Se decepou a cabeça de uma só vez, é inválido. — Quem corta o pescoço inteiro num único golpe seco, sem o movimento de puxar a faca para frente e para trás, realiza uma dressá — e não um abate propriamente dito; por isso, é inválido, mesmo que o corte tenha atingido corretamente os dois símanim.
Se estava abatendo e decepou a cabeça de uma só vez, se há na faca o comprimento de um pescoço inteiro, é válido. — Se o abatedor já havia começado o corte da maneira correta, com vaivém, e ao final decepou a cabeça de um só golpe, o abate ainda é válido — desde que o comprimento da lâmina exceda o do próprio pescoço, pois esse excedente é sinal de que, apesar da aparência de um só golpe, a lâmina de fato deslizou o suficiente para constituir um corte próprio, e não uma decepação seca.
Se estava abatendo e decepou duas cabeças de uma só vez, se há na faca o comprimento de um pescoço inteiro, é válido. — O mesmo vale quando duas behemot são abatidas lado a lado e as duas cabeças caem num só golpe final: basta que a faca exceda o comprimento de um único pescoço — não sendo necessário o comprimento de dois pescoços inteiros.
Em que caso se disse isto? Quando puxou para frente sem puxar para trás, ou puxou para trás sem puxar para frente; mas se puxou para frente e para trás, mesmo com qualquer comprimento, mesmo com um bisturi, é válido. — Toda essa exigência do comprimento mínimo da faca vale apenas quando o movimento final foi unidirecional — só para frente, ou só para trás. Mas se o abatedor completou o corte com o vaivém pleno, puxando a faca em ambas as direções, o abate é válido com qualquer comprimento de lâmina, ainda que seja um bisturi minúsculo.
Se a faca caiu e abateu, ainda que tenha abatido do seu modo próprio, é inválido, pois foi dito: “E abaterás e comerás” — o que tu abates, tu comes. — Se a faca cai por si só e, ao cair, corta os símanim do modo tecnicamente correto, o abate ainda assim é inválido, pois a Torá exige um abate realizado por ação humana deliberada — e não um corte fortuito, ainda que tecnicamente perfeito.
Se a faca caiu e ele a levantou, se suas vestes caíram e ele as levantou, se afiou a faca e cansou-se, e veio outro e abateu — se demorou o tempo de um abate, é inválido. Rabi Shimon diz: se demorou o tempo de uma inspeção. — Quando o abatedor interrompe o corte no meio — para apanhar a faca caída, recolher suas vestes caídas, ou por ter-se cansado ao afiar a lâmina — e outra pessoa vem completar o abate, a validade depende da duração da pausa: se durou o tempo suficiente para abater outra behêmá inteira, o abate é inválido, pois a interrupção quebra a unidade do ato. Rabi Shimon é mais rigoroso, invalidando já a partir de uma pausa do tamanho do tempo de uma simples inspeção da faca.
Rambam define a shehiyá (interrupção) mencionada na mishná anterior a partir destes casos: sempre que a faca é retirada do pescoço já sendo abatido, e o abatedor se afasta antes de concluir o corte. O tempo de “outro abate” é medido pelo tempo necessário para levantar outra behêmá, deitá-la e abatê-la — mesmo que o animal em questão seja uma ave, mede-se pelo tempo de abate de uma behêmá miúda. E o tempo de “inspeção”, segundo Rabi Shimon, é o tempo que um abatedor experiente leva para examinar se a faca está própria — mas a lei não segue Rabi Shimon.
Bartenura explica que, se o abatedor deliberadamente derrubasse a faca sobre o pescoço, o abate ainda seria válido — o que a mishná invalida é apenas a queda verdadeiramente acidental, sem qualquer intenção; e daí se aprende que, no abate comum, não se exige intenção deliberada de abater, ao contrário do que se exige nas oferendas consagradas. Detalha ainda a medida de “outro abate” — o tempo de abater a maioria dos dois símanim de uma behêmá equivalente, deitada, graúda com graúda, miúda com miúda, ave com ave — e a medida de “inspeção”, segundo a opinião rejeitada de Rabi Shimon.
Rashi compara a decepação de um só golpe ao gesto de quem corta um caniço ou uma abóbora, empurrando a faca com força — e identifica esse gesto como a própria dressá que invalida o abate. Explica que a exigência de “o comprimento de um pescoço inteiro” para o caso de dois pescoços cortados juntos significa, segundo a Guemará, o comprimento de três pescoços ao todo (o dobro do pescoço, mais o excedente exigido). E define o izmel como uma navalha fina e muito pequena.
Sobre a segunda metade da mishná, Rashi explica que a faca caída e levantada implica uma demora precisamente nesse ato de recolhê-la; que kelav significa suas próprias vestes; e que af (cansou-se) descreve o abatedor que, tendo afiado a faca antes do abate, perde as forças ao começar a cortar, interrompendo o processo até que outro venha completá-lo.