Rabban Shimon ben Gamliel diz: se trouxe três animais e não designou, o que for apto para oferenda pelo pecado será oferecido como oferenda pelo pecado, o que for apto para oferenda de ascensão será oferecido como oferenda de ascensão, o que for apto para oferenda de paz será oferecido como oferenda de paz. — Normalmente, ao consagrar um animal para um sacrifício específico, o proprietário precisa declarar explicitamente sua finalidade. Rabban Shimon ben Gamliel ensina que, no caso dos sacrifícios do nazireu, essa designação verbal explícita não é necessária: como cada uma das três categorias sacrificiais exige um tipo específico de animal — uma ovelha fêmea para a oferenda pelo pecado, um cordeiro macho para a oferenda de ascensão, e um carneiro para a oferenda de paz —, a própria aptidão física de cada animal já determina automaticamente sua designação, como se o nazireu tivesse declarado explicitamente o propósito de cada um ao dizer "estes são para meu nazireado".
Ele tomava o cabelo da cabeça de seu nazireado e o lançava sob o caldeirão. E se tosquiou na província, lançava sob o caldeirão. Quando isso se aplica? Na tosquia da pureza. Mas na tosquia da impureza, não lançava sob o caldeirão. Rabi Meir diz: todos lançam sob o caldeirão, exceto apenas o impuro na província. — Depois de tosquiado, o cabelo do nazireu era queimado sob o caldeirão em que se cozinhava a carne da oferenda de paz, como parte do procedimento sacrificial. A mishná restringe essa prática à tosquia de pureza, realizada no pátio do Templo ao final bem-sucedido do voto; na tosquia de impureza — realizada por quem se contaminou e precisa recomeçar a contagem —, o cabelo não era lançado sob o caldeirão. Rabi Meir amplia essa regra, sustentando que o cabelo é lançado sob o caldeirão em quase todos os casos, com uma única exceção: quando o nazireu impuro tosquia fora do Templo, na província, situação em que seu cabelo é simplesmente enterrado.
O costume de lançar o cabelo sob o caldeirão deriva diretamente de uma expressão específica na passagem sobre o sacrifício de paz do nazireu.
O versículo especifica explicitamente que o cabelo é colocado sobre o fogo "que está sob o sacrifício de paz" — vinculando o ato a esse sacrifício específico, e por extensão à tosquia de pureza, realizada no Templo, na qual esse sacrifício é trazido, o que explica por que a tosquia de impureza — cujo procedimento não inclui necessariamente uma oferenda de paz sobre a qual lançar o cabelo — está excluída dessa prática segundo a opinião dos sábios.
Rambam explica a lógica por trás da regra e decide a halachá a favor de Rabban Shimon ben Gamliel.
Rambam explica que, segundo os sábios, apenas o nazireu puro que tosquiou à entrada da tenda do encontro, cumprindo o procedimento exatamente como prescrito, lança seu cabelo sob o fogo da oferenda de paz — e que a menção específica a essa oferenda no versículo é apenas uma indicação preferencial, não uma exigência absoluta, de modo que, se o cabelo foi lançado sob o fogo da oferenda pelo pecado, o nazireu ainda cumpriu sua obrigação. E confirma que a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel quanto à designação automática dos três animais.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi confirma a leitura da mishná sobre a designação automática dos animais conforme sua aptidão física, e esclarece o verbo מְשַׁלֵּחַ como sinônimo de "depositar" ou "colocar" o cabelo no local devido — estabelecendo a versão precisa do texto da mishná quanto à distinção entre tosquia no Templo e tosquia na província.
Como citado acima em Halachot, Rambam confirma que a halachá segue Rabban Shimon ben Gamliel, tanto quanto à designação automática dos três animais conforme sua aptidão, quanto quanto ao entendimento de que a exigência de lançar o cabelo sob o fogo da oferenda de paz é preferencial, mas não absolutamente indispensável.
Bartenura explica por que, excepcionalmente, os sacrifícios do nazireu dispensam a designação verbal explícita normalmente exigida: como cada tipo de animal — ovelha, cordeiro, carneiro — só é apto para uma única categoria dentre as três, a simples declaração genérica "estes são para meu nazireado" já equivale a uma designação individual completa para cada um deles.