Quem abate a mesukénet, Rabán Shimon ben Gamliel diz: apenas se ela convulsionar com a pata dianteira e com a pata traseira. Rabi Eliezer diz: basta que tenha jorrado. — A mesukénet é a behêmá tão doente que, posta de pé, não consegue permanecer em pé sozinha — presumivelmente próxima da morte. Nesse caso, é preciso um sinal claro de que ainda estava viva no momento do abate. Rabán Shimon ben Gamliel exige o sinal mais forte: convulsão simultânea de ambas as patas. Rabi Eliezer é mais brando: basta que o sangue tenha jorrado com força do pescoço, sinal de vida ainda presente.
Disse Rabi Shimon: também quem abate de noite e, na manhã seguinte, se levanta cedo e encontra as paredes cheias de sangue, é válido, pois jorrou — e isto conforme a medida de Rabi Eliezer. — Rabi Shimon estende a opinião de Rabi Eliezer a um caso prático: se o abate ocorreu à noite, sem que se pudesse observar diretamente se houve convulsão, mas na manhã seguinte as paredes do local do abate estão cobertas de sangue, isso já demonstra que o sangue jorrou com força — suficiente, segundo o critério de Rabi Eliezer, para validar o abate.
E os sábios dizem: apenas se convulsionar com a pata dianteira ou com a traseira, ou se sacudir o rabo — tanto na behêmá miúda quanto na behêmá graúda. — A opinião intermediária dos sábios não exige as duas patas simultaneamente, como Rabán Shimon ben Gamliel, nem se contenta apenas com o jorro de sangue, como Rabi Eliezer: basta uma única convulsão — de uma pata, ou do rabo — e essa mesma regra vale igualmente para animais pequenos e grandes.
A behêmá miúda que estendeu a pata dianteira e não a recolheu é inválida, pois isso não é senão a própria saída da alma. — No caso específico da behêmá miúda (como a ovelha ou a cabra), estender a pata dianteira sem recolhê-la de volta à posição dobrada não conta como sinal de vida: é apenas o movimento natural do corpo no momento em que a alma o abandona, e não uma convulsão que indique vida ainda presente.
Em que caso se disse isto? Quando ela estava sob presunção de mesukénet. Mas se estava sob presunção de saudável, mesmo que não haja nela nenhum destes sinais, é válida. — Toda essa exigência de sinais de vida vale apenas quando a behêmá já era presumivelmente uma mesukénet antes do abate. Mas se, antes do abate, presumia-se saudável, o abate é válido mesmo sem nenhum dos sinais mencionados — pois presume-se que ela ainda estava plenamente viva no momento do corte.
Rambam define a mesukénet com precisão: toda behêmá que, posta de pé, não consegue permanecer em pé sozinha por causa de sua doença. Explica pirkus como o convulsionar, e deriva zinuk da mesma raiz do jorro sonoro da respiração. E precisa a lei final: a invalidação por estender a pata sem recolhê-la vale especificamente para a pata dianteira da behêmá miúda; se foi a pata traseira que se estendeu sem recolher, ou se apenas a pata traseira se dobrou, o abate é válido; e na behêmá graúda não há distinção alguma entre pata dianteira e traseira — ambas exigem o mesmo critério.
Bartenura define a mesukénet como toda behêmá que, colocada de pé, não permanece em pé sozinha por causa de sua doença — mesmo que ainda tenha força nos dentes para mastigar troncos e lascas de madeira. Explica que a exigência de convulsão se deve ao receio de que a alma já tivesse partido antes de terminado o abate; observa que a lei não segue nem Rabán Shimon ben Gamliel nem Rabi Eliezer isoladamente, mas a opinião intermediária dos sábios; e detalha, por fim, a diferença entre a behêmá miúda (onde a extensão da pata dianteira sem retorno invalida) e a graúda (onde essa distinção não se aplica).
Rashi explica que a exigência da convulsão decorre do receio de que a alma já tivesse deixado o corpo antes do término do abate. Descreve o zinuk como o modo pelo qual as behemot incham a garganta e o sangue jorra e pulsa com força; e detalha o caso de Rabi Shimon: quem abate à noite sem poder verificar a convulsão, e na manhã seguinte encontra as paredes do local do abate cobertas de sangue, tem seu abate validado, pois o próprio jorro já ficou demonstrado — e essa é precisamente a medida de Rabi Eliezer, agora aplicada por Rabi Shimon a um caso concreto.