A segunda mishná do Perek Dalet estende o princípio de não-impedimento mútuo aos animais das oferendas adicionais trazidas em conjuntos — os touros, carneiros e cordeiros do musaf de Rosh Chodesh e de Shavuot —, e fecha com a posição de Rabi Shimon sobre o que fazer quando o tesouro do Templo não tem recursos suficientes para trazer as libações que acompanham cada animal.
Os touros, os carneiros e os cordeiros não se impedem mutuamente. — A mishná aplica o mesmo princípio de independência aos conjuntos de animais trazidos como oferendas adicionais (musafim) de Rosh Chodesh (a Lua Nova) e de Shavuot: a falta de um touro, um carneiro ou um cordeiro de um dos conjuntos não impede a validade dos demais animais, sejam do mesmo conjunto ou de outro.
Rabi Shimon diz: se tinham touros em abundância, mas não tinham libações, tragam um único touro com sua libação, e não sacrifiquem todos sem libações. — Rabi Shimon acrescenta uma orientação prática para quando o tesouro do Templo tem recursos para comprar muitos touros, mas não o suficiente para as libações de vinho, farinha e azeite que devem acompanhar cada um: é preferível trazer um único touro completo com sua libação do que multiplicar animais incompletos, sem a libação que lhes é devida.
Rambam recapitula que a oferenda de Shavuot compreende duas partes: o musaf do dia — dois touros, um carneiro e sete cordeiros como holocaustos, além de um bode como oferenda pelo pecado —, e a oferenda que acompanha os dois pães — um touro, dois carneiros e sete cordeiros como holocaustos, um bode como oferenda pelo pecado, e dois cordeiros de paz movidos com os pães. A mishná ensina que nenhum desses componentes impede o outro: nem o carneiro do musaf impede os dois carneiros da oferenda dos pães, nem o contrário; nem o touro impede os carneiros e os sete cordeiros trazidos com o pão; nem os dois touros do musaf são impedidos pelo carneiro e pelos sete cordeiros, nem o inverso — e o mesmo vale entre os próprios cordeiros dos dois conjuntos. A halachá não segue Rabi Shimon.
Bartenura identifica os touros, carneiros e cordeiros da mishná com os versículos da parashá Emor — o touro, os dois carneiros e os sete cordeiros trazidos com os dois pães de Shavuot — e com os do musaf do dia descrito na parashá Pinchas — dois touros, um carneiro e sete cordeiros. Nenhum grupo impede o outro: nem os touros do musaf impedem o touro dos dois pães, nem o inverso; nem os carneiros de um grupo impedem os do outro; e o mesmo vale para os cordeiros. Sobre Rabi Shimon, explica que, se o tesouro do Templo tinha recursos para comprar touros em número suficiente mas não para as libações que os acompanham, deve-se trazer um único touro com sua libação completa, em vez de vários touros sem libação alguma — extraindo esse princípio do versículo de Ezequiel 46, que ensina que é preferível a medida completa e correta a uma multiplicação de animais incompletos. A halachá não segue Rabi Shimon.
Rashi comenta a expressão bíblica “segundo seu preceito” (kemishpatam), que a Torá repete a respeito das oferendas adicionais de Sucot, e explica que essa expressão indica indispensabilidade entre os componentes — motivo pelo qual a Guemará conclui que a mishná não pode estar falando das oferendas de Sucot, que seriam então indispensáveis entre si, mas sim dos touros, carneiro e cordeiros do musaf de Rosh Chodesh e de Shavuot, mencionados no Livro dos Recenseamentos sem essa expressão, e que por isso, segundo a mishná, não se impedem mutuamente.