Se alguém separou seus bikurim, e foram roubados, ou apodreceram, ou foram furtados, ou se perderam, ou ficaram impuros, traz outros em seu lugar, e não recita (os frutos substitutos, apesar de tecnicamente cumprirem a obrigação de trazer bikurim, já não são "o princípio" no sentido exato exigido pela declaração — a designação original foi frustrada). E os segundos não estão sujeitos, quanto a eles, ao quinto acrescido (a lei geral de que quem consome indevidamente um alimento sagrado como bikurim paga o valor mais um quinto adicional — os frutos substitutos, por não serem tecnicamente "bikurim" em sentido pleno, ficam isentos dessa penalidade específica). Se ficaram impuros no pátio [do Templo], ele os dispersa (esvazia o cesto de seu conteúdo impuro) e não recita.
A obrigação de substituir bikurim perdidos decorre da mesma cláusula que já fundamentou a Mishná 1:1 — mas agora lida em conjunto com "trarás", indicando responsabilidade contínua até a entrega final.
Por que os frutos substitutos, mesmo cumprindo integralmente a obrigação de "trazer", não geram a obrigação do quinto acrescido para quem os consumisse indevidamente? A lei do quinto acrescido (Vayikrá 22:14) se aplica especificamente a algo com status pleno de "coisa sagrada" (kodesh) — e os bikurim originais adquirem esse status no momento exato em que são designados verbalmente pelo agricultor, ainda ligados à terra. Os frutos "segundos", trazidos como substitutos, nunca passaram por esse ato formal de designação enquanto ainda pendurados na árvore — eles apenas acompanham, retroativamente, a obrigação já criada pelos primeiros. Por isso, tecnicamente, sua santidade é de um grau ligeiramente distinto, suficiente para cumprir a mitzvá de "trazer", mas não suficiente para acionar a penalidade adicional do quinto.
O Rambam codifica os dois cenários desta mishná em Hilchot Bikurim, capítulo 4, halachot 9-10, distinguindo perda antes e depois da chegada ao Templo.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, que trata dos infortúnios que podem acometer os bikurim já separados, antes e depois de chegarem ao Templo.
"Namaku" (apodreceram): como "se derreteram", "sua carne se consumirá" (Zacarias 14:12), "com eles se consumirão" (Vayikrá 26:39), e muitos outros (o Rambam identifica a raiz hebraica do verbo através de paralelos bíblicos, esclarecendo que se trata de decomposição orgânica). "Nivzezu" (foram roubados): também conhecido, da raiz "levoz baz" (saquear um saque) (Yeshayahu / Isaías 10). "E não recita": porque é impossível dizer "trouxe o princípio do fruto da terra", pois não é o princípio, e mais adiante se esclarecerá que os bikurim verdadeiros [sim] estão sujeitos ao quinto acrescido (o Rambam antecipa aqui a distinção que será desenvolvida na halachá, entre bikurim originais — sujeitos ao quinto — e frutos substitutos — isentos dele). E a explicação de "nofetz" é como "sacudir" ou "esvaziar", da raiz "despertar" e "vazio" (o Rambam esclarece o verbo técnico usado para o ato de despejar o conteúdo impuro do cesto).
"Namaku": apodreceram e se derreteram, como "com eles se consumirão". "Nivzezu": foram roubados dele, como "saqueamos para nós" (Devarim 2 — o Bartenura identifica a mesma raiz de "saque" usada em outro contexto bíblico). "Não estão sujeitos, quanto a eles, ao quinto": um não-sacerdote que os comesse não pagaria o quinto. E esta mishná é isolada [na sua opinião] e não é a halachá; antes, a halachá é que estão sujeitos, quanto a eles, ao quinto (o Bartenura sinaliza explicitamente, como fez na Mishná 1:4, que esta cláusula específica da mishná — a isenção do quinto para os frutos substitutos — não é a posição normativa final, embora não desenvolva aqui os detalhes dessa divergência). "Ficaram impuros no pátio, dispersa e não recita": interpretamos [o verbo] como sacudir e esvaziar o cesto dos frutos, já que ficaram impuros, e o cesto é dado aos sacerdotes, pois está escrito "e o sacerdote tomará o cesto de tua mão" — às vezes o sacerdote toma apenas o cesto (o Bartenura acrescenta um detalhe ritual não explícito na mishná: mesmo quando o conteúdo do cesto se torna impuro e precisa ser descartado, o próprio cesto continua tendo destino sagrado, sendo entregue ao sacerdote conforme o versículo). E não é obrigado a trazer outros bikurim em seu lugar, pois já que chegaram ao Monte do Templo, já não está mais sujeito à responsabilidade sobre eles (o Bartenura fecha o contraste central da mishná: a impureza antes da chegada ao Templo gera obrigação de substituição, mas a impureza depois da chegada não gera, porque a responsabilidade do agricultor — "até que os traga ao Monte do Templo", conforme a Mishná 1:9 — já se extinguiu).