Quem diz "sou nazireu a partir dos figos secos e do bolo de figos", Bet Shamai dizem: é nazireu; e Bet Hilel dizem: não é nazireu. Disse Rabi Yehudá: mesmo quando Bet Shamai disseram isso, não o disseram senão de quem diz "eis que são para mim oferenda". — Bet Shamai sustentam que ninguém profere palavras em vão: ao dizer "sou nazireu", a pessoa já assume o nazireado por completo, e o que acrescenta depois — "a partir dos figos secos e do bolo de figos" — é uma tentativa vã de retratar-se, que não tem validade nenhuma, pois um voto, uma vez formulado, não se desfaz por uma cláusula posterior incompatível. Bet Hilel discordam: como a pessoa não fez um voto na forma costumeira de quem se torna nazireu — vinculando-o ao vinho, ao corte de cabelo ou à impureza — a declaração inteira não gera nazireado algum, porque não existe nazireado "a partir dos figos secos". Rabi Yehudá relata que mesmo Bet Shamai, os mais rigorosos, não sustentaram que essa fórmula produz nazireado pleno; eles a aplicaram apenas a quem, ao usar essa linguagem, quis dizer que os figos secos e o bolo de figos ficam proibidos para si como uma oferenda — um voto de proibição de alimento, e não um voto de nazireado.
A disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel gira em torno de como interpretar a santidade que a Torá impõe pela simples declaração do voto de nazireado, e se ela permanece mesmo quando o que se acrescenta em seguida é incompatível com o nazireado bíblico.
O nazireado bíblico é definido, em sua essência, pela abstenção do vinho e de tudo o que dele deriva — não dos figos secos ou de qualquer outro fruto. Por isso Bet Hilel consideram que dizer "sou nazireu a partir dos figos secos" é uma contradição interna, uma linguagem que não corresponde a nenhum voto real de nazireado, e por isso não gera obrigação alguma. Bet Shamai, ao contrário, partem do princípio de que a palavra inicial "sou nazireu" já basta para consagrar a pessoa, valendo por si mesma, independentemente do que vier depois.
A halachá segue Bet Hilel: quem diz "sou nazireu a partir dos figos secos e do bolo de figos" não se torna nazireu.
Rambam explica que, segundo Bet Shamai, a pessoa nunca profere palavras em vão: ao dizer "sou nazireu", ela assume de imediato o nazireado completo, e a menção posterior aos figos secos é apenas uma tentativa frustrada de retratação. Segundo Bet Hilel, como o voto não seguiu a forma costumeira de quem se torna nazireu, não gera nazireado — mas os figos secos e o bolo de figos ficam, ainda assim, proibidos para essa pessoa como um voto simples de issur. Rabi Yehudá esclarece que mesmo Bet Shamai só aplicam sua opinião mais estrita a quem tencionava, com essa linguagem, torná-los oferenda proibida para si.
O Perek Bet abre a Guemará do tratado (daf 9a), e por isso volta a contar com o comentário de Rashi, junto com Rambam e Bartenura.
Rashi explica o mecanismo da disputa: para Bet Shamai, assim que a pessoa diz "sou nazireu", o nazireado já recai sobre ela por inteiro; quando em seguida ela acrescenta "a partir dos figos secos e do bolo de figos", essas palavras não têm efeito nenhum, pois não é possível anular um voto já formado por uma cláusula que vem depois. Para Bet Hilel, como não existe nazireado vinculado a figos secos, a frase inteira nunca chegou a gerar nazireado algum. Rashi acrescenta, sobre a posição de Rabi Yehudá, que mesmo Bet Shamai concordam que a linguagem de figos e nazireado por si só não obriga — sua opinião mais severa vale apenas quando a intenção declarada da pessoa era proibir esses alimentos sobre si como se fossem uma oferenda ao Templo.
Rambam situa a disputa no princípio geral de que "ninguém profere palavras em vão" — a base da posição de Bet Shamai também na mishná 1:1 sobre as expressões implícitas de nazireado. Como, segundo Bet Shamai, não há retratação possível de um voto já formado, a mera menção aos figos secos depois de "sou nazireu" torna-se palavra vazia, sem efeito jurídico algum sobre o nazireado que já recaiu. Bet Hilel, por sua vez, insistem que a linguagem completa do voto precisa corresponder a uma forma reconhecível de nazireado; caso contrário, o que resta é apenas um voto comum de proibição de alimento — os figos secos e o bolo de figos tornam-se proibidos, como qualquer coisa que a pessoa proíba sobre si mesma.
Bartenura desenvolve a comparação com a consagração ao Templo: assim como um objeto consagrado por engano continua consagrado, sem possibilidade de anulação ou consulta a um sábio, também o nazireado, uma vez que a pessoa diz "sou nazireu", recai sobre ela de modo irrevogável — inclusive, segundo Bet Shamai, dentro do próprio período em que ainda estaria falando. Sobre a posição final de Rabi Yehudá, Bartenura esclarece que a disputa entre as escolas não é, no fundo, sobre se a fórmula "a partir dos figos secos" gera nazireado — nisso concordam que não gera — mas sobre se ela, ao menos, proíbe os figos secos sobre a pessoa como uma oferenda: Bet Shamai dizem que sim, ficam proibidos; Bet Hilel dizem que não ficam proibidos coisa alguma.