O feixe que estava próximo ao muro, ou à pilha, ao gado, ou aos utensílios [do campo], e foi esquecido: Beit Shamai diz, não é esquecimento; e Beit Hillel diz, é esquecimento. — Esta mishná dá continuidade ao tema anterior, sob outra formulação: um feixe deixado junto a um ponto de referência fixo e visível — um muro de pedras soltas, uma pilha de feixes já colhidos, o gado, ou os utensílios de lavoura — não foi levado para junto do resto da colheita, mas também não foi simplesmente abandonado no meio do campo. Beit Shamai sustenta que a proximidade com esses marcos indica que o dono ainda tinha esse feixe em mente (ou já o havia "tomado posse" ao colocá-lo ali), de modo que não se qualifica como esquecido; Beit Hillel sustenta o contrário, que o feixe continua sujeito à lei do esquecimento até ser efetivamente recolhido.
Rambam explica que gapá é um muro [de pedras soltas], termo derivado de "e fecharam (guifu) as portas" (Nechemiá 7); e gadish é uma pilha de feixes já reunidos, enquanto "utensílios" refere-se aos utensílios do arado. Já se explicou na Guemará que a disputa surge quando o dono já havia tomado o feixe com a intenção de carregá-lo, e o depositou junto a um desses marcos, esquecendo-o ali: Beit Shamai entende que, por já tê-lo tomado, ele já o adquiriu, e o esquecimento posterior não conta como shichechá; Beit Hillel entende que conta. Mas se ele nunca chegou a tomá-lo, não há disputa — não é esquecimento. Esta lei já foi explicada, junto com a anterior, no sexto capítulo de Peá.
Bartenura define gapá como um muro de pedras empilhadas umas sobre as outras sem argamassa, e "utensílios" como os utensílios do arado. A disputa entre Beit Shamai e Beit Hillel refere-se a um feixe que o dono já havia tomado com a intenção de levá-lo à cidade, colocando-o junto ao muro ou à pilha, e ali o esqueceu: Beit Shamai diz que não é esquecimento, pois já o adquirira ao tomá-lo; Beit Hillel diz que é esquecimento. Segundo outra explicação, Beit Shamai considera que mesmo um feixe que nunca foi tomado não é esquecimento, se estava junto a um ponto de referência fixo — pois, estando ali, o dono haveria de se lembrar dele; Beit Hillel considera que é esquecimento enquanto não foi tomado, mas concorda que, se foi tomado e depois esquecido, não é esquecimento.