Se recuou para trás, não é nazireu. — Caso o desconhecido, ao se aproximar do grupo de viajantes, mude de direção e se afaste antes que sua identidade possa ser confirmada, nenhum dos apostadores se torna nazireu — nem sequer aquele cuja aposta poderia, em teoria, ter se confirmado. Como nunca se saberá se as palavras de cada um correspondiam ou não à realidade, a halachá considera que ninguém assumiu efetivamente o voto, aplicando a regra geral de que em caso de dúvida sobre nazireado, a tendência é para a leniência.
Rabi Shimon diz: que diga: "se foi como minhas palavras, eis que sou nazireu por obrigação; e se não, eis que sou nazireu por doação voluntária." — Rabi Shimon, que em outras passagens do tratado sustenta que a dúvida sobre nazireado deve ser resolvida com rigor, e não com leniência, propõe uma saída para essa situação incerta: em vez de simplesmente declarar-se livre do voto, cada apostador deveria reformular sua fórmula, comprometendo-se a ser nazireu de qualquer forma — como nazireado por obrigação, caso sua afirmação original estivesse correta, ou como nazireado por doação voluntária, caso estivesse errada — de modo a garantir que, seja qual for a verdade, ele efetivamente cumpra algum tipo de nazireado.
Como nas demais mishnayot que tratam de nazireado condicional, o versículo básico é o mesmo que institui o voto de nazireado.
A regra de que ninguém se torna nazireu quando a identidade do desconhecido nunca chega a ser esclarecida decorre do princípio geral, aceito por praticamente todos os sábios exceto Rabi Shimon, de que "em caso de dúvida sobre nazireado, a tendência é para a leniência" — não se impõe a alguém um voto que permanece, para sempre, sem confirmação possível. A fórmula proposta por Rabi Shimon, que distingue entre "nazireado por obrigação" (חוֹבָה) e "nazireado por doação voluntária" (נְדָבָה), reflete sua posição contrária: para ele, a incerteza deveria produzir, ainda assim, algum tipo de nazireado efetivo, e não a ausência total de voto.
Rambam confirma que a halachá não segue Rabi Shimon nesta disputa.
Rambam explica que, quando o desconhecido recua antes de ser identificado, nunca se esclarece qual das partes tinha razão, e por isso a regra geral é que ninguém se torna nazireu. Confirma também que Rabi Shimon, coerente com sua posição de que a dúvida sobre nazireado deve ser tratada com rigor — já vista em capítulos anteriores do tratado —, exige que cada apostador assuma algum tipo de nazireado mesmo sem certeza, mas que a halachá prática não segue essa posição.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre o caso do desconhecido que recua.
Rashi confirma a leitura geral: quando o suposto Shimon recua e sua identidade permanece incerta para sempre, ninguém se torna nazireu, seguindo o princípio de que a dúvida em nazireado tende à leniência. E observa que Rabi Shimon é fiel, aqui, à sua posição já conhecida de que, ao contrário, a dúvida em nazireado deve ser tratada com rigor.
Rambam relembra que a posição de Rabi Shimon sobre dúvida em nazireado já havia sido apresentada no Perek Bet do tratado, mantendo-se coerente ao longo de toda a obra: para ele, sempre que houver incerteza genuína sobre se um nazireado se aplica, a pessoa deve tratar-se como nazireu, e não como livre do voto.
Bartenura explica o propósito prático da fórmula de Rabi Shimon: como não se pode trazer um sacrifício movido apenas por dúvida — os sacrifícios exigem certeza sobre a obrigação —, cada apostador deve condicionar seu nazireado de forma que, em qualquer dos dois cenários possíveis, ele acabe por completar um nazireado válido e trazer os sacrifícios correspondentes, seja como nazireado por obrigação, seja como nazireado por doação voluntária. E confirma, mais uma vez, que a halachá não segue Rabi Shimon.