Seder Moed · Massechet Beitzá · Perek Hei · Mishná 6 de 7

Quem tinha frutas em outra cidade, e o erúv dos moradores

מִי שֶׁהָיוּ פֵרוֹתָיו בְּעִיר אַחֶרֶת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná trata de um caso em que a designação do próprio dono, e não a dos moradores da cidade onde as frutas se encontram, determina se elas podem ser trazidas em dia de festa.

Quem tinha frutas em outra cidade, e os moradores daquela cidade fizeram erúv para trazer dele de suas frutas, não lhe tragam. Mas se ele mesmo fez erúv, suas frutas são como ele.Frutas guardadas por alguém numa cidade distinta da sua não passam a seguir os limites dos moradores locais apenas porque estes fizeram um erúv para poder alcançá-las — pois as frutas continuam sendo propriedade do dono ausente, e sua designação depende apenas dele, não de quem deseja ir buscá-las. Porém, se o próprio dono das frutas fez um erúv que o autoriza a chegar até aquela cidade, então suas frutas seguem sua própria designação, tal como ele mesmo — e podem ser trazidas dali para onde ele tiver o direito de ir.

מִי שֶׁהָיוּ פֵרוֹתָיו בְּעִיר אַחֶרֶת, וְעֵרְבוּ בְנֵי אוֹתָהּ הָעִיר לְהָבִיא אֶצְלוֹ מִפֵּרוֹתָיו, לֹא יָבִיאוּ לוֹ. וְאִם עֵרַב הוּא, פֵּרוֹתָיו כָּמוֹהוּ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 16:29
שְׁבוּ אִישׁ תַּחְתָּיו אַל־יֵצֵא אִישׁ מִמְּקֹמוֹ בַּיּוֹם הַשְּׁבִיעִי.
Ficai cada um em seu lugar; ninguém saia do seu lugar no sétimo dia.

Mais uma aplicação do princípio de que cada objeto segue a designação de limites de seu próprio dono, e não a de quem por acaso deseja movê-lo. O erúv dos moradores da cidade onde as frutas se encontram estende apenas os próprios limites deles — não transfere às frutas alheias uma nova designação. Só o erúv do verdadeiro dono das frutas, que o autoriza a alcançá-las, pode fazer com que elas passem a seguir seus limites, exatamente como ensinado nas mishnayot anteriores sobre o animal e os utensílios: a designação segue sempre a vontade e o direito de movimento de quem é dono do objeto.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam observa, na sequência de sua nota sobre a mishná anterior, que também este caso é considerado autoexplicativo; Bartenura esclarece o motivo da proibição — a ausência de erúv do próprio dono.

Rambam · Perush HaMishná, Beitzá 5:5-5:6
מִי שֶׁהָיוּ פֵרוֹתָיו בְּעִיר אַחֶרֶת כוּ': כָּל זֶה מְבֹאָר.

"Quem tinha frutas em outra cidade etc." — tudo isso é claro e dispensa explicação adicional, na continuação do que já foi dito sobre a mishná anterior, referente ao poço dos que subiram da Babilônia.

Bartenura · Beitzá 5:5-5:6
לֹא יָבִיאוּ לוֹ. מִפֵּרוֹתָיו, הוֹאִיל וְהוּא לֹא עֵרֵב לְשָׁם, דְּפֵרוֹתָיו כָּמוֹהוּ.

"Não lhe tragam" — de suas frutas, uma vez que ele mesmo não fez erúv para lá; pois suas frutas seguem sua própria designação, como ele mesmo. O erúv feito pelos moradores daquela cidade estende apenas os limites deles próprios, não os do dono ausente das frutas — por isso, sem que ele tenha feito erúv, elas permanecem presas ao lugar onde se encontram.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi explica sucintamente o fundamento da proibição, e a razão pela qual, tendo o próprio dono feito erúv, suas frutas passam a acompanhá-lo.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Beitzá 39b
מַתְנִי' לֹא יָבִיאוּ — מִפֵּרוֹתָיו, הוֹאִיל וְהוּא לֹא עֵרֵב לְשָׁם, דְּהַכֹּל כְּרַגְלֵי הַבְּעָלִים.

"A mishná: não lhe tragam" — de suas frutas, uma vez que ele mesmo não fez erúv para lá, pois tudo segue os pés dos donos — o mesmo princípio geral que abriu a mishná 5:3 sobre o animal e os utensílios, aplicado agora ao caso de frutas guardadas numa cidade distante.