A mishná descreve os suportes de ouro e as varetas que sustentavam as fileiras do pão da face sobre a mesa, esclarece que dispor e retirar as varetas não suplanta o Shabat, e fecha com a regra geral sobre a orientação de todos os vasos do Templo.
Quatro suportes de ouro havia ali, bifurcados em suas pontas, sobre os quais se apoiavam, dois para esta fileira e dois para aquela fileira. E vinte e oito varetas, como meia cana oca, catorze para esta fileira e catorze para aquela fileira. — Cada fileira de seis pães empilhados precisava de sustentação para não desabar sob o próprio peso; para isso, dois suportes verticais de ouro erguiam-se de cada lado da fileira, terminando em pontas bifurcadas que recebiam as extremidades das varetas. Estas, moldadas como metade de uma cana oca, eram inseridas entre um pão e outro — catorze por fileira, o suficiente para separar as seis camadas — permitindo que o ar circulasse e evitando que o pão de baixo se esmagasse.
Nem dispor as varetas, nem sua retirada, suplantam o Shabat; mas entra na véspera do Shabat, retira-as e as coloca ao comprido da mesa. Todos os vasos que havia no Santuário, seu comprimento era ao comprido da casa. — Ao contrário da própria colocação do pão sobre a mesa, que exige preparo semanal preciso, o manuseio das varetas — retirá-las do pão velho e recolocá-las no novo — é um trabalho que pode ser antecipado sem prejuízo: o sacerdote entra ainda na sexta-feira e as retira previamente, deixando-as apoiadas ao longo da mesa, prontas para o dia seguinte. E, encerrando a descrição, a mishná generaliza: todos os vasos sagrados do Santuário, como a própria mesa, eram dispostos com seu comprimento alinhado ao comprimento do edifício, de leste a oeste.
Bartenura explica: “bifurcados” — para receber as pontas das varetas naquelas bifurcações; e, conforme o número das varetas, assim eram bifurcados os suportes, para que a ponta de cada vareta entrasse em uma bifurcação. “Catorze para esta fileira” — seis pães havia em cada fileira da disposição, um sobre o outro, faltando uma vareta para o de cima, que não precisa de sustentação; encontram-se, assim, catorze varetas para cada fileira, três para cada pão. “Nem dispor as varetas” — na disposição nova. “Nem sua retirada” — da disposição velha, suplantam o Shabat. “Entra na véspera do Shabat e as retira” — de entre cada pão, e as coloca ao comprido da mesa, retirando-as no Shabat sem um manuseio significativo, que não envolve proibição de shevut. “Seu comprimento ao comprido da casa” — de leste a oeste ficavam dispostos todos os vasos, como o comprimento do santuário, que era de leste a oeste.
Rashi explica que a pergunta “de onde se sabe isso?” se refere à fonte de que se faziam os suportes; e sobre “nem dispor as varetas etc.” observa que, se a disposição das varetas fosse de origem bíblica, como se deduziu acima, haveria de se perguntar por que não suplanta o Shabat — e a resposta é que, embora não haja proibição rabínica de shevut no Templo, esse manuseio específico não decorre de shevut, mas do fato de que se assemelha a construir e desmontar.
Rashi explica que se aprende de onde as varas da Arca ficavam dispostas de leste a oeste, como se dirá adiante nesta beraíta, de onde se conclui que o comprimento da Arca era de norte a sul, e sua largura de leste a oeste, pois as varas ficavam ao longo da largura da Arca, como se explica mais adiante.