Semelhante a isso (aplica-se o mesmo mecanismo da mishná anterior): azeitonas de colheita que se misturaram com azeitonas de vareamento (azeitonas colhidas normalmente pelo proprietário, misturadas com as poucas azeitonas restantes nos galhos, deixadas para os pobres e isentas de dízimo), uvas de vindima com uvas de rebusco (uvas colhidas normalmente, misturadas com os cachos pequenos deixados para os pobres): se tem sustento de outro lugar (produtos adicionais disponíveis), separa [teruma e dízimos] proporcionalmente (calcula e separa apenas a porção correspondente ao produto efetivamente obrigado). E se não, separa teruma e teruma do dízimo para tudo (trata o total misturado como se fosse inteiramente obrigado), e o restante, dízimo e segundo dízimo, proporcionalmente (para essas duas últimas partes, calcula-se apenas a fração correspondente à porção realmente obrigada).
Como no caso da mishná anterior, o tema central não é a chalá em si, mas o mecanismo de resolução de misturas entre produto obrigado e produto isento — aqui aplicado às sobras da colheita reservadas aos pobres (leket, peá e olelot), que a Torá isenta de dízimo.
Por que aqui a solução envolve três categorias (teruma/teruma do dízimo; dízimo; segundo dízimo), e não apenas duas como na mishná do fermento? Porque terumot e maasrot formam um sistema mais complexo do que a chalá isolada: depois de separada a teruma grande (e a teruma do dízimo), o que resta ainda se divide entre o primeiro dízimo (para o levita) e o segundo dízimo (consumido em Jerusalém, ou seu equivalente monetário — o maaser ani, para o pobre, em determinados anos). Quando não há "sustento de outro lugar" para isolar apenas a porção obrigada, a mishná determina uma solução em duas etapas: primeiro, separa-se teruma e teruma do dízimo sobre a totalidade da mistura — pois esses pagamentos envolvem uma proibição gravíssima (punível com morte) que exige máximo rigor; depois, para o dízimo comum e o segundo dízimo — de caráter menos grave — basta calcular e separar apenas a fração proporcional correspondente à porção realmente obrigada dentro da mistura.
Como no caso da mishná anterior sobre dízimos (3:4), este tema pertence propriamente às leis de terumot e maasrot, fora do escopo direto de Hilchot Bikurim; ainda assim, o próprio Rambam, em seu comentário à mishná, remete ao tratado de Peá para o contexto pleno destas categorias agrícolas.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Azeitonas de colheita" são as azeitonas que os donos de propriedades colhem, e já explicamos por diversas vezes (Peá, capítulo 8, mishná 1) que a colheita de azeitonas se chama, na linguagem dos sábios, "mesiká". "Azeitonas de vareamento" são as azeitonas que os pobres colhem [...]. E se tem outras azeitonas, além dessas misturadas, separa delas os dízimos e a teruma obrigatórios para aquelas azeitonas de colheita misturadas com as de vareamento, que são isentas — e é isso que significa a expressão "proporcionalmente" (o cálculo se faz apenas sobre a fração que, dentro da mistura, corresponde à porção efetivamente obrigada).
"Azeitonas de colheita": azeitonas que o dono da casa colhe; e a colheita de azeitonas é chamada "mesiká". "Azeitonas de vareamento": azeitonas que os pobres colhem [...] e elas são isentas de dízimo. "Uvas de vindima": que são obrigadas em dízimo. "Com uvas de rebusco": que são isentas de dízimo. "Se tem": outro tevel semelhante a este, separa dele proporcionalmente. "E se não": considera-se [o todo] como se fosse inteiramente tevel, e separa-se teruma e teruma do dízimo sobre tudo, por se tratar de transgressão punível com morte; e o restante — primeiro dízimo e segundo dízimo — separa-se apenas proporcionalmente (pois esses dois últimos não carregam a mesma gravidade, permitindo o cálculo mais brando).