As pombas que estavam sobre os cestos subiam [ao altar] como oferendas de holocausto; e as que estavam em suas mãos, davam aos cohanim (a mishná distingue dois destinos completamente diferentes conforme a forma como as aves eram transportadas: as pendentes — presas às laterais externas dos cestos de bikurim, servindo primariamente como adorno — eram consagradas e oferecidas como olá, um sacrifício totalmente queimado no altar; já as que os peregrinos carregavam soltas nas próprias mãos não eram oferendas sacrificiais, mas presentes concretos entregues diretamente aos cohanim que atendiam no Templo).
A mitzvá de bikurim não menciona explicitamente aves; sua presença é um costume documentado pelo Rambam, ligado à ideia geral de honrar a oferenda com adornos.
Por que aves acompanhavam os cestos, e por que destinos tão diferentes conforme a posição? A resposta está inteiramente na função de cada grupo de pássaros. As pombas penduradas do lado de fora dos cestos, como o Rambam esclarece, serviam primariamente como decoração viva do próprio cesto de bikurim — parte do mesmo impulso estético e cerimonial que levava à coroa de oliveira no boi (Mishná 3:3) e ao arranjo cuidadoso dos frutos dentro do cesto (Hilchot Bikurim 3:7, ver Mishná 3:8 adiante). Por servirem a essa função decorativa, tornavam-se, no momento da chegada ao Templo, oferendas de holocausto, consagradas ao altar. Já as aves carregadas soltas nas mãos dos peregrinos nunca tiveram essa função decorativa — eram, desde o início, presentes autônomos destinados aos cohanim, complementando a generosidade da ocasião sem se fundir ritualmente com os bikurim propriamente ditos. Esta mishná breve serve de ponte entre a cena de chegada triunfal (3:4) e o ritual central de leitura e tenufá que a Mishná 3:6 descreve em detalhe.
O Rambam registra a mesma distinção em Hilchot Bikurim 3:9, confirmando os dois destinos com a mesma terminologia da mishná.
O Rambam esclarece o detalhe técnico de que as aves ficavam penduradas fora do cesto, e não sobre ele; o Bartenura confirma a mesma leitura de forma mais sucinta.
Traziam junto aos bikurim, para honra, rolinhas e pombinhos; alguns os traziam pendurados dos cestos de bikurim, outros os traziam em suas mãos. E disseram que "sobre os cestos" foi explicado [na tradição] que estavam pendurados dos cestos, e não os colocavam sobre os cestos, para que não os sujassem; e aqueles que estavam pendurados neles eram oferecidos como holocaustos, e aqueles que traziam em suas mãos eram dados aos cohanim (o Rambam esclarece um ponto técnico importante que a leitura literal do texto da mishná poderia sugerir incorretamente: a expressão "sobre os cestos" não significa que as aves estivessem literalmente empilhadas em cima dos frutos, o que os sujaria com suas fezes, mas que estavam penduradas das laterais externas do cesto por cordas ou amarras — mantendo tanto os frutos quanto as próprias aves limpos e apresentáveis).
"As pombas que estavam sobre os cestos": penduravam atrás dos cestos de bikurim rolinhas e pombinhos, e não literalmente sobre os cestos, para que não os sujassem. E elas eram oferecidas como holocaustos (o Bartenura confirma, quase nas mesmas palavras do Rambam, que a colocação física real das aves era atrás — ou ao lado — do cesto, jamais diretamente sobre os frutos, precisamente por razões de higiene e apresentação, preservando a dignidade visual da oferenda completa).