E estes lavam roupa no Chol HaMoed: quem chega do exterior; e quem é liberado do cativeiro; e quem sai da prisão; e quem estava banido e os sábios o liberaram; e do mesmo modo, quem havia feito um voto de não lavar suas roupas e foi liberado dele no Chol HaMoed. Toalhas de mão, toalhas de barbeiro e toalhas de secagem lavam-se no Chol HaMoed. Os que têm fluxo, as que têm fluxo, as menstruadas, as que deram à luz, e todos os que saem da impureza para a pureza — estes têm permissão. Mas todas as demais pessoas estão proibidas. — A mesma lógica da mishná anterior — impedimento real e comprovável antes da festa — se aplica aqui à lavagem de roupas. A mishná acrescenta duas categorias novas: toalhas de uso diário, que sujam rapidamente e por isso sempre precisam de lavagem imediata, independentemente de qualquer circunstância especial; e pessoas em processo de purificação ritual, para quem lavar as roupas é parte necessária do próprio processo de saírem da impureza. Fora dessas categorias específicas, porém, a proibição geral de lavar roupa no Chol HaMoed permanece firme para todos.
Este versículo mostra que lavar as roupas é, para quem sai de um estado de impureza ritual, uma etapa integrante e obrigatória do próprio processo de purificação — não um ato de vaidade ou conveniência. É por isso que a mishná coloca essas pessoas no mesmo patamar de quem chega do exterior ou sai do cativeiro: assim como estes não tiveram oportunidade real de se arrumar antes da festa, aqueles não podem completar sua purificação sem lavar as vestes, e adiar esse passo para depois do Chol HaMoed os deixaria presos num estado de impureza por dias a mais do que o necessário.
Rambam explica por que roupas de linho escapam inteiramente da proibição, e por que quem tem apenas uma túnica também pode lavá-la.
Bartenura identifica cada tipo de toalha mencionada e detalha a condição de quem tem apenas uma peça de roupa; Rashi confirma a estrutura da mishná a partir da Guemará.
As "toalhas de secagem" mencionadas na mishná são os panos usados para enxugar as mãos e o corpo — objetos de uso tão frequente e imediato que a proibição geral simplesmente não se aplica a eles, independentemente de qualquer circunstância especial do dono.
Bartenura explica que as "toalhas de barbeiro" são os panos que o barbeiro coloca sobre os ombros de quem corta o cabelo, para aparar os fios cortados. Sobre a permissão de quem tem uma só túnica, esclarece um detalhe prático que confirma a genuinidade da necessidade: essa pessoa deve permanecer nua durante a lavagem, coberta apenas por um cinto na cintura — prova visível de que realmente não possui outra roupa, e não está apenas explorando a leniência.
Rashi registra a pergunta com que a Guemará abre sua discussão sobre esta mishná: por que motivo todas as demais pessoas permanecem proibidas de lavar roupa, se para as categorias listadas a permissão já foi concedida? A resposta que se desenvolve na Guemará confirma o critério de Rambam: roupas de linho envolvem pouco esforço de lavagem, e por isso escapam à preocupação original da proibição.