de incentivo; e a defesa preventiva contra tais pressões é declarar, de antemão, que todo voto futuro pronunciado sob essa insistência já nasce anulado.