E ainda disse Rabi Yehuda ben Bava: o jardim e o karpef que têm setenta amot e um pouco mais por setenta amot e um pouco mais — a medida quadrada equivalente a beit sea'tayim — cercados por uma cerca alta dez palmos, carrega-se dentro deles — livremente, por toda a área — contanto que haja neles uma cabana de guarda, ou uma casa de moradia, ou que estejam próximos da cidade — algum sinal de uso habitual que lhes confira o caráter de lugar habitado, e não apenas de espaço vazio ao ar livre. Rabi Yehuda diz: mesmo que não haja neles senão uma cisterna, um poço, ou uma caverna — fontes de água, ainda que pequenas — carrega-se dentro deles — pois a água já lhes confere caráter de uso habitual. Rabi Akiva diz: mesmo que não haja neles nenhuma dessas coisas, carrega-se dentro deles, contanto que tenham setenta amot e um pouco mais por setenta amot e um pouco mais — dispensando toda condição adicional, bastando a medida exata. Rabi Eliezer diz: se o comprimento era maior que a largura, ainda que por uma única amá, não se carrega dentro deles — exigindo forma estritamente quadrada. Rabi Yossei diz: mesmo que o comprimento seja o dobro da largura, carrega-se dentro deles — dispensando a exigência de forma quadrada.
De volta ao teto de beit sea'tayim, agora explicado. A mishná anterior já havia estabelecido que jardim e karpef ficam limitados a beit sea'tayim, enquanto lugares de moradia não têm limite. Esta mishná refina essa regra: mesmo dentro do teto de beit sea'tayim, um jardim ou karpef só permite carregar livremente por toda a sua área se tiver algum traço de uso habitual — uma cabana de guarda, uma casa, água disponível, ou proximidade da cidade. Sem isso, a disputa dos Sábios gira em torno de saber se a medida exata basta por si só, e se a forma deve ser estritamente quadrada.
O Rambam define a medida exata de beit sea'tayim e codifica a halachá segundo Rabi Yossei, dispensando a exigência de forma quadrada.
Quanto é um beit se'ah? Cinquenta amot por cinquenta amot. Resulta que beit sea'tayim é um lugar cuja soma é cinco mil amot quadradas. E todo lugar que tenha essa medida, seja quadrado — o que equivale a setenta amot e um pouco mais por setenta amot e um pouco mais —, seja redondo, seja de qualquer outra forma, chama-se beit sea'tayim. Um lugar não cercado para moradia que tenha beit sea'tayim: se seu comprimento for o dobro de sua largura, de modo a ter cem por cinquenta amot, como o pátio do Mishcan, é permitido carregar por toda a sua extensão.
A halachá segue Rabi Yossei, não Rabi Eliezer. O Rambam codifica explicitamente a possibilidade de o comprimento ser o dobro da largura — exatamente a posição de Rabi Yossei nesta mishná, tomando como modelo o próprio pátio do Mishcan (cem amot por cinquenta, segundo Shemot 27:18). Isso rejeita a exigência de Rabi Eliezer de que a forma seja estritamente quadrada. Quanto às demais condições — cabana de guarda, casa, proximidade da cidade, ou mera medida exata —, a disputa entre Rabi Yehuda ben Bava, Rabi Yehuda e Rabi Akiva permanece registrada na Guemará como um caso raro em que nem uma das três opiniões foi definida como halachá com certeza absoluta, pela dificuldade de decidir entre rigores tão próximos.
Os comentadores explicam a origem da medida de setenta amot e um pouco mais, a partir do pátio do Mishcan, e detalham a disputa sobre a forma quadrada.
"E ainda disse Rabi Yehuda ben Bava: o jardim e o karpef que têm setenta amot e um pouco mais etc." — como já havia se dito anteriormente algo em nome de Rabi Yehuda ben Bava, acrescentou e disse "e ainda disse Rabi Yehuda ben Bava". E já explicamos que o pátio do Mishcan equivale a beit sea'tayim...
E a halachá é segundo Rabi Yossei, que discorda de Rabi Eliezer e não exige forma quadrada.
"Cabana de guarda" — cabana de guardiões; pois ainda que seja cercado para moradia, permite-se apenas até beit sea'tayim, não mais.
"Próxima da cidade" — pois, sendo próxima de sua casa, ele pretende usá-la sempre, e é como cercada para moradia.
"Se seu comprimento era maior que sua largura" — e ainda que se diminua a largura e se aumente o comprimento, sem que a área total ultrapasse beit sea'tayim, não se carrega; pois só na forma quadrada os Sábios permitiram, onde não foi cercado para moradia. E a halachá é segundo Rabi Yossei, que discorda de Rabi Eliezer e não exige formas quadradas.
"A mishná: cabana de guarda" — cabana de guardiões; e ainda que seja cercada para moradia, permite-se apenas até beit sea'tayim, não mais.
"Próxima da cidade" — pois, sendo próxima de sua casa, ele pretende usá-la sempre, e é como cercada para moradia.
"Contanto que tenha setenta amot e um pouco mais por setenta amot e um pouco mais" — e não mais; e a Guemará questiona se o primeiro sábio (tana kama) também dizia o mesmo.
"Se seu comprimento era maior que sua largura, ainda que por uma amá" — ainda que se diminua a largura e se aumente o comprimento, sem que a área total ultrapasse beit sea'tayim, não se carrega; pois só na forma quadrada os Sábios permitiram, onde não foi cercado para moradia.