Rabi Yehuda diz: até beit sea'tayim — ou seja, mesmo afastando os pasin e multiplicando os postes, a área total cercada não pode superar a medida de dois se'ah, cinco mil amot quadradas — disseram-lhe — os Sábios, corrigindo-o — não disseram beit sea'tayim senão para jardim e karpef — lugares cujo cerco não é feito para fins de moradia, mas apenas para uso ao ar livre — mas se havia curral, ou estábulo, ou terreno atrás das casas, ou pátio — lugares cujo cerco é considerado para fins de moradia — mesmo que tivesse cinco kor, mesmo que tivesse dez kor, é permitido — sem limite de área, pois o próprio uso habitual já lhes confere o caráter de lugar habitado. E é permitido afastar o quanto for, contanto que se multipliquem os pasin — repetindo a regra da mishná anterior, agora aplicada a este contexto mais amplo.
Moradia como critério, não área. Esta mishná introduz um princípio que atravessará todo o restante do capítulo: o tamanho de um espaço cercado importa apenas quando ele não é destinado à moradia. Um curral, um estábulo, um pátio ou o terreno atrás das casas são cercados justamente para servir ao uso doméstico contínuo — e por isso, ainda que enormes, são tratados como uma extensão da casa, sem violar a proibição de Yirmiyahu 17:22 de carregar entre domínios. Já um jardim ou um karpef (depósito de lenha), cercados apenas para o ar livre, ficam sujeitos ao teto de beit sea'tayim.
O Rambam define a medida exata de beit sea'tayim e explica por que ela se aplica apenas a espaços não destinados à moradia.
Um lugar que não foi cercado para moradia, mas cujo uso é para o ar livre, como jardins e pomares, e como quem cerca um pedaço de terra para guardá-lo, e semelhantes: se a altura das partições tem dez palmos ou mais, eis que é como domínio privado para tornar culpado quem tira, arremessa ou estende dele para a via pública, ou da via pública para dentro dele. Mas não se pode carregar por todo ele a não ser que tenha beit sea'tayim ou menos; porém, se tiver mais que beit sea'tayim, é proibido carregar nele senão em quatro amot, como num carmelit.
Quanto é beit sea'tayim, e por que a moradia dispensa esse limite. O Rambam explica em seguida (Hilchot Shabat 16:3) que beit sea'tayim equivale a cinco mil amot quadradas — setenta amot e um pouco mais de lado, na forma de um quadrado como o pátio do Mishcan. Este teto se aplica apenas a espaços "cujo uso é para o ar livre" — jardins, pomares, depósitos —, pois um espaço tão grande sem função de moradia não é tratado, por decreto rabínico, como um verdadeiro domínio privado unificado além dessa medida. Mas um curral, um estábulo, um pátio ou o terreno atrás das casas, por servirem ao uso doméstico cotidiano, escapam inteiramente desse limite, por maiores que sejam — exatamente como ensina esta mishná.
Os comentadores definem cada um dos termos técnicos desta mishná — karpef, dir, sahar, mukzeh, chatzer — e explicam por que todos, exceto jardim e karpef, escapam ao teto de beit sea'tayim.
"Rabi Yehuda diz: até beit sea'tayim etc." — Rabi Yehuda diz que a distância do lado do poço até os pasin tem a medida de setenta amot e um pouco mais apenas, que é a medida do lado de um beit sea'tayim, como se explicará adiante. E karpef é um lugar cercado por uma cerca. E dir é um lugar onde se reúne o gado miúdo. E sahar é a conhecida "casa do cárcere" (ou estábulo). E chatzer é um lugar descoberto...
E não é a halachá segundo Rabi Yehuda.
"Para jardim e karpef" — cujo cerco não é para moradia.
"Karpef" — um cerco grande fora da cidade, para ali guardar lenha como depósito.
"Dir" — de gado, que se faz nos campos, hoje aqui e amanhã ali, para adubá-los com o esterco do gado.
"Sahar" — um cerco de partição para o gado da cidade.
"Chatzer" — um lugar descoberto diante das casas.
"Mukzeh" — o terreno atrás das casas; pois todos estes têm seu cerco destinado à moradia... e assim é a halachá.
"Para jardim e karpef" — cujo cerco não é para moradia; karpef é um cerco grande fora da cidade, para ali guardar lenha como depósito.
"Mas se havia dir" — de gado, que se faz nos campos, hoje aqui e hoje ali, para adubá-lo com o esterco do gado.
"Sahar" — para o gado da cidade.
"Mukzeh" — o terreno atrás das casas.
"E chatzer" — o que fica diante das casas; pois todos estes têm seu cerco destinado à moradia. E também estes pasin de poços, uma vez que suas águas são próprias para o consumo humano, constituem uso de moradia de qualidade superior.