Um vinhedo de quarto ano, marcam-no com torrões de terra (pequenos montículos de terra solta empilhados junto ao vinhedo, sinalizando que seus frutos ainda não estão liberados para consumo comum, exigindo primeiro o resgate), e o de orlá com barro de oleiro (um material diferente e mais resistente do que simples terra, pois o barro cozido não se desfaz com o vento e a chuva — a proibição de orlá é mais severa do que a de neta revai, já que orlá é proibida até para qualquer benefício, e não apenas para consumo direto, exigindo por isso um sinal mais duradouro), e o de sepulturas com cal (um material de cor branca, que se destaca visualmente do solo ao redor e da vegetação, avisando à distância sobre a impureza do lugar), e dissolve-se a cal em água e derrama-se (sobre o local exato da sepultura, para que a marca branca fique clara e não se confunda com pedras naturais). Disse Rabban Shimon ben Gamliel: em que caso se aplica isso? No ano sabático (pois apenas no ano sabático os frutos de todos os campos e vinhedos ficam livres para qualquer pessoa colher, tornando necessário um sinal claro para afastar as pessoas do vinhedo de quarto ano e da orlá, que continuam proibidos mesmo nesse ano; nos demais anos do ciclo, como os campos têm dono e ninguém tem permissão de entrar e colher sem autorização, não há risco relevante de engano, e por isso não é necessário marcar). E os escrupulosos deixavam o dinheiro (reservado de antemão, junto ao vinhedo) e diziam: tudo o que for colhido daqui (por qualquer pessoa que passe, no ano sabático, quando o vinhedo está franqueado a todos) seja resgatado (automaticamente) por este dinheiro (evitando que os frutos sagrados sejam consumidos sem resgate prévio, mesmo por quem os colhe licitamente como propriedade abandonada do ano sabático).
Com esta mishná abre-se o quinto perek de Massechet Maaser Sheni, que abandona o tema do resgate (pidyon) do dízimo em dinheiro comum — objeto de todo o quarto perek — para tratar de um assunto novo e final: o vinhedo (ou árvore) de quarto ano, cuja santidade a Torá compara à do segundo dízimo.
Por que marcar com materiais diferentes para cada tipo de proibição? A mishná reflete um princípio pedagógico e prático: a gravidade do sinal deve corresponder à gravidade da proibição que ele assinala. Torrões soltos de terra bastam para o vinhedo de quarto ano porque sua proibição, embora real, é relativamente branda — mesmo antes de qualquer sinal, o fruto pode ser resgatado e consumido em Jerusalém, sem risco de proibição permanente caso alguém o coma sem saber (o pecado é retificável por meio do resgate posterior). Já a orlá exige barro de oleiro, um material mais firme e duradouro, precisamente porque a proibição de orlá é absoluta — proibida para qualquer benefício, sem possibilidade de retificação —, tornando um sinal apagado ou disperso pelo vento um risco muito mais sério. E as sepulturas exigem cal branca, visível à distância, porque a impureza de contato com um túmulo (tumat met) é o grau mais severo de impureza ritual na Torá, capaz de desqualificar um cohen do serviço no Templo e de contaminar tudo o que tocar — exigindo, portanto, o sinal mais visível e inconfundível de todos.
O Rambam codifica o princípio geral de que neta revai é kodesh no início de Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 9, halachá 1, embora a lei específica de marcar com sinais físicos (mencionada nesta mishná) não receba codificação formal e distinta na Mishné Torá — o Rambam a trata como um costume prático de sua época, decorrente diretamente do próprio status de kodesh do fruto, sem necessidade de uma halachá separada.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, que abre o quinto e último perek de Massechet Maaser Sheni.
"Mienin" (marcam-no) deriva da raiz de "tzión" (sinal, marco), e seu sentido é como "símán" (sinal). E disse: que ao vinhedo de quarto ano fazem-se montículos de terra, para que as pessoas saibam que é um vinhedo de quarto ano e não comam dele em absoluto, pois é sagrado (kodesh), conforme disse o Nome bendito: "e no quarto ano será todo o seu fruto..." (Vaicrá 19:24); e sua lei é que seus donos o comam em Jerusalém, como o segundo dízimo, como já se explicou.
"Um vinhedo de quarto ano, marcam-no": constroem junto a ele um sinal e uma marca, para que reconheçam que é um vinhedo de quarto ano e precisa de resgate. "Com torrões": pequenos montes e torrões de terra. O sinal é feito de terra porque, assim como há benefício da terra — pois ela produz frutos —, também este vinhedo, uma vez resgatado, é permitido para benefício (o material do sinal alude simbolicamente à natureza da própria proibição que assinala: um material que, como o vinhedo, ainda pode gerar benefício futuro após o resgate). "E o de orlá com barro de oleiro": com a terra da qual se fazem vasos de barro. O sinal é feito assim porque não há benefício nesse barro — pois quando se semeia nele, não produz o suficiente para valer a queda da semente —, e também nesta proibição não há benefício algum (a orlá é proibida até para benefício indireto, correspondendo a um material que, ao contrário da terra comum, é inteiramente estéril). "E o de sepulturas": para que ali não entre um cohen ou um nazireu. "Com cal": o sinal é porque a cal é branca como os ossos. "Dissolve-se e derrama-se": dissolve-se a cal em água, para que fique mais branca ainda, e derrama-se sobre a sepultura. "Em que caso se aplica isso": quando se faz a marca para vinhedo de quarto ano e para orlá. "No ano sabático": pois nele tudo é propriedade abandonada (hefker) e se toma com permissão; mas nos demais anos da semana sabática, quando quem se aproxima vem para roubar, "que o perverso engula e morra" — e tomem para comer em transgressão (expressão que significa: não há necessidade de proteger, por meio de um sinal claro, quem de todo modo não tinha permissão de tocar naquele fruto — sua transgressão, se ocorrer, é da ordem do roubo, mais grave do que a de comer sem saber; por isso a mishná não se preocupa em evitá-la com sinais). "E os escrupulosos": os que são meticulosos consigo mesmos — quando tinham um vinhedo de quarto ano no ano sabático, deixavam o dinheiro antes da colheita e diziam: tudo o que for colhido, quando for colhido, seja resgatado por este dinheiro.