Quem compra animal selvagem para ofertas de paz (compra inválida, pois animais selvagens não são aptos para esse sacrifício), ou animal doméstico para carne de desejo (também sem valor de sacrifício aqui), o couro não sai para uso comum (permanece com a santidade do dízimo, pois não houve, de fato, uma compra válida de "carne para sacrifício" que justificasse tratar o couro como mero acessório). Jarras de vinho, abertas ou fechadas, em lugar onde o costume é vendê-las abertas (cobrando separadamente pelo recipiente), o jarro não sai para uso comum (pois ali o comprador de fato paga também pelo jarro). Cestos de azeitonas e cestos de uvas, vendidos com o recipiente (sem costume de venda avulsa), o valor do recipiente não sai para uso comum (mantendo a santidade do dízimo sobre todo o conjunto).
A mesma base bíblica da mishná anterior — Devarim 14:26, sobre o que se pode adquirir com dinheiro do segundo dízimo —, aplicada agora aos casos em que a compra falha em seu propósito principal, ou em que o costume comercial local inclui o recipiente no preço do produto.
Por que a inversão do costume muda o resultado? O princípio comum a ambas as mishnayot (1:3 e 1:4) é que a santidade do dízimo acompanha exatamente aquilo que o comprador teve em mente adquirir, conforme o costume do mercado onde a compra ocorre. Quando o costume é vender a carne com o couro embutido no preço, sem distinção, a intenção do comprador — e, portanto, a santidade do dízimo — recai apenas sobre a carne; o couro "sai" livre. Mas onde o costume local é vender essas partes com preços distintos (jarras abertas cobradas à parte, cestos com o recipiente tarifado), o comprador está, de fato, pagando também por elas, e a santidade do dízimo se estende a todo o valor pago. O primeiro caso da mishná — animal selvagem "para ofertas de paz" — segue uma lógica um pouco diferente: como não existe, bíblica e halachicamente, oferenda de paz proveniente de animal selvagem, a declaração de propósito do comprador é vazia; a compra é tratada, na prática, como uma aquisição comum de todo o animal — carne e couro — com dinheiro do dízimo, sem a distinção que separaria as partes.
O Rambam trata deste caso espelhado em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 7, imediatamente após o caso paralelo da mishná anterior.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Com dinheiro do segundo dízimo, seria em princípio permitido comprar animal para carne de desejo, mas os sábios o proibiram e disseram que não se compra animal com dinheiro do segundo dízimo, exceto para ofertas de paz... E o que se disse aqui — que quem comprou animal selvagem para ofertas de paz, e isso é proibido — é porque o sacrifício não provém do animal selvagem, conforme a palavra do Altíssimo: "do gado e do rebanho" (a proibição desta mishná não é apenas rabínica, como no caso do animal doméstico para carne comum, mas decorre diretamente da impossibilidade bíblica de o animal selvagem servir de oferta de paz).
"Quem compra animal selvagem para ofertas de paz": e não há sacrifício proveniente de animal selvagem, pois está escrito "do gado e do rebanho". "E animal doméstico para carne de desejo": os sábios decretaram que não se compre animal com dinheiro do segundo dízimo, exceto para ofertas de paz... "O couro não sai para uso comum": isto é, não se trata aqui do caso em que o couro sai para uso comum (porque nem sequer houve compra válida com esse dinheiro), mas sim que o dinheiro do dízimo nunca comprou nem o animal selvagem nem o doméstico (a transação inteira falhou, e por isso o dinheiro do dízimo continua "preso" a tudo o que foi adquirido com ele, incapaz de se transformar em uso comum).