E estes são os que são açoitados: aquele que se relaciona com sua irmã, ou com a irmã de seu pai, ou com a irmã de sua mãe, ou com a irmã de sua esposa, ou com a esposa de seu irmão, ou com a esposa do irmão de seu pai, ou com a mulher em nidá; a viúva casada com o Sumo Sacerdote; a divorciada e a chalutzá casadas com um sacerdote comum; a mamzeret e a netiná casadas com um israelita; a filha de Israel casada com um natin ou com um mamzer. Se ela era viúva e divorciada, ele é responsável por ela por dois nomes. Se era divorciada e chalutzá, ele não é responsável senão por um nome apenas. — Depois de tratar, nos dois primeiros perakim, dos exilados por homicídio involuntário, a mishná abre o terceiro perek com a terceira das três categorias de punição judicial em Israel — depois da execução (tratada em Sanhedrin) e do exílio —, o açoite. A lista aqui não é exaustiva: a Guemará nota que a mishná "ensina e omite" muitas outras categorias de açoitados, escolhendo abrir justamente com as relações proibidas por parentesco e as uniões sacerdotais vedadas. O caso da mulher que foi, sucessivamente, viúva e depois divorciada (de um segundo marido) ilustra um princípio importante: quando duas proibições distintas recaem sobre a mesma união — aqui, "viúva" e "divorciada" são duas advertências textuais separadas —, o transgressor recebe dois conjuntos de açoites, um por cada proibição. Já a combinação "divorciada e chalutzá" conta como um único nome, pois a proibição de chalutzá não está explícita no texto bíblico, sendo derivada por inferência.
Este é um dos textos mais célebres de todo o Perush HaMishná: Rambam abre o Perek Guimel com uma introdução sistemática a toda a lei do açoite. Ele estabelece primeiro que, quando uma transgressão é punível com karet (extirpação, por decreto Divino) ou morte pelas mãos do Céu, e ainda assim se formula como um mandamento negativo, o transgressor recebe açoites — havendo testemunhas e advertência prévia — e, uma vez açoitado e tendo feito teshuvá, fica livre da pena de karet: uma pessoa não é punida duas vezes pela mesma transgressão. Rambam então classifica todos os mandamentos negativos da Torá em sete categorias, apenas uma das quais efetivamente resulta em açoites: (1) proibição ligada à pena capital judicial ou a karet — não se açoita, pois a pena maior já se aplica; (2) proibição ligada a indenização monetária — não se açoita, pois ele paga; (3) proibição que não envolve nenhuma ação concreta — não se açoita, exceto jurar em falso, trocar um animal consagrado ou amaldiçoar usando o Nome Divino; (4) proibição "desviada" para um mandamento positivo — não se açoita se ainda pode cumprir o positivo; (5) proibição que deriva apenas implicitamente de um mandamento positivo — não se açoita; (6) proibição genérica, que engloba várias coisas sem especificar cada uma — não se açoita; e (7) a proibição simples e direta, livre de todas essas seis circunstâncias atenuantes — esta, sim, recebe os quarenta açoites.
Bartenura explica logo de início por que a lista da mishná não deve ser lida como exaustiva: o Tanna "ensinou e omitiu" muitas outras categorias de açoitados — a lista de abertura é ilustrativa, não completa. A opção de começar justamente pelos chayavei keritot (transgressões puníveis com karet) tem um propósito didático: ensinar que também essas transgressões — que parecem já ter sua própria pena Divina — resultam em açoites terrenos. Do mesmo modo, o caso da mulher que foi viúva e depois divorciada ensina a regra dos "dois nomes" (duas proibições independentes sobre a mesma pessoa), e os casos de tevel e primeiro dízimo sem terumá separada foram escolhidos porque sua advertência bíblica não está explícita, exigindo elaboração.
Rashi confirma que a lista de abertura da mishná é ilustrativa, não exaustiva. Explica que a netiná é descendente dos guibeonitas, e sua proibição deriva de "não te aparentarás com eles" (Devarim 7). Sobre o "dois nomes": se uma mulher enviuvou de um marido e depois se divorciou de outro, há duas advertências bíblicas distintas e explícitas recaindo sobre ela, gerando dois conjuntos de açoites para quem com ela se casar sendo Sumo Sacerdote. Já a combinação divorciada-e-chalutzá conta como uma só, porque a proibição de chalutzá não está escrita explicitamente na Torá, mas é derivada por uma expansão textual (a palavra "e a mulher" em Vayikrá 21).