Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Nechunia ben Elinatan, homem de Kefar HaBavli, sobre um membro separado do morto, que é impuro; e Rabi Eliezer diz: não disseram isso senão sobre um membro separado do vivo. Disseram-lhe: e não há aqui um raciocínio a fortiori (kal vachomer)? E se do vivo, que é puro, um membro que dele se separa é impuro, o morto, que é impuro, não seria lógico que um membro que dele se separa seja impuro? Disse-lhes: não disseram isso senão sobre um membro separado do vivo. Outra resposta: é maior a impureza dos vivos que a impureza dos mortos, pois o vivo faz leito e assento debaixo de si, para tornar impuros o homem e as vestes, e sobre ele há impureza de midaf, para tornar impuros os alimentos e as bebidas — o que o morto não torna impuro. — A segunda mishná do perek traz um novo testemunho, agora com dois transmissores — Rabi Yehoshua e Rabi Nechunia ben Elinatan — sobre uma questão de pureza ritual: se um membro separado de um cadáver humano transmite impureza como o próprio morto. Rabi Eliezer contesta, restringindo essa regra apenas ao membro separado de uma pessoa viva. A objeção dos colegas é elegante: um raciocínio a fortiori parece exigir o oposto — se mesmo o vivo, que em si é puro, transmite impureza através de um membro separado, quanto mais o morto, que já é fonte de impureza, deveria fazê-lo através de um membro seu! Rabi Eliezer não recua diante do raciocínio lógico, mas responde com uma distinção qualitativa: a impureza do vivo, paradoxalmente, é em certos aspectos mais abrangente que a do morto, pois o vivo (tratando-se do zav, o que sofre fluxo) gera impurezas de leito e assento que tornam impuros pessoas e vestes, além da impureza mais leve chamada "midaf" sobre os objetos colocados sobre ele — capacidades que o próprio cadáver não possui. Por isso, não se pode inferir automaticamente do vivo para o morto.
Rambam explica detalhadamente a base desta impureza: os versículos da Torá a respeito do zav (o que sofre fluxo) ensinam que seu leito e seu assento tornam impuros o homem e as vestes de quem os toca. Mas tudo o que estiver sobre o zav — vestes e utensílios — mesmo separado dele por múltiplas camadas, torna os alimentos e as bebidas impuros apenas com uma impureza leve, chamada "midaf" (contato indireto), como "folha levada pelo vento" — e essa impureza não atinge pessoas nem vestes, apenas comida e bebida. Se dispuséssemos cem vestes umas sobre as outras e o zav se sentasse sobre a de cima, todas as cem se tornariam impuras por leito; mas se pusessem o morto sobre cem vestes, apenas três ficariam impuras — a que o tocou diretamente e as duas seguintes, por contato sucessivo — e nada além disso, pois o morto não transmite impureza por via de leito como o zav, apenas por contato. Do mesmo modo, se lançássemos sobre o zav cem coberturas, a superior ficaria impura por midaf, afetando alimentos e bebidas — o que não ocorre com o morto além das três camadas mencionadas. É a partir desse princípio que Rabi Eliezer argumenta que a impureza dos vivos é, nesse sentido, maior que a dos mortos — mas Rambam ressalva que a disputa não envolve um membro do tamanho de uma azeitona, que todos concordam ser impuro como o próprio morto; refere-se apenas a um membro pequeno, pois membros, em princípio, não têm medida fixa. E a lei não segue Rabi Eliezer.
Bartenura precisa o objeto da disputa: trata-se de um membro que não tem nele o volume de uma azeitona de carne — pois um volume de azeitona proveniente do morto sempre torna impuro, segundo todos, como o próprio morto; a controvérsia se limita a um membro pequeno, sem esse volume. Explica ainda o raciocínio de Rabi Eliezer: seria lógico que o membro do vivo tornasse impuro em qualquer quantidade, mesmo sem o volume mínimo exigido do morto, pois a impureza dos vivos é maior que a dos mortos — o zav (vivo) faz leito e assento sob todos os utensílios que estão debaixo dele, tornando impuros o homem e as vestes, como está escrito na Torá; e sobre ele, todos os utensílios, ainda que muitos, ficam impuros com a impureza leve de midaf, atingindo alimentos e bebidas — e o termo "midaf" evoca tanto o som de uma folha levada pelo vento quanto o odor que se espalha à distância. O morto, por sua vez, não torna impuros os utensílios sob ou sobre ele além do terceiro grau de contato, e não pela via de leito e assento.