Aquele que tem duas categorias de filhas de duas esposas, e disse: ‘Consagrei minha filha maior, mas não sei se é a maior das maiores, ou a maior das menores, ou a menor das maiores — que é maior do que a maior das menores’ — todas estão proibidas [a ele], exceto a menor das menores; palavras de Rabi Meir. Rabi Yosei diz: todas estão permitidas, exceto a maior das maiores. ‘Consagrei minha filha menor, mas não sei se é a menor das menores, ou a menor das maiores, ou a maior das menores — que é menor do que a menor das maiores’ — todas estão proibidas, exceto a maior das maiores; palavras de Rabi Meir. Rabi Yosei diz: todas estão permitidas, exceto a menor das menores. — O homem tem duas séries de filhas — de sua primeira esposa (as ‘maiores’, por serem mais velhas em geração) e de sua segunda esposa (as ‘menores’) —, e declara ter consagrado ‘minha filha maior’ sem saber precisar qual delas. Segundo Rabi Meir, todo homem tende a chamar sua filha de ‘maior’ em relação a qualquer irmã mais nova, mesmo que ela própria seja jovem — é um modo de elogio; por isso a incerteza se estende amplamente, e apenas a mais nova de todas — que não pode ser chamada de ‘maior’ por ninguém — fica livre de qualquer dúvida, enquanto todas as demais permanecem proibidas a outros pretendentes até que se esclareça qual delas foi consagrada. Rabi Yosei discorda: ninguém arriscaria fazer uma declaração que pudesse gerar tamanha confusão e exigir consulta aos sábios — por isso, quando o pai diz ‘a maior’, presume-se que ele se refira, com precisão, à mais velha de todas, a ‘maior das maiores’, e apenas ela fica proibida, permanecendo todas as demais livres. O caso paralelo, quando o pai declara ter consagrado ‘a menor’, segue a mesma lógica invertida entre os dois sábios.
Rambam explica por que a mishná precisou repetir a mesma disputa duas vezes — uma para ‘a filha maior’ e outra para ‘a filha menor’: se apenas o caso da ‘maior’ fosse ensinado, poder-se-ia pensar que Rabi Meir discorda apenas ali, porque é elogioso chamar uma filha de ‘maior’ mesmo sendo jovem, quando há alguém ainda mais jovem abaixo dela — mas, no caso da ‘menor’, talvez ele concordasse com Rabi Yosei, já que ninguém chamaria de ‘menor’ quem pode ser chamada de ‘maior’. E se apenas o caso da ‘menor’ fosse ensinado, poder-se-ia pensar o inverso. Por isso ambos os casos precisaram ser explicitados — e a halachá segue Rabi Yosei em ambos.
Bartenura explica exatamente a mesma necessidade lógica de se ensinar os dois casos separadamente — sem cada um deles, poder-se-ia erroneamente supor que a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yosei se restringe a apenas um dos dois cenários. Conclui, de acordo com o Rambam, que a halachá segue Rabi Yosei em ambos os casos: quando o pai declara ter consagrado ‘a maior’, apenas a maior das maiores fica proibida aos demais; quando declara ter consagrado ‘a menor’, apenas a menor das menores fica proibida — todas as demais ficam livres, pois presume-se que o pai fala com precisão, e ninguém se arriscaria a uma declaração que gerasse tamanha incerteza.
Rashi esclarece os termos técnicos: as ‘maiores’ são as filhas da primeira esposa, e as ‘menores’ as da segunda esposa que ele desposou após a morte da primeira. Sobre a opinião que proíbe todas exceto a mais nova, observa que ela se sustenta mesmo que houvesse cem filhas, pois cada uma pode ser chamada de ‘maior’ em relação a alguma irmã mais jovem — e nota que a Guemará questiona por que a mishná não distinguiu, dentro da própria dúvida, um caso intermediário mais restrito. Sobre a opinião que libera todas exceto a mais velha, explica a lógica de Rabi Yosei: ninguém arriscaria fazer uma afirmação capaz de gerar tamanha confusão a ponto de exigir consulta aos sábios — por isso, ao dizer ‘a maior’, presume-se que o pai se refira precisamente à mais velha de todas.