A sétima mishná do Perek Hei, na continuação direta da anterior dentro da mesma unidade de texto, traz a posição de Rabi Shimon: três tipos de sacrifícios — os sacrifícios de paz de um indivíduo, os sacrifícios de paz da comunidade, e a oferenda de culpa do leproso — requerem, cada um, exatamente dois dos três preceitos possíveis (imposição de mãos, balanço vivo, balanço abatido), mas nunca os três juntos.
Rabi Shimon diz: três tipos requerem três preceitos, dois em cada um, e o terceiro não têm. E estes são eles: os sacrifícios de paz de um indivíduo, os sacrifícios de paz da comunidade, e a oferenda de culpa do leproso. — Rabi Shimon propõe uma regra elegante: existem três preceitos rituais possíveis para certos sacrifícios de animais — a imposição de mãos sobre o animal vivo, o balanço do animal vivo, e o balanço de suas partes após o abate — e três tipos de sacrifícios que, entre os três, cada um requer exatamente dois desses preceitos, nunca os três juntos e nunca apenas um.
Os sacrifícios de paz de um indivíduo requerem imposição de mãos vivos, e balanço abatidos, e não têm balanço vivos. Os sacrifícios de paz da comunidade requerem balanço vivos e abatidos, e não têm imposição de mãos. E a oferenda de culpa do leproso requer imposição de mãos e balanço vivo, e não tem balanço abatido. — Rabi Shimon detalha sua regra: o sacrifício de paz trazido por um indivíduo requer que ele imponha as mãos sobre o animal enquanto vivo, e que seu peito e coxa sejam balançados depois de abatido, mas não há balanço do animal vivo. Já o sacrifício de paz comunitário — os dois cordeiros de Shavuot — requer balanço tanto vivo quanto após o abate, mas não há imposição de mãos, pois os sacrifícios da comunidade, como regra geral, dispensam esse rito. E a oferenda de culpa do leproso requer imposição de mãos e balanço enquanto viva, mas não há balanço de suas partes depois de abatida.
Rambam identifica os três preceitos: imposição de mãos, balanço do animal vivo, e balanço do animal já abatido; e os três tipos que, entre eles, dividem essas três mitzvot em pares: os sacrifícios de paz comunitários, os individuais e a oferenda de culpa do leproso. Explica que a Torá ordena que o leproso balance sua oferenda de culpa viva antes do abate, conforme “e o sacerdote tomará o cordeiro e abaterá o cordeiro”, e que, por se tratar de uma oferenda de culpa, ela necessariamente requer também a imposição de mãos sobre a cabeça do sacrifício. Sobre os sacrifícios de paz individuais, cita o versículo da coxa do levantamento e do peito do balanço, referente ao balanço após o abate. Confirma que os sacrifícios de paz comunitários são exclusivamente os dois cordeiros de Shavuot, que requerem balanço tanto antes quanto depois do abate, mas não imposição de mãos — pois a tradição estabelece que existem apenas duas imposições de mãos em sacrifícios comunitários: a do bode enviado ao deserto e a do touro pelo pecado inadvertido da comunidade. Conclui que esses princípios são todos verdadeiros e aceitos, não sendo opinião exclusiva de Rabi Shimon, mas apenas formulados por ele em nome da tradição recebida.
Bartenura identifica os três tipos: os sacrifícios de paz de um indivíduo, os da comunidade (os cordeiros de Shavuot), e a oferenda de culpa do leproso, entre os quais se distribuem os três preceitos — imposição de mãos, balanço vivo, balanço abatido — sempre dois por tipo. Sobre os sacrifícios de paz individuais, cita a fonte da imposição de mãos em Vayikrá e do balanço após o abate na porção de “Tzav et Aharon”. Sobre os comunitários, cita a fonte do balanço vivo e do abatido, explicando que a imposição de mãos não é exigida porque a tradição recebida estabelece que existem apenas duas imposições de mãos em todos os sacrifícios da comunidade: a do bode enviado ao deserto e a do touro pelo pecado inadvertido comunitário. Sobre a oferenda de culpa do leproso, cita a fonte do balanço vivo na porção “Zot Tihyê”, e explica que a imposição de mãos é necessária por se tratar de um sacrifício individual, que sempre requer esse rito; mas não há balanço após o abate, pois a Torá restringe essa exigência aos sacrifícios de paz individuais, excluindo especificamente a oferenda de culpa do leproso.
Rashi confirma a estrutura da regra de Rabi Shimon e localiza a fonte de cada preceito: para os sacrifícios de paz individuais, a imposição de mãos está escrita em Vayikrá, e o balanço após o abate na porção de “Tzav”, referente ao peito e à coxa. Para os sacrifícios de paz da comunidade, o balanço vivo está na porção “Emor”, e o abatido é derivado por analogia dos sacrifícios individuais, mas não a imposição de mãos, como a Guemará explica adiante. Para a oferenda de culpa do leproso, o balanço vivo está escrito na porção “Zot Tihyê”, e a imposição de mãos é derivada da regra geral de todos os sacrifícios individuais, explicada no capítulo “Shtei Midot” (Menachot 93a); mas não há balanço após o abate, como a Guemará também explica.