Como se resgata a plantação de quarto ano? Coloca-se o cesto (de frutos colhidos) diante de três (pessoas peritas em avaliação, capazes de estimar corretamente o valor comercial dos frutos), e diz-se: quantos cestos alguém gostaria de resgatar para si por uma sela (pergunta-se, hipoteticamente, a quantidade de cestos semelhantes a esse que uma pessoa disposta a comprar pagaria por uma sela), com a condição de que saiam as despesas de sua casa (isto é, a avaliação já deve descontar do valor de mercado bruto dos frutos os custos que o comprador teria de assumir para efetivamente aproveitá-los — como transporte, embalagem, ou processamento; o valor de resgate reflete apenas o valor líquido depois de descontadas essas despesas práticas). E deposita-se o dinheiro (a quantia total correspondente à avaliação combinada), e diz-se: tudo o que for colhido daqui está resgatado sobre este dinheiro, em tantos e tantos cestos por sela (uma vez fixada a proporção de cestos por sela pelos peritos, o dono declara formalmente que toda a colheita futura daquele local — não apenas o que já foi colhido — está automaticamente resgatada sobre o dinheiro já depositado, de acordo com essa proporção, dispensando um novo ato de resgate para cada cesto colhido posteriormente).
Esta mishná aplica ao vinhedo de quarto ano o mesmo mecanismo geral de conversão em dinheiro que a Torá prescreve para o segundo dízimo distante — agora ajustado às particularidades técnicas de um produto cujo valor exato costuma ser difícil de estimar sem perícia.
Por que descontar as despesas do dono na avaliação? O procedimento descrito pela mishná reflete uma preocupação central das leis de resgate: o valor de resgate deve refletir com precisão o valor real do fruto que está sendo retirado da santidade do dízimo, nem mais nem menos. Se a avaliação não descontasse as despesas de cultivo — irrigação, poda, vigilância contra ladrões, e demais custos que o próprio dono precisou arcar para produzir aquele fruto —, o dono estaria efetivamente subsidiando com dinheiro comum a santidade do dízimo, pagando por um trabalho que não deveria ser incluído no valor sagrado do produto. Ao fixar antecipadamente "tantos cestos por sela" já líquidos dessas despesas, a mishná cria um mecanismo eficiente que evita a necessidade de reavaliar cada cesto individualmente à medida que a colheita avança — uma solução prática elegante para um problema que, de outro modo, exigiria uma negociação separada a cada dia de colheita.
O Rambam codifica este procedimento em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 9, halachá 6, seguindo de perto a linguagem e a estrutura desta mishná.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Com a condição de que saiam as despesas de sua casa": o sentido são as despesas próprias do trabalho do vinhedo, de sua guarda contra ladrões, do trabalho das árvores, e do restante do que é necessário nesse trabalho (o Rambam esclarece que o termo "despesas" na mishná não se refere a um custo genérico, mas especificamente aos gastos de manutenção agrícola típicos de um vinhedo — irrigação, poda, vigilância —, que devem ser descontados do valor bruto de mercado antes de se fixar a proporção de cestos por sela).
"Coloca-se o cesto diante de três": peritos em avaliação, pois a plantação de quarto ano comum não tem preço conhecido, já que é preciso calcular as despesas, como ensina esta mishná. "Resgatar por uma sela": isto é, comprar por uma sela ainda ligado à terra (a avaliação hipotética considera o fruto ainda preso à videira ou à árvore, não já colhido — um detalhe técnico que afeta o cálculo do valor, pois o fruto ainda ligado ao solo tem um valor de mercado distinto do já colhido). "Com a condição de que saiam as despesas de sua casa": o pagamento pelo trabalho do vinhedo desde o momento em que se chama "fruto" — como o pagamento de vigilância e de capina. "E deposita-se o dinheiro": conforme a avaliação, depois que avaliaram tantos e tantos cestos por sela.