Deu-lhe duas prutot, disse-lhe: ‘Traze-me um etrog’ — foi e trouxe-lhe, por uma pruta, um etrog, e por uma pruta, uma romã — ambos cometeram meilá. Rabi Yehudá diz: o dono da casa não cometeu meilá, pois ele lhe diz: ‘Eu buscava um etrog grande, e trouxeste-me um pequeno e ruim’.
Segundo o primeiro sábio (tanná kamá), como o emissário efetivamente comprou um etrog com o valor equivalente ao que lhe foi dado, sua missão foi cumprida quanto a essa parte, e o dono da casa comete meilá; e o emissário também comete meilá pela romã que comprou por conta própria, além do que foi ordenado. Rabi Yehudá discorda quanto ao dono da casa: em sua visão, se o emissário tivesse comprado um etrog com as duas prutot inteiras, como foi originalmente ordenado, o dono da casa teria recebido um etrog grande, de valor equivalente a duas prutot; ao receber, em vez disso, um etrog pequeno de apenas uma pruta, o dono da casa pode legitimamente dizer que sua missão não foi cumprida como pretendia — e por isso, na visão de Rabi Yehudá, ele não comete meilá, ainda que a lei não siga sua opinião.
Deu-lhe um dinar de ouro, disse-lhe: ‘Traze-me uma túnica’ — foi e trouxe-lhe, por três, uma túnica, e por três, um manto — ambos cometeram meilá. Rabi Yehudá diz: o dono da casa não cometeu meilá, pois ele lhe diz: ‘Eu buscava uma túnica grande, e trouxeste-me uma pequena e ruim’.
O dinar de ouro consagrado vale, segundo a Guemará, seis prutot de prata (ou dinares de prata, conforme a unidade). O emissário compra a túnica ordenada com apenas metade desse valor (três unidades) e, com a outra metade, compra por conta própria um manto. A disputa se repete de modo idêntico: o primeiro sábio responsabiliza ambos — o dono da casa por sua missão parcialmente cumprida, o emissário pelo manto acrescentado —, enquanto Rabi Yehudá isenta o dono da casa, pois este poderia reclamar que uma túnica maior e melhor lhe seria devida caso o dinar inteiro tivesse sido usado como ordenado.
Rambam explica que o que se disse, “ambos cometeram meilá”, pressupõe que o etrog valha duas prutot e o vestido valha um dinar — ou seja, que aquilo que o emissário comprou valha exatamente o que lhe foi dado. O primeiro tanná diz que, uma vez que comprou para ele o que lhe foi dito, e vale o quanto lhe deu, sua missão foi cumprida, e o dono da casa comete meilá; e do mesmo modo o emissário comete meilá, pois ele também acrescentou, por conta própria, o valor de uma pruta. E Rabi Yehudá diz que a missão não foi cumprida, pois, se lhe tivesse comprado um etrog com as duas prutot conforme lhe foi dado, valeria quatro prutot, e seria certamente como aquele que lhe trouxe — e este é o sentido do que disse “trouxeste-me pequeno e ruim”; e o mesmo diz quanto ao vestido. E já explicamos que o dinar de ouro vale vinte e cinco dinares de prata, que são cerca de seis selaim. E Rabi Yehudá discorda apenas onde é possível dizer “grande” e “pequeno”; mas se lhe disse, por exemplo, ‘compra-me com uma pruta frutas de tal tipo’, e comprou-lhe com meia pruta daquelas frutas e com meia pruta outra coisa, ambos cometem meilá — desde que traga das frutas conhecidas por meia pruta o que vale uma pruta, como já antecipamos. E a lei não segue Rabi Yehudá.
Bartenura explica, sobre “ambos cometeram meilá”: e isso desde que aquele etrog valha duas prutot, como o dono da casa lhe deu. O dono da casa comete meilá, pois, uma vez que o emissário comprou para ele conforme disse e no valor do que lhe deu, sua missão foi cumprida; e o emissário comete meilá, pois comprou a romã por uma pruta por conta própria, sem estar na missão do dono da casa. Sobre “Rabi Yehudá diz: o dono da casa não cometeu meilá”: pois ele diz ao emissário: se tivesses comprado um etrog por duas prutot como te dei, terias me trazido um etrog grande, que vale quatro prutot; agora que não deste senão uma pruta, trouxeste-me um etrog que vale duas prutot, que é pequeno e ruim, e assim se conclui que não cumpriste minha missão. E a lei não segue Rabi Yehudá.
Rashi esclarece que os “três” mencionados na mishná são três dinares de prata, que equivalem à metade do dinar de ouro dado ao emissário — confirmando que a túnica foi comprada com exatamente metade do valor original, deixando a outra metade para a compra do manto por conta própria do emissário.
Rashi precisa o mecanismo da responsabilidade dupla: a missão do dono da casa foi cumprida em valor superior a uma pruta (a túnica de três dinares excede em muito a medida mínima de meilá), e o emissário, do mesmo modo, comete meilá pelo valor do manto que comprou por conta própria — também ele, superior à medida de uma pruta.
Rashi resume o argumento de Rabi Yehudá em sua formulação mais direta: ao trazer um item “pequeno e ruim” em vez do item grande que o valor total teria comprado, o emissário, na visão de Rabi Yehudá, simplesmente não cumpriu a missão do dono da casa de forma alguma — nem sequer parcialmente —, pois o item entregue não corresponde, em qualidade e tamanho, ao que a soma completa do dinheiro teria adquirido.