Frutas cuja teruma alguém separou antes de concluído seu processamento (gemar melachá — o ponto que as tornaria plenamente obrigadas), Rabi Eliezer proíbe comer delas ocasionalmente (considerando que, uma vez separada a teruma, mesmo que prematuramente, a teruma "mergulha" — torna proibido — o restante das frutas). Mas os sábios permitem (pois entendem que a teruma só fixa a obrigação quando separada de dentro do próprio cesto ou monte final, e não de frutas ainda em processamento), exceto o cesto de figos (caso específico em que mesmo os sábios reconhecem a fixação). O cesto de figos cuja teruma alguém separou (antes de concluído o processamento), Rabi Shimon permite (mesmo nesse caso, mantendo sua posição de que a teruma prematura nunca fixa), e os sábios proíbem (pois consideram que, no caso específico do cesto — onde a teruma é separada do próprio recipiente que será usado inteiro —, a separação já fixa a obrigação sobre o restante).
Esta mishná trata da teruma como um dos fatores que, segundo a tradição, fixam a produção à obrigação do dízimo — tema que se conecta à obrigação bíblica de separar a teruma antes do dízimo, mencionada em Bamidbar.
Por que a disputa se concentra no "cesto de figos"? O princípio geral, aceito pela maioria dos sábios, é que a teruma só fixa a obrigação quando separada de um produto cujo processamento (melachá) já está concluído — do contrário, seria como separar teruma de algo que ainda não atingiu o "tempo dos dízimos" propriamente dito, um ato sem efeito pleno de fixação. Rabi Eliezer discorda desse princípio geral, sustentando que a própria separação da teruma, independentemente do estágio do processamento, já basta para fixar o restante à obrigação — pois, uma vez que uma porção foi tratada como sagrada (teruma), todo o conjunto do qual foi tirada passa a ser considerado tevel pleno. Os sábios, no entanto, fazem uma exceção notável mesmo dentro de sua própria posição mais permissiva: o cesto de figos (kalkalat teanim), no qual a teruma é separada do próprio recipiente que contém todo o lote — ali, mesmo sem conclusão formal do processamento, a ação de separar a teruma diretamente do cesto já demonstra que o dono considera aquele conjunto como uma unidade finalizada de uso, fixando-o à obrigação. Rabi Shimon, isolado, estende sua posição permissiva mesmo a esse caso, mantendo a coerência de que só o processamento completo — nunca a mera separação da teruma — pode fixar a obrigação.
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Maasser, no capítulo dedicado à conclusão do processamento (gemar melachá) e aos seis fatores que fixam a obrigação do dízimo, entre eles a teruma.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Rabi Eliezer diz que a teruma fixa a obrigação do dízimo, mesmo em coisa cujo trabalho ainda não terminou (posição mais rigorosa, que os sábios rejeitam). E quando disseram "o cesto de figos cuja teruma alguém separou", quiseram dizer que a separou antes de terminado seu processamento (esclarecendo o cenário exato da disputa entre Rabi Shimon e os sábios). E não se decide a halachá conforme Rabi Eliezer, nem conforme Rabi Shimon (a lei segue os sábios em ambas as disputas: a teruma prematura em geral não fixa, exceto no caso específico do cesto de figos, que fixa).
"Antes de concluído seu processamento": isto é, ainda não chegou seu monte ao ponto do dízimo, cada fruta conforme o que se explicou anteriormente (no Perek Alef). "Rabi Eliezer proíbe comer delas ocasionalmente": até que separe todos os seus dízimos, pois entende que a teruma "mergulha" o restante em proibição. "E os sábios permitem": pois entendem que a teruma só mergulha o restante quando foi separada de dentro do próprio cesto. "O cesto de figos cuja teruma alguém separou": antes de chegar seu monte ao ponto dos dízimos. "Rabi Shimon permite": mesmo que tenha separado de dentro do próprio cesto. "E os sábios proíbem": e a halachá segue os sábios, pois a teruma fixa a obrigação do dízimo quando é separada de dentro do cesto, e depois de separada é proibido comer ocasionalmente daquele cesto até que se separem todos os dízimos.