Quem não celebrou a chagigá no primeiro dia festivo da festa celebra durante toda a festa e no último dia festivo da festa. Se a festa passou e ele não celebrou, não é responsável por essa falta. Sobre isso foi dito: o que é torto não pode ser endireitado, e o que falta não pode ser contado. — A obrigação de trazer a chagigá recai, em princípio, sobre o primeiro dia festivo. Mas quem, por qualquer motivo, não conseguiu cumpri-la nesse dia, não perde a oportunidade: pode ainda trazê-la em qualquer um dos dias intermediários, e até mesmo no último dia festivo da festa — que, embora seja em si uma festa própria (Shemini Atzeret, no caso de Sucot), também serve como reposição da obrigação do primeiro dia. Uma vez que toda a festa se encerra, porém, sem que a pessoa tenha trazido sua chagigá, não há mais nenhuma forma de reparar essa omissão — ela simplesmente permanece sem cumprimento, e a pessoa não é considerada culpada nem penalizada por isso. A mishná ilustra essa irreversibilidade com um versículo de Kohelet sobre aquilo que, uma vez torto, já não pode mais ser endireitado.
A mishná cita este versículo de Kohelet como imagem direta da irreversibilidade: assim como uma coisa torta, uma vez passado o momento de corrigi-la, permanece torta para sempre, a chagigá não trazida durante toda a festa permanece definitivamente sem cumprimento após seu encerramento. A leitura talmúdica desse versículo, porém, não o toma como mera metáfora poética, mas como base para distinguir, mais adiante no perek, entre faltas verdadeiramente irreparáveis — como a de quem gera um mamzer — e faltas que, apesar de graves, ainda admitem correção, como o roubo.
Rambam explica a base do prazo estendido de tashlumin, derivado de uma comparação (guezerá shavá) com a festa de Sucot.
Bartenura explica por que o último dia da festa também serve como reposição; Rashi, na Guemará, detalha a mesma regra e a base da comparação textual.
Rambam confirma que todo o período da festa, incluindo o último dia festivo, serve de prazo de reposição para a chagigá não trazida no primeiro dia — e generaliza esse princípio até a festa de Shavuot, que apesar de durar apenas um dia recebe, pela mesma lógica comparativa, sete dias inteiros de prazo.
Bartenura esclarece que “não celebrou” significa não ter trazido nem a chagigá nem a oferenda de ascensão do primeiro dia. Sobre Shemini Atzeret, ele nota o paradoxo aparente: embora seja, por lei, uma festa própria e independente, ela também funciona como o último prazo de reposição para a obrigação do primeiro dia de Sucot — e o mesmo vale, por comparação textual, para os sete dias de tashlumin concedidos a Shavuot.
Rashi confirma que a mishná trata de quem simplesmente não trouxe sua chagigá no primeiro dia, e que Shemini Atzeret, apesar de ser uma festa própria e independente, funciona como reposição para essa obrigação não cumprida. Sobre a palavra “meuvat”, Rashi a traduz simplesmente como “estragado” ou “torto” — reforçando a leitura de que, uma vez passada a festa inteira, a omissão se torna permanente e sem remédio.