Quem imerge para o alimento comum e ficou estabelecido nessa condição para o comum, está proibido para o dízimo. Imergiu para o dízimo e ficou estabelecido nessa condição para o dízimo, está proibido para a oferenda sacerdotal. Imergiu para a oferenda sacerdotal e ficou estabelecido nessa condição para a oferenda sacerdotal, está proibido para o sagrado. Imergiu para o sagrado e ficou estabelecido nessa condição para o sagrado, está proibido para a água da purificação. Imergiu para o mais restrito, está permitido para o menos restrito. Imergiu e não ficou estabelecido nessa condição, é como se não tivesse imergido. — A mishná descreve uma escada de quatro degraus de pureza — alimento comum, dízimo, oferenda sacerdotal, sagrado, e finalmente a água da purificação — e estabelece que subir de um degrau para o seguinte exige sempre uma nova imersão com intenção específica para aquele nível mais elevado. Quem imergiu pensando apenas em comer alimento comum permanece, mesmo depois da imersão, proibido de tocar o dízimo, precisando de uma segunda imersão com intenção voltada especificamente a ele; e assim sucessivamente até chegar à água da purificação, o degrau mais exigente. Em contraste, descer na escada não exige nova imersão: quem imergiu com intenção para um nível mais restrito automaticamente se qualifica também para todos os níveis menos restritos abaixo dele. A mishná fecha com uma regra geral sobre a própria natureza da imersão: se a pessoa imergiu sem ter em mente nenhuma intenção específica de purificação, a imersão simplesmente não conta, como se nunca tivesse ocorrido.
A imersão em água que purifica de toda impureza é o ato central que a Torá exige repetidamente em contextos de purificação, mas nenhum desses versículos especifica que tipo de intenção deve acompanhar o ato — abrindo espaço para que os Sábios definissem os graus de intenção necessários entre cada categoria de alimento sagrado. A mishná ensina que a imersão física, sozinha, não move automaticamente a pessoa entre os diferentes níveis de pureza exigidos para dízimo, oferenda sacerdotal, sagrado e água da purificação — é a intenção consciente voltada a cada categoria específica que determina para qual delas a pessoa realmente se qualificou, refletindo o princípio de que a purificação ritual, tal como outros atos da Torá que exigem vontade deliberada, não ocorre de modo automático ou distraído.
Rambam explica o princípio de que cada nível exige intenção própria, e que a imersão sem qualquer intenção equivale a não ter imergido.
Bartenura confirma a lógica de subir e descer na escala; Rashi, na Guemará, situa essa mishná como continuação direta da anterior.
Rambam reafirma o princípio geral: em cada degrau da escala, é indispensável a intenção voltada especificamente para aquilo que se deseja tocar. Quando a imersão ocorre sem intenção nenhuma, direcionada nem ao dízimo nem a qualquer outra categoria superior, ela só é válida para o alimento comum — o nível básico, que não exige intenção especial alguma.
Bartenura esclarece que “não ficou estabelecido nessa condição” significa que a pessoa não teve em mente a intenção de purificação ritual, mas apenas um banho comum, sem propósito religioso algum. Nesse caso, é como se não tivesse imergido para o dízimo, e com maior razão para a oferenda sacerdotal e o sagrado — mas ainda vale como imersão válida para o alimento comum, pois esse nível básico não exige intenção especial nenhuma.
Rashi confirma o mecanismo da mishná: se a pessoa teve em mente apenas o alimento comum ao imergir, sem pensar no dízimo, permanece proibida de comer dízimo até realizar uma segunda imersão com intenção específica voltada a ele. E sobre a regra de que imergir para o mais restrito permite automaticamente o menos restrito, Rashi explica que o nível mais exigente já engloba, em sua intenção, todos os níveis inferiores a ele.