Um monte de palha entre dois pátios, alto de dez tefachim, fazem-se dois eiruvin e não se faz um só. — um monte dessa altura constitui uma partição real entre os dois pátios, do mesmo modo que o muro; por isso os dois lados permanecem domínios distintos, cada um exigindo seu próprio eiruv. Estes dão de comer a seus animais por aqui, e aqueles dão de comer por ali. — os moradores de ambos os pátios podem deixar seus animais comerem da palha, cada um a partir de seu próprio lado, sem que isso seja considerado uma diminuição proibida da partição, pois o consumo natural do gado não costuma reduzir o monte abaixo da medida numa única véspera de Shabat. Se a palha diminuiu de dez tefachim, fazem-se um eiruv só e não se fazem dois. — quando o próprio monte já não atinge a altura mínima de uma partição, ele deixa de separar de fato os dois pátios, e por isso a exigência passa a ser de um único eiruv.
Encerra-se aqui a série de fronteiras físicas que abriu o Perek Zayin — e todas seguem a mesma régua de dez tefachim. Janela, muro, vala, tábua, monte de palha: cada estrutura foi medida pela mesma pergunta — ela ainda separa "este lugar" daquele, ou já deixou de fazê-lo? O monte de palha que se consome com o uso natural dos animais é o exemplo mais vívido de como a fronteira entre lugares pode se desfazer sem que ninguém tenha agido para derrubá-la: o próprio tempo, e a fome do gado, bastam.
O Rambam trata o monte de palha na mesma halachá do muro: abaixo de dez tefachim de altura, os dois pátios já são um domínio só e basta um eiruv.
Um muro entre dois pátios, ou um monte de palha entre dois pátios, menor que dez tefachim de altura, fazem um eiruv só e não fazem dois. Se era alto de dez ou mais, fazem dois eiruvin, cada um por si.
Os comentadores explicam por que os animais podem comer da palha de ambos os lados sem que isso proíba o pátio, e o que exatamente conta como a palha ter diminuído abaixo da medida.
"Um monte de palha entre dois pátios, alto de dez tefachim..." — quer dizer, com "dão de comer", que deixam seus animais comerem da palha, deste lado e daquele lado.
"Monte de palha" — pilha de palha, que corta toda a largura dos pátios de um lado a outro.
"Estes dão de comer" — deixam seus animais comerem da palha, e não se teme que a palha diminua abaixo de dez tefachim por causa disso, pois um animal não diminui tanto assim com sua alimentação num único Shabat.
"A palha diminuiu de dez tefachim" — ao longo de todo o comprimento do pátio, ou ao longo de dez amot.
Comentando a mishná "Um monte de palha": pilha de palha que corta toda a largura dos pátios.
"Palha de sete tefachim e um pouco" — e adiante a Guemará questiona isso, pois a mishná ensina que basta ter diminuído de dez.