Não se casam mulheres no Chol HaMoed — nem virgens, nem viúvas, nem se realiza o levirato — porque é uma alegria para ele. Mas ele pode retomar sua divorciada. E a mulher pode fazer seus adornos no Chol HaMoed. Rabi Yehudá diz: ela não pode se cobrir de cal, porque é um desfiguramento para ela. — O princípio por trás da proibição não é que o casamento seja um trabalho proibido, mas que ele traz consigo uma alegria própria — e não se mistura uma alegria com outra: a alegria da festa deve permanecer única, sem competir com a alegria de um casamento novo. Por isso a proibição vale tanto para virgens quanto para viúvas, e também para o levirato, que estabelece um vínculo igualmente novo. Mas retomar a própria esposa já divorciada não traz essa mesma intensidade de alegria nova, pois já houve um vínculo antes, e por isso é permitido. Já os cuidados de beleza cotidianos da mulher — pintar os olhos, arrumar o cabelo, passar um tom avermelhado no rosto — não constituem uma alegria nova a competir com a da festa, e por isso continuam permitidos; Rabi Yehudá, porém, proíbe cobrir-se de cal, pois esse tratamento, hoje um desconforto visível — a pele fica desfigurada enquanto a cal age —, só traria benefício estético depois que a cal fosse retirada, ao final do próprio Chol HaMoed.
Do mesmo modo que este versículo já fundamentou a proibição de reavivar o luto antes da festa (mishná 1:5), a Guemará deriva dele o princípio de que não se mistura uma alegria com outra: "em tua festa" — e não na alegria de tua esposa nova. O casamento, como o luto, é um evento emocional intenso que compete pela atenção exigida pela própria festa; a Torá pede uma alegria dedicada e única ao chag, e por isso reserva o Chol HaMoed exclusivamente para ela, deixando o casamento para antes ou depois da festividade.
Rambam explica os adornos permitidos e por que a halachá não segue Rabi Yehudá quanto à cal.
Bartenura explica por que retomar a divorciada é a exceção à regra; Rashi traz da Guemará a distinção entre a moça jovem e a mulher idosa quanto ao uso da cal.
A frase "porque é uma alegria para ele" explica o motivo por trás de toda a proibição de casar durante o Chol HaMoed: o princípio que temos é que não se mistura uma alegria com outra — e por isso não se deve misturar a alegria da festa com qualquer outra alegria distinta, ainda que legítima e desejável em si mesma, como o casamento.
"Mas ele pode retomar sua divorciada" — porque essa não é uma alegria da mesma intensidade que a proibição visa evitar; a alegria plena e nova, que de fato compete com a alegria da festa, é apenas aquela de uma esposa completamente nova, que o homem nunca teve antes. Retomar quem já foi sua esposa não desperta esse mesmo grau de novidade emocional.
Rashi traz da Guemará que a permissão de fazer os adornos vale para a moça jovem, para quem enfeitar-se é natural mesmo no Chol HaMoed; já para a mulher idosa, o uso constante de adornos poderia parecer estranho. Ainda assim, a Guemará relata que até mulheres muito idosas se arrumavam para as festividades. Quanto à cal, Rashi explica a razão da opinião de Rabi Yehudá: é um desfiguramento no momento em que se aplica — a pele fica visivelmente estragada enquanto a cal age, causando desconforto real —, mesmo que a beleza resultante só apareça depois, ao término do tratamento; por isso Rabi Yehudá a proíbe, ainda que a halachá não siga sua opinião.