Quem se deita com sua sogra é obrigado por ela por ser sua sogra, e sua nora, e irmã de sua mulher, e mulher de seu irmão, e mulher do irmão de seu pai, e mulher de homem, e nidá. E o mesmo vale para quem se deita com a mãe de sua sogra, e com a mãe de seu sogro. Rabi Yochanan ben Nuri diz: quem se deita com sua sogra é obrigado por ela por ser sua sogra, e mãe de sua sogra, e mãe de seu sogro. Disseram-lhe: as três são um único nome.
— A mishná aplica a mesma estrutura de acumulação da anterior a um terceiro conjunto de parentescos: a sogra e as gerações acima dela. O mecanismo é idêntico ao de 3:5 — um homem se deita com sua própria filha, dela nasce uma neta que ele mais tarde não reconhece publicamente como tal; essa neta é dada em casamento a outro homem (Reuven, no exemplo de Bartenura), tornando a filha original, mãe da neta, ao mesmo tempo sogra de Reuven e irmã de sua mulher (pois ambas, mãe e filha, são netas do mesmo avô); com o tempo, essa mulher se casa também com o filho de Reuven (tornando-se sua nora), depois com o irmão de Reuven, depois com o irmão do pai de Reuven, tornando-se sucessivamente mulher de seu irmão e mulher do irmão de seu pai, além de, ao longo do caminho, mulher de homem e nidá. Se Reuven, então, se deita com ela, acumula sete nomes possíveis, resumidos aqui em seis (sogra, nora, irmã da mulher, mulher do irmão, mulher do irmão do pai, mulher de homem, nidá). A mesma estrutura, com um grau a mais de distância genealógica, aplica-se a quem se deita com a mãe de sua sogra ou com a mãe de seu sogro — casos ilustrados pela Guemará com a família de Lavan, Lea, Raquel e suas descendentes. Rabi Yochanan ben Nuri propõe um caso adicional, mais compacto: um único homem que se casasse com três mulheres — uma filha, uma neta e uma bisneta da mesma avó — e depois se deitasse com essa avó comum, seria responsável por três nomes ao mesmo tempo: sogra (por uma esposa), mãe da sogra (por outra) e mãe do sogro (por outro parentesco). Os sábios rejeitam essa multiplicação: os três títulos derivam todos do mesmo vínculo — ser avó das mulheres dele — e por isso contam como um único nome, obrigando apenas uma chatat, e não três.
Rambam explica o primeiro caso: Ishmael, por exemplo, se deita com sua neta Bosmat e dela tem uma filha chamada Yehudit; quando Reuven se casa com Yehudit, Bosmat torna-se proibida a ele como sogra e como irmã de sua mulher — duas proibições que chegam juntas — e é permitido a Chanoch se casar com Bosmat; Bosmat também se torna proibida a Reuven como nora (proibição que soma), e depois como mulher de seu irmão, mulher do irmão de seu pai, mulher de homem e nidá, seguindo o mesmo padrão já explicado. O segundo caso, sobre a mãe da sogra: Ishmael se deita com Yehudit, que é filha de sua filha, e dela nasce Timna; quem se casa com Timna tem Bosmat proibida como mãe da sogra e como irmã de sua mulher, pois Bosmat e Timna são filhas do mesmo pai — e assim por diante, somando-se nora, mulher do irmão, mulher do irmão do pai, mulher de homem e nidá. O terceiro caso, sobre a mãe do sogro: Ishmael se deita com sua avó, a mãe de Hagar egípcia, e dela nasce Bosmat; para quem se casa com Bosmat, Hagar fica proibida como mãe do sogro, pois é avó de Ishmael, e como irmã de sua mulher, pois Bosmat e Hagar são filhas da mesma mãe — e segue-se o mesmo padrão de acumulação. O quarto caso é o que menciona Rabi Yochanan ben Nuri: Lea tem duas filhas, Diná e Yocheved, e Asher, seu filho, tem uma filha chamada Serach; Calev se casa com as três — Diná, Yocheved (filha de Lea) e Serach (filha de Asher, filho de Lea) — o que é permitido, pois é lícito casar com uma mulher e a irmã de sua mãe, e com uma mulher e a irmã de seu pai. Se Calev se deita com Lea por engano, seria responsável, segundo Rabi Yochanan ben Nuri, por sogra (mãe de Diná), mãe da sogra (mãe de Yocheved) e mãe do sogro (mãe de Asher) — mas a lei não é assim: ele só é responsável por uma única chatat, pois todas essas proibições derivam de um único nome, a saber, o vínculo entre os irmãos e filhos de uma mesma pessoa — Lea.
Bartenura explica “por ser sua sogra, sua nora e irmã de sua mulher”: o pai que se deita com sua filha e dela tem uma filha; Reuven se casa com essa neta, e a mãe dela fica proibida a ele como sogra e como irmã de sua mulher. Se essa mãe se casa com o filho de Reuven, soma-se-lhe a proibição de nora. Se o filho de Reuven morre, ou a divorcia, e ela se casa com o irmão dele, soma-se-lhe a proibição de mulher do irmão. Se o irmão morre, ou a divorcia, e ela se casa com o irmão do pai, soma-se-lhe a proibição de mulher do irmão do pai. Se ela se casa com outra pessoa qualquer e é mulher de homem, e torna-se nidá, e Reuven se deita com ela enquanto ainda é mulher de homem e nidá, é responsável por ela por todos esses nomes. “As três são um único nome”: estão escritas num único versículo e sob uma única proibição negativa; por isso não há divisão de chatot entre elas. E assim é a lei.