"Com a condição de que sou cohen" — e foi encontrado ser levita; "levita" — e foi encontrado ser cohen; "natin" — e foi encontrado ser mamzer; "mamzer" — e foi encontrado ser natin; "morador de cidade" — e foi encontrado ser morador de metrópole; "morador de metrópole" — e foi encontrado ser morador de cidade; "com a condição de que minha casa é próxima do banho" — e foi encontrada distante; "distante" — e foi encontrada próxima; "com a condição de que tenho uma filha ou uma serva crescida" — e não tem; ou "com a condição de que não tenho" — e tem; "com a condição de que não tenho filhos" — e tem; ou "com a condição de que tenho" — e não tem: em todos esses casos, ainda que ela diga "em meu coração era consagrar-me a ele" mesmo assim, ela não está consagrada. E o mesmo vale se foi ela quem o enganou. — A mishná estende o princípio do erro a uma série de condições que não envolvem bens materiais, mas status e circunstâncias pessoais. Trocar "cohen" por "levita" (ou vice-versa) invalida o kidushin, pois o status sacerdotal traz consigo privilégios e restrições próprias que afetam diretamente a vida da esposa. O mesmo vale para "natin" (descendente dos gibeonitas, proibido de se casar com israelitas de linhagem plena por decreto rabínico) trocado por "mamzer" (proibido por lei da própria Torá) — ainda que ambos sejam, de certo modo, "desqualificados", a mishná os trata como categorias distintas, e a troca entre elas anula o kidushin. A residência em cidade pequena ou grande metrópole também importa, pois a vida em cada uma tem características bem diferentes; e a proximidade da casa ao banho público é relevante para a rotina diária da esposa. Por fim, a mishná trata da condição sobre filhos existentes: se ele declarou ter (ou não ter) uma filha crescida, uma serva ou filhos, e a realidade for diferente, o kidushin não se realiza, pois esses fatos afetam diretamente a posição da nova esposa dentro do lar. A mishná encerra com um princípio jurídico fundamental: mesmo que a mulher declare posteriormente que sua verdadeira intenção era casar-se de qualquer maneira, independentemente da condição, essa declaração não tem valor jurídico algum, pois "palavras do coração não são palavras" — a lei se atém à declaração externa e formal, não a intenções não expressas no momento do ato. E o princípio funciona nos dois sentidos: se foi a mulher quem enganou o homem sobre alguma condição, o kidushin igualmente não se realiza.
Rambam esclarece, com base na Guemará, o significado da palavra "gadelet" aplicada à serva: trata-se de uma serva que penteia e arruma o cabelo das mulheres — uma função doméstica específica e valorizada. Rambam nota também que Rabi Shimon (do caso anterior, sobre engano para melhor) não discorda quando se trata de engano sobre linhagem: mesmo que o engano tenha sido "para melhor" nesse sentido, o kidushin permanece inválido, pois é possível que a mulher não amasse senão alguém de linhagem igual ou até inferior à sua própria. E Rambam fecha com o princípio geral que fundamenta toda a cláusula final da mishná: "palavras do coração não são palavras" — a halachá não reconhece juridicamente intenções internas não expressas no momento do ato formal.
Bartenura oferece duas explicações para "serva gadelet": a mais aceita é a que a define como quem trança e penteia o cabelo das mulheres da casa; uma explicação alternativa a entende como uma mulher falante, de "muita língua", associando a palavra ao versículo de Yechezkel "e engrandecestes contra mim com vossa boca". Sobre o princípio final da mishná, Bartenura confirma sucintamente: a razão pela qual a declaração posterior da mulher ("em meu coração era consagrar-me a ele") não tem nenhum efeito jurídico é que a halachá segue a regra geral de que palavras não expressas externamente — intenções guardadas apenas no coração — não constituem um ato jurídico válido, seja para criar obrigação, seja para desfazê-la.
Rashi explica por que a diferença entre "morador de cidade" e "morador de metrópole" é juridicamente relevante e não uma mera diferença de rótulo: viver numa grande metrópole (kerach) é objetivamente mais difícil do que viver numa cidade pequena, pois a metrópole é um centro de mercados movimentados, onde os preços tendem a ser mais altos e há grande aglomeração e empurra-empurra de gente passando constantemente — condições de vida bem mais duras do que as de uma cidade pequena e tranquila. Por isso, a troca de uma pela outra não é um detalhe irrelevante, mas uma mudança substancial nas condições de vida prometidas à mulher, suficiente para anular o kidushin quando a realidade não corresponde ao declarado.