Quem assumiu muitos nazireados e completou seu nazireado, e depois veio à Terra — Bet Shamai dizem: é nazireu por trinta dias; e Bet Hilel dizem: é nazireu desde o início. Aconteceu com Hélene, a rainha, que foi seu filho para a guerra, e ela disse: se meu filho vier da guerra em paz, serei nazireia por sete anos. E veio seu filho da guerra, e ela foi nazireia sete anos. E ao fim de sete anos, subiu à Terra, e Bet Hilel a instruiu que fosse nazireia mais outros sete anos. E ao fim de sete anos, tornou-se impura, e ela se viu nazireia vinte e um anos. Disse Rabi Yehudá: não foi nazireia senão catorze anos. — Como a impureza da terra dos gentios impede que a pessoa observe as leis do nazireado com plena validade, quem assumiu um voto extenso fora da Terra de Israel e ali o completou por completo, sem nenhum dia contado em pureza plena, precisa, ao chegar à Terra, retomar de algum modo o nazireado. Bet Shamai considera que basta observar mais um período mínimo de trinta dias — um nazireado padrão — dentro da Terra, para satisfazer o voto; Bet Hilel exige que a pessoa recomece do zero, cumprindo na Terra o número total de dias ou anos originalmente prometido, como se o período vivido fora da Terra não tivesse contado em absoluto. O caso de Hélene, a rainha, ilustra a posição de Bet Hilel: tendo prometido sete anos de nazireado caso seu filho retornasse com segurança da guerra, e tendo cumprido esses sete anos fora da Terra, ao subir à Terra de Israel Bet Hilel a instruiu a recomeçar integralmente, observando mais sete anos completos. E, ao fim desse segundo período de sete anos, ela se tornou impura — o que, segundo a opinião de que a impureza no dia da completude anula tudo, obrigou-a a recomeçar mais uma vez, completando ao final um total de vinte e um anos de nazireado. Rabi Yehudá discorda desse total: seguindo a posição de que a impureza no dia da completude anula apenas trinta dias, e não os sete anos inteiros, ele calcula que Hélene não foi nazireia, ao todo, senão catorze anos e trinta dias — arredondados para catorze anos, já que o mês adicional não completava um ano inteiro.
A base da exigência de que o nazireado só se cumpra plenamente na Terra de Israel está ligada à impureza atribuída pelos sábios ao solo dos gentios, e ao voto geral do nazireado.
Os sábios decretaram que a terra dos povos gentios transmite impureza, e por isso o nazireado — que exige pureza ininterrupta — não pode ser observado com plena validade fora da Terra de Israel; quem lá assumiu o voto é, no máximo, obrigado a ele por uma espécie de penalidade, não por cumprimento pleno. É esse decreto que gera a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre o que exatamente se exige de quem chega à Terra depois de já ter "completado" o voto no exterior.
A halachá segue Bet Hilel contra Bet Shamai, e os sábios contra Rabi Yehudá quanto ao total de anos de Hélene.
Rambam explica que o nazireado assumido fora da Terra é, na origem, uma espécie de compromisso imperfeito, por causa da impureza da terra dos gentios; a disputa entre as duas escolas é sobre a extensão da penalidade que se impõe a quem assumiu esse voto imperfeito ao finalmente chegar à Terra — trinta dias segundo Bet Shamai, ou o voto completo desde o início segundo Bet Hilel. Rambam encerra afirmando que a halachá não segue Rabi Yehudá, e portanto o total de Hélene é de vinte e um anos, como no relato dos sábios anônimos.
Perush de Rambam e Bartenura. A Guemará neste trecho concentra-se na disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel; para a narrativa de Hélene propriamente dita, seguimos o perush de Rambam e Bartenura, indicados honestamente onde Rashi não comenta o texto direto da mishná.
Rashi, discutindo a base da disputa entre as duas escolas sobre a impureza da terra dos gentios, explica que, segundo uma leitura, Bet Shamai entende que o decreto de impureza recai apenas sobre o "torrão" físico da terra estrangeira — uma impureza mais branca —, enquanto Bet Hilel entende que o decreto recai sobre o próprio "ar" da terra dos gentios, uma impureza mais grave. Essa diferença de base ajuda a explicar por que Bet Hilel exige um recomeço integral do voto ao chegar à Terra de Israel, tratando o período anterior como se não tivesse valor algum, enquanto Bet Shamai se contenta com a penalidade mínima de trinta dias.
Rambam explica a base do cálculo de Rabi Yehudá: como ele segue a posição de Rabi Eliezer, vista nas mishnayot anteriores, de que a impureza no dia da completude anula apenas um nazireado padrão de trinta dias, ele aplica esse mesmo princípio ao segundo período de sete anos de Hélene — que terminou exatamente com uma impureza no dia da completude. Por isso, em vez de anular os sete anos inteiros, essa impureza anularia apenas trinta dias adicionais; e como esses trinta dias não completam um ano inteiro no cômputo narrativo, Rabi Yehudá arredonda a soma para catorze anos apenas. Rambam confirma, porém, que a halachá não segue Rabi Yehudá nesse ponto.
Bartenura confirma que o nazireado só se observa plenamente na Terra de Israel, por causa da impureza atribuída à terra dos povos gentios, e explica a posição de Bet Hilel: quem quer que tenha assumido o voto fora da Terra deve, ao chegar, observar na Terra de Israel a totalidade dos dias originalmente prometidos, como se os dias vividos fora da Terra não tivessem contado como nazireado em absoluto — daí a expressão "nazireu desde o início".