Assim como há oná'á na compra e na venda, assim há oná'á nas palavras. — A mishná estabelece o paralelo central: assim como é proibido explorar financeiramente alguém em uma transação, é igualmente proibido feri-lo com palavras — uma forma de dano que, por não deixar vestígio material, é ainda mais sutil e, segundo os sábios, mais grave.
Não lhe dirá: 'por quanto é este objeto?', quando ele não quer comprar. — O primeiro exemplo: perguntar o preço de uma mercadoria sem qualquer intenção real de adquiri-la, criando falsa esperança no vendedor e desperdiçando seu tempo e sua atenção.
Se ele for um penitente (ba'al teshuvá), não lhe dirá: 'lembra-te de teus atos anteriores'. — Quem retornou ao caminho correto após uma vida de transgressões não deve ter seu passado lançado contra ele em discussão ou reprimenda — reabrir essa ferida é uma forma de exploração verbal particularmente cruel, pois ataca precisamente o que a pessoa já superou.
Se ele for filho de convertidos, não lhe dirá: 'lembra-te dos atos de teus pais' — pois está dito: 'e ao convertido não oprimirás nem afligirás'. — Da mesma forma, ao filho de convertidos ao judaísmo não se deve lembrar a origem idólatra de seus ancestrais — a mishná ancora essa proibição diretamente no versículo da Torá sobre o convertido, unindo explicitamente a exploração verbal à mesma raiz textual da oná'á financeira.
A mishná cita explicitamente o versículo sobre o convertido, base halachica para a proibição de lembrar-lhe seu passado ou o de seus pais.
A mishná lê este versículo como o fundamento textual específico da proibição de lembrar ao filho de convertidos os atos de seus pais. O verbo תונה ("oprimir", da mesma raiz de oná'á) liga explicitamente este caso à exploração de preço tratada no restante do perek — mostrando que a mesma palavra da Torá abrange tanto a exploração financeira quanto a verbal. Rambam observa que a oná'á por palavras recebe, na verdade, um versículo próprio e ainda mais severo — "não oprimireis cada um a seu próximo, e temerás o teu D-us" (Vayikrá 25:17) — precisamente porque a intenção de quem fala só é conhecida por ele mesmo e por D-us; por isso a Torá a trata com mais rigor do que a oná'á de dinheiro, que pode ser verificada objetivamente por terceiros.
Rambam explica por que a oná'á verbal é tratada com ainda mais rigor do que a financeira — precisamente por depender apenas da intenção do coração, conhecida somente por D-us. Bartenura confirma a mesma leitura do versículo de Vayikrá.
Rambam observa que a exploração pelas palavras recebe, na Torá, um versículo próprio e específico — "não oprimireis cada um a seu próximo, e temerás o teu D-us" — e que a Torá a trata com ainda mais rigor do que a exploração financeira, como se vê pela advertência e pelo temor explícito que o versículo evoca. A razão, explica Rambam, é que a pessoa pode facilmente disfarçar sua intenção maliciosa: fingir interesse em comprar sem realmente querer, ou fazer perguntas capciosas a quem não é versado em determinado assunto apenas para constrangê-lo, ou contar histórias vexatórias sobre outrem alegando inocência de intenção. Por isso a Torá acrescenta "e temerás o teu D-us" — porque só Ele conhece verdadeiramente a intenção do coração; e este é o princípio por trás de todo caso em que os sábios dizem que algo "é confiado ao coração": nesses casos, a Torá invoca o temor de D-us, pois os tribunais humanos não podem julgá-lo.
Bartenura confirma que a base textual da oná'á verbal é o versículo de Vayikrá 25:17 — "e não explorareis cada um a seu próximo, e temerás o teu D-us" — e explica sucintamente por que esse versículo específico acrescenta o temor divino: porque o bem ou o mal de uma palavra dita não é algo que um tribunal humano possa discernir com certeza; só o próprio coração de quem fala sabe se sua intenção foi ferir ou não.
Rashi, no encerramento da sugya sobre ona'at devarim em Bava Metzia 58b-59b, comenta especificamente as duas cláusulas sobre o convertido citadas nesta mishná.
Rashi, comentando a extensa discussão da Guemará sobre o versículo do convertido, precisa os dois verbos usados pela Torá: "não o explorará" refere-se especificamente à exploração pelas palavras, enquanto "não o afligirá" (lo tilchatzenu) refere-se a pressioná-lo ou constrangê-lo de outras formas. E sobre o princípio geral por trás de não lembrar a alguém seu próprio defeito — aplicado aqui ao filho de convertidos —, Rashi resume com precisão: já que vocês mesmos foram convertidos (referindo-se ao povo de Israel, descendente de convertidos no Egito), é uma vergonha para vocês mencionar a condição de conversão a outrem.