Quem racha lenha em domínio privado e causa dano em via pública; em via pública e causa dano em domínio privado; em domínio privado e causa dano em outro domínio privado, é responsável. — A mishná esclarece que a responsabilidade de quem racha lenha e causa dano com os estilhaços não depende de onde o ato foi praticado, mas apenas do fato de ter causado dano a outrem. Mesmo rachando lenha dentro de seu próprio domínio — onde não é comum que a multidão esteja presente, e onde se poderia argumentar que a vítima deveria ter tomado cuidado —, ainda assim, se o estilhaço voa e causa dano em outro domínio, seja público ou privado de terceiros, quem racha a lenha é responsável.
Rambam explica que a responsabilidade se aplica em domínio próprio e alheio por igual; Bartenura detalha cada combinação de domínios.
Rambam explica que a mishná nos ensina que quem racha lenha é responsável pelo dano causado, quer esteja agindo em seu próprio domínio quer em domínio alheio, e quer o dano ocorra em local onde a multidão costuma passar — o domínio público — quer em local onde a multidão não costuma passar — o domínio privado. Em todos esses casos, a responsabilidade decorre do dano em si, não da localização.
Bartenura esclarece que "mevakêa" significa quem racha lenha, e que "domínio privado" no segundo caso refere-se ao de terceiros. Explica ainda que, mesmo quando a pessoa racha a lenha dentro de seu próprio domínio — onde não é comum que a multidão esteja presente, o que poderia sugerir que a vítima deveria ter se cuidado —, ainda assim é responsável, pois a responsabilidade por causar dano diretamente não se anula pela localização do ato.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 32b), definindo os termos da mishná.
Rashi identifica precisamente cada termo da mishná: "mevakêa" refere-se a quem racha lenha; o primeiro "domínio privado" onde ocorre o dano pertence a terceiros; já o "domínio privado" onde a pessoa racha a lenha, no segundo e terceiro casos, é o seu próprio; e o "outro domínio privado" do terceiro caso volta a ser de terceiros — em todos, a responsabilidade permanece.